Eu tentei pedir demissão do meu poderoso chefe antes que ele descobrisse que eu o amava — mas ele trancou a porta e revelou que alguém já estava vigiando minha irmã

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Chapter 1

Eu tentei pedir demissão do meu poderoso chefe antes que ele descobrisse que eu o amava — mas ele trancou a porta e revelou que alguém já estava vigiando minha irmã

Entrei na sala do meu chefe com uma carta de demissão na mão, convencida de que ir embora era a única forma de me salvar. Cinco minutos depois, a porta estava trancada, meu coração disparado, e o homem mais perigoso que eu já conheci estava me contando algo que fez todos os meus medos parecerem insignificantes. Eu achava que estava fugindo dos meus sentimentos por ele. Não fazia ideia de que estava caminhando direto para um pesadelo.

Meu nome é Cara Bennett, e por três anos trabalhei para Dante Moretti, em Chicago.

Oficialmente, eu era a assistente executiva de um dos homens de negócios mais poderosos da cidade.

Extraoficialmente, eu administrava o caos ao redor de um homem cujo nome tinha influência suficiente para deixar políticos nervosos e concorrentes desaparecerem da noite para o dia.

Todo mundo conhecia Dante Moretti.

Ninguém o desafiava.

E ninguém o deixava.

Pelo menos foi isso que aprendi no dia em que tentei.

Fiquei parada na sala dele, no último andar da Moretti Holdings, segurando com tanta força a carta de demissão que o papel já tinha começado a amassar na minha mão. Atrás de Dante, janelas do chão ao teto emolduravam o horizonte de Chicago. O escritório parecia mais um reino do que um ambiente de trabalho. Cada detalhe refletia poder, riqueza e controle absoluto.

Foi então que Dante ergueu os olhos da mesa.

— O que é isso?

A voz dele era calma.

Calma demais.

Engoli em seco.

— Minha demissão.

Por vários segundos longos, ele apenas me encarou.

Depois apontou para a mesa.

— Coloque aí.

Obedeci.

A carta pousou ao lado do notebook dele.

Estranhamente, ele nunca olhou para ela.

Em vez disso, se levantou.

Devagar.

Cada movimento parecia calculado.

Perigoso.

— Por quê?

A pergunta deveria ser fácil de responder.

Mas a verdade me destruiria.

Eu não estava saindo por causa de outro emprego.

Não estava saindo por estresse.

Estava saindo porque estava me apaixonando por ele.

E cada dia que eu ficava piorava tudo.

— Uma oportunidade melhor — menti. — Uma agência de marketing no centro. Horário normal.

— Horário normal?

Uma sombra passou pelo rosto dele.

O jeito como ele disse aquilo fez as palavras soarem ridículas.

Então ele contornou a mesa.

Meu coração acelerou na hora.

— Você acha que é isso que quer?

A voz dele se aproximava.

— Reuniões corporativas? Avaliações de desempenho? Um chefe que nem sabe que você toma chá com mel em vez de açúcar?

Congelei.

Prendi a respiração.

Como ele sabia disso?

— Senhor Moretti…

— Dante.

A correção veio imediata.

Firme.

Suave.

Pessoal demais.

— Nós não deveríamos estar tendo essa conversa.

— Então diga meu nome.

Eu não conseguia.

Porque, se dissesse, todas as paredes que eu tinha construído ao redor do meu coração desmoronariam.

Foi então que um clique seco ecoou pela sala.

Me virei.

A porta do escritório estava trancada.

Meu estômago revirou.

— Você trancou a porta.

— Sim.

A certeza na voz dele me assustou mais do que qualquer raiva poderia assustar.

— Você não pode fazer isso.

— Não posso?

Os olhos dele não desviaram dos meus nem por um segundo.

Pela primeira vez em três anos, vi algo por trás do controle habitual dele.

Algo vulnerável.

Algo dolorosamente real.

— Três anos, Cara — disse ele, baixinho.

— Você trabalhou ao meu lado todos os dias. Viu coisas que ninguém mais viu. Ouviu conversas que ninguém mais teve permissão de ouvir.

Fiquei em silêncio.

— Você sabe o suficiente para me destruir.

A mandíbula dele se contraiu.

— E, mesmo assim, você nunca pediu mais dinheiro. Nunca me ameaçou. Nunca usou o que sabe contra mim.

A sala parecia menor.

Mais apertada.

— Por isso sei que você está mentindo.

A acusação atingiu forte.

Talvez porque fosse verdade.

— Talvez eu seja esperta o suficiente para sair antes que seja tarde demais.

O olhar dele ficou mais afiado.

— Tarde demais para quê?

A resposta ficou presa no meu peito.

Para me apaixonar por você.

Mas eu não conseguia dizer isso.

Em vez disso, desviei o olhar.

— Eu tenho uma irmã mais nova.

A expressão dele mudou na hora.

— Ela tem dezessete anos. Quer fazer faculdade. Quer um futuro.

Ele escutou com atenção.

— Acho que todo mundo que se aproxima de você acaba virando alvo, mais cedo ou mais tarde.

Silêncio tomou conta do escritório.

Um silêncio longo, sufocante.

Foi então que vi algo que eu nunca esperava.

Medo.

Medo de verdade.

Dante deu um passo à frente.

— Cara — disse ele, baixinho — se eu te dissesse que sua irmã já está sendo vigiada, você acreditaria em mim?

Meu sangue gelou.

— O quê?

Os olhos dele não vacilaram.

— Alguém começou a segui-la há duas semanas.

A sala pareceu inclinar.

Todos os sons ficaram distantes.

Cada respiração ficou difícil.

Então Dante abriu uma gaveta e tirou um grosso arquivo de vigilância.

Sem dizer nada, colocou-o sobre a mesa, na minha frente.

Minhas mãos tremiam enquanto eu o abria.

A primeira fotografia mostrava minha irmã saindo da escola.

A segunda a mostrava entrando numa cafeteria.

A terceira fez meu coração parar por completo.

Porque, do outro lado da rua, observando-a de dentro de um sedan preto estacionado, estava alguém que eu reconheci de um arquivo que Dante tinha me proibido, uma vez, de abrir.

E quando ergui os olhos, o rosto de Dante me revelou uma verdade aterrorizante.

Pedir demissão nunca tinha sido o perigo.

O perigo já tinha nos encontrado.

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