Chapter 6
Três meses se passaram desde que Victoria deixou a Sterling Capital, e a poeira daquele escândalo finalmente tinha assentado completamente.
O projeto de Chicago, que quase tinha sido usado como arma contra mim, se tornou o maior sucesso da empresa naquele ano — expansão bem-sucedida, parcerias sólidas, resultados que silenciaram qualquer dúvida remanescente sobre meu mérito profissional.
Marcus e eu assumimos o relacionamento publicamente, sem esconder nada, sem pedir desculpas por ter encontrado felicidade em circunstâncias improváveis. A imprensa de negócios especulou por semanas, mas os resultados concretos do meu trabalho silenciaram qualquer narrativa que tentasse me pintar como aproveitadora.
Numa tarde tranquila de sábado, estávamos no apartamento de Marcus, organizando fotos antigas que ele finalmente tinha decidido revisar — memórias de Diana que ele guardava havia três anos sem coragem de olhar novamente.
— Isso é importante — eu disse, segurando uma foto de Diana sorrindo, claramente numa viagem feliz. — Você não precisa esconder essas memórias por minha causa, Marcus. Ela faz parte de quem você é.
— Eu sei. — Ele olhou para a foto com uma expressão que misturava saudade e paz, algo que eu nunca tinha visto nele antes. — Por muito tempo, achei que amar você significava trair a memória dela. Demorei pra entender que não funciona assim.
— Como assim?
— O coração não tem espaço limitado, Eve. Amar você não apaga o que senti por Diana. São coisas diferentes, guardadas em lugares diferentes dentro de mim. E acho que ela ficaria feliz em saber que eu finalmente encontrei alguém que me faz sentir humano de novo.
Lágrimas encheram meus olhos, não de tristeza, mas de um alívio profundo que eu nem sabia que precisava sentir.
Victoria, depois de meses de silêncio, enviou uma carta inesperada semanas depois — um pedido de desculpas sincero, explicando que o luto mal processado tinha transformado o amor dela pela irmã em algo destrutivo e possessivo. Ela tinha começado terapia, e pedia, humildemente, a chance de reconstruir uma relação mais saudável com Marcus no futuro, sem expectativas imediatas.
Marcus decidiu dar essa chance a ela, aos poucos, com limites claros e cuidadosos.
Numa noite de primavera, Marcus me levou de volta ao mesmo aeroporto onde tudo tinha começado — não para nenhum voo, mas para um jantar particular montado discretamente no mesmo terminal onde eu tinha chorado no ombro dele meses atrás.
— Por que aqui? — perguntei, confusa, enquanto ele me guiava até uma mesa isolada, decorada simplesmente, com vista para as pistas iluminadas.
— Porque foi aqui que minha vida mudou completamente, mesmo que eu não soubesse disso na hora. — Ele se ajoelhou, tirando do bolso um pequeno estojo de veludo azul. — Eve, eu era um homem vazio há três anos, mecanicamente sobrevivendo sem realmente viver. Você apareceu chorando, sem nenhuma ideia de quem eu era, e me lembrou o que significa sentir alguma coisa de verdade novamente.
Levei as mãos à boca, o coração disparado.
— Quer passar o resto da vida sendo a pessoa que me lembra disso, todos os dias, pelo resto das nossas vidas?
— Sim. — A palavra saiu antes mesmo que eu processasse completamente a pergunta. — Sim, com certeza sim.
Enquanto ele colocava o anel no meu dedo, ali mesmo, no lugar exato onde tudo tinha começado com um abraço desajeitado entre dois estranhos completamente quebrados, percebi que às vezes as coisas mais dolorosas da vida — um término cruel, quarenta segundos de mensagem de voz que destruíram três anos — acabam sendo, sem que a gente perceba na hora, o começo de algo completamente diferente e infinitamente melhor.
E você — já teve um momento de dor tão profunda que, olhando pra trás, percebeu que era exatamente o início de algo bom?
