Chapter 5
Os dias seguintes se transformaram numa investigação silenciosa, conduzida nas sombras da própria casa, enquanto fingíamos, na frente dos outros, que nada tinha mudado.
Claire continuou cuidando de Ava, trocando os curativos, mas agora também compartilhava comigo, à noite, tudo que descobria observando os homens da minha própria segurança.
— Dominic está nervoso demais desde o roubo do cofre — ela comentou, numa dessas noites, os dois sentados na biblioteca, o único cômodo onde tínhamos certeza de não sermos ouvidos.
— Ele está no meu círculo há doze anos.
— O que não significa que ele não possa ter sido comprado, ou ameaçado, em algum momento nesses doze anos.
Relutei em aceitar aquilo, mas a lógica dela era afiada demais pra ignorar.
Passamos a observar Dominic de perto, discretamente, cruzando os horários dele com os acessos ao escritório, com as ligações registradas no sistema de segurança.
Foi Claire quem encontrou o padrão.
— Toda vez que Dominic sai “pra resolver assuntos pessoais”, existe uma ligação, minutos depois, pra um número que não está registrado em lugar nenhum do nosso sistema.
— Consegue rastrear esse número?
— Já rastreei. É um número descartável, comprado em dinheiro, na mesma loja onde, coincidentemente, o homem que tinha o colar da sua esposa comprou o dele, dois anos atrás.
Meu sangue gelou.
— Dominic.
— Ainda não é prova suficiente pra confrontar ele diretamente. Mas é o bastante pra vigiá-lo de perto.
Naquela noite, decidimos armar uma armadilha.
Deixei, deliberadamente, uma pasta falsa no cofre reparado, com informações incorretas sobre a localização de uma suposta testemunha-chave do atentado.
Se Dominic fosse o traidor, ele tentaria acessar aquilo, e alertar quem quer que estivesse do outro lado.
Dois dias depois, as câmeras registraram exatamente o que esperávamos: Dominic, sozinho, tarde da noite, abrindo o cofre com as credenciais que só ele e eu tínhamos.
Ele fotografou os documentos falsos e saiu apressado da propriedade minutos depois.
— Ele vai encontrar com alguém — Claire disse, observando o monitor ao meu lado. — Precisamos segui-lo.
Segui Dominic à distância, junto com dois homens de confiança absoluta que eu tinha verificado pessoalmente nos últimos dias, enquanto Claire ficava na central de segurança, coordenando tudo por rádio.
Dominic parou num beco escuro, próximo ao porto, encontrando um homem que reconheci na hora — Bishop, um antigo rival que eu achava neutralizado há anos.
— Aqui está o que vocês pediram — ouvi Dominic dizer, entregando um envelope. — Mas eu quero minha parte agora. Vale está desconfiando.
— Você recebe quando o trabalho estiver completo — Bishop respondeu, frio. — E o trabalho só estará completo quando Vale estiver morto, junto com as filhas dele, do jeito que devia ter acontecido há três anos.
Minha visão ficou vermelha de raiva.
Saí das sombras antes mesmo de pensar direito, a arma apontada.
— Dominic.
Ele se virou, o rosto perdendo toda a cor.
— Sr. Vale, eu posso explicar…
— Você vai explicar. Na frente de todo mundo. Depois de me dizer exatamente quem mais está envolvido nisso.
Bishop tentou correr, mas os homens que eu tinha trazido já o cercavam, sem chance de fuga.
— Foi você — falei, a voz tremendo de raiva contida. — Foi você quem armou a bomba que matou Rachel.
Bishop sorriu, um sorriso sujo, sem remorso algum.
— Ela não devia ter sobrevivido tanto tempo depois de você começar a nos atrapalhar nos negócios, Vale. Isso foi só o começo de acertar as contas.
Segurei a vontade de puxar o gatilho ali mesmo, sabendo que precisava dele vivo, falando, confessando tudo diante de testemunhas que importavam.
