Voltar pra casa três dias antes deveria ter me dado vantagem sobre o traidor dentro da minha organização.

Written by

in

Chapter 6

Levamos Dominic e Bishop de volta à propriedade, agora sob custódia total, enquanto Claire preparava tudo pra registrar cada palavra da confissão que estava por vir.

Na sala de segurança, com câmeras gravando cada segundo, Bishop finalmente confessou tudo: o atentado que matou Rachel tinha sido planejado por ele, em retaliação a um acordo de território que eu tinha fechado sem consultar os rivais da antiga aliança dele. Dominic, corrompido por dívidas de jogo escondidas havia anos, tinha sido o infiltrado que fornecia informações internas desde então.

— Ela nem devia estar no carro naquele dia — Dominic disse, a voz quebrando, talvez pela primeira vez sentindo o peso real do que tinha feito. — Era pra ser só o senhor, Sr. Vale.

Aquilo não trouxe nenhum consolo. Só aumentou o peso de tudo que eu tinha perdido.

— Rachel morreu porque vocês dois decidiram que vidas inocentes eram moeda de troca aceitável nos seus jogos de poder — falei, a voz gelada. — Isso não tem perdão.

Entreguei os dois, junto com todas as provas reunidas por Claire, às autoridades certas dentro da minha própria estrutura — aquelas que ainda respeitavam limites que Dominic e Bishop tinham cruzado há muito tempo.

A justiça que se seguiu não foi rápida, nem limpa, mas foi definitiva.

Semanas depois, com a organização reestruturada e a ameaça finalmente neutralizada, encontrei Claire no jardim, observando Emma brincar livremente pela primeira vez em anos, a voz da minha filha ecoando em risadas que eu tinha quase esquecido como soavam.

— Ela está falando cada vez mais — comentei, me aproximando.

— Crianças curam quando se sentem seguras de novo, Sr. Vale.

— Alexander. Acho que, depois de tudo isso, você pode me chamar pelo primeiro nome.

Claire sorriu, um sorriso genuíno, sem as camadas de cautela que eu tinha me acostumado a ver nela.

— Alexander, então.

— O que você vai fazer agora? Sua missão está completa. O traidor foi exposto, a morte de Rachel finalmente tem respostas.

Ela hesitou, olhando pra Emma brincando ao longe.

— Minha agência espera meu relatório final até o fim da semana. Depois disso, tecnicamente, eu deveria seguir pra próxima missão.

Meu peito apertou de um jeito inesperado.

— E se eu pedisse pra você ficar? Não como empregada, nem como agente secreta. Só como Claire.

Ela me encarou, surpresa genuína cruzando o rosto dela.

— Suas filhas confiam em mim, Alexander. Mas isso é diferente de você confiar.

— Eu confio em você mais do que confiei em qualquer pessoa nos últimos três anos. E isso não é pouca coisa, vindo de mim.

Harper apareceu correndo pelo jardim, o curativo na perna quase totalmente curado, gritando animada:

— Claire! Vem ver o desenho que a Emma fez!

Claire olhou pra mim, um brilho diferente nos olhos, antes de responder à minha filha:

— Já vou, querida.

Ela deu um passo em direção às crianças, mas parou, se virando de novo pra mim.

— Eu fico, Alexander. Não pela missão. Pela família que, sem perceber, comecei a construir aqui.

Vendo minhas três filhas rindo livremente no jardim pela primeira vez desde a morte de Rachel, e vendo a mulher ao meu lado que tinha ajudado a costurar de volta não só a perna de Ava, mas os pedaços quebrados da nossa casa inteira, entendi finalmente que segurança nunca tinha sido sobre câmeras, guardas ou muros.

Era sobre as pessoas certas, dispostas a lutar pela gente, mesmo quando a gente nem sabia que precisava.

Quantas vezes a gente confunde proteção verdadeira com força e armas, quando às vezes ela vem, silenciosamente, das mãos que menos esperamos que nos salvem?

← Capítulo Anterior

Lista de Capítulos