Chapter 3
Reuni o turno da noite inteiro na sala de segurança, oito homens em fila, todos com a mesma expressão tensa de quem sabe que algo terrível está prestes a ser descoberto.
— Alguém vai me dizer agora mesmo quem disparou uma arma dentro da minha casa — falei, a voz baixa, o tipo de baixo que meus homens sabiam ser mais perigoso que gritos.
Silêncio.
— Vou perguntar mais uma vez.
Um homem mais jovem, Tyler, contratado há apenas quatro meses, começou a suar visivelmente.
— Foi um acidente, Sr. Vale. A gente tava fazendo a ronda perto da ala leste, achamos que tinha um invasor no jardim…
— E vocês atiraram dentro da minha própria casa, achando que atingiriam um invasor no jardim?
— O tiro ricocheteou, senhor. Bateu numa estrutura de metal perto da janela da cozinha e voou pra dentro.
Fechei os olhos por um segundo, tentando conter a fúria que ameaçava explodir.
— E o suposto invasor?
Tyler trocou olhares com os outros homens.
— A gente não encontrou ninguém, senhor. Pensamos que fosse falso alarme.
— Ou — Claire disse, entrando na sala sem ser convidada, ainda com as mangas dobradas — pensaram que fosse um alvo específico, e erraram o tiro.
Todos os olhos se voltaram pra ela.
— Quem deixou você entrar aqui? — Dominic rosnou.
— Ninguém precisou. Eu simplesmente entrei.
Encarei ela, intrigado apesar da situação.
— Do que você está falando, Claire?
Ela caminhou até o centro da sala, os olhos passando por cada homem ali, avaliando, como se estivesse lendo algo que ninguém mais conseguia ver.
— Um “invasor” que ninguém encontra, mas que gera um disparo certeiro o suficiente pra atravessar uma janela e atingir uma garota especificamente na coxa, não fatalmente, mas o bastante pra causar pânico e reunir toda a família num único lugar…
Ela deixou a frase no ar, deliberadamente.
Meu sangue gelou ao entender aonde ela estava chegando.
— Isso foi uma distração — completei.
— Exatamente, Sr. Vale. Enquanto todo mundo corria pra cozinha, alguém tinha livre acesso ao resto da casa.
Dominic empalideceu ainda mais.
— O cofre do escritório — ele sussurrou.
Corremos os dois, junto com dois homens, até meu escritório particular no segundo andar.
A porta do cofre embutido na parede estava entreaberta.
Vazio.
Os documentos que provavam a identidade do traidor dentro da minha organização — as provas que eu tinha trazido de Miami, escondidas ali antes mesmo de ir falar com Ava — tinham sumido.
— Impossível — murmurei. — Só duas pessoas sabiam da existência desse cofre.
— Três, agora — Claire disse, atrás de mim.
Virei-me pra ela.
— Como você sabe da existência desse cofre?
Ela hesitou, pela primeira vez desde que eu a conhecia, uma fresta de algo parecido com cautela cruzando o rosto dela.
— Porque, Sr. Vale, eu não fui contratada por acaso.
O ar pareceu sumir da sala.
— O que isso significa?
— Significa que precisamos conversar. Em particular. E que o que eu vou te contar vai mudar completamente o que o senhor pensa que sabe sobre a morte da sua esposa.
