Chapter 5
Duas semanas se passaram desde aquela noite no galpão, e o mundo ao meu redor parecia, aos poucos, recuperar um equilíbrio que eu nunca soube que precisava tanto.
Victor Salazar cumpriu sua palavra. Os homens desapareceram do quarteirão de Mia. A vigilância parou. E, através dos advogados de Dante, um processo de correção profissional e indenização foi silenciosamente iniciado, encerrando de vez qualquer motivo para vingança.
Mia, ainda sem saber todos os detalhes sombrios daquela semana, apenas sabia de uma coisa: sua irmã parecia, finalmente, mais leve.
— Você está diferente — comentou ela, um domingo à tarde, enquanto ajudávamos a arrumar a mesa para o almoço. — Mais feliz.
— Estou tentando ser mais honesta comigo mesma — respondi, sorrindo de leve.
— Isso tem a ver com o Dante?
Corei, pega de surpresa.
— Talvez.
Mia riu, balançando a cabeça.
— Eu sabia. Desde o dia que ele apareceu na nossa porta parecendo pronto para proteger o mundo inteiro só por sua causa.
Naquela noite, voltei ao escritório de Dante — não como funcionária prestes a se demitir, mas como alguém finalmente disposta a enfrentar a verdade que vinha evitando havia três anos.
Encontrei-o parado diante da mesma janela panorâmica, observando o horizonte de Chicago, exatamente como no dia em que tudo começou.
— Vim devolver isso — falei, colocando sobre a mesa a mesma carta de demissão amassada, agora com uma frase nova escrita à mão, embaixo da assinatura: “Cancelada. Por escolha própria.”
Dante se virou, um sorriso raro suavizando seu rosto normalmente sério.
— Então você decidiu ficar.
— Decidi parar de fugir de tudo que realmente importa. Do meu trabalho. Da minha irmã. E de você.
Ele se aproximou, tomando minhas mãos nas dele.
— Cara Bennett, eu sei que comecei tudo isso do jeito errado — trancando portas, escondendo verdades, colocando você em perigo sem perceber.
— Você também me ensinou algo importante nessas duas semanas.
— O quê?
— Que às vezes, a coisa mais corajosa não é fugir do perigo, mas enfrentá-lo ao lado de alguém em quem você confia de verdade.
Ele tocou meu rosto, os olhos carregados de uma emoção que ele finalmente parava de esconder.
— Eu te amo, Cara. Há mais tempo do que deveria admitir, e mais do que jamais pensei ser capaz de amar alguém de novo.
— Eu também te amo, Dante. Mesmo com todo o perigo, o medo, e as portas trancadas.
Ele riu, um som genuíno, leve, quase juvenil.
— Prometo que, daqui pra frente, só vou trancar portas por bons motivos.
— Que motivos seriam esses?
Ele se inclinou, sussurrando contra meus lábios antes de finalmente me beijar:
— Para garantir que ninguém nos interrompa nos momentos que realmente importam.
Meses depois, Mia entrou para a faculdade que sempre sonhou, com uma bolsa de estudos que, discretamente, Dante ajudou a viabilizar sem nunca admitir abertamente sua participação.
E eu, que um dia entrei naquele escritório determinada a fugir de tudo o que sentia, aprendi que algumas portas trancadas não existem para nos prender — existem para nos proteger, até estarmos prontos para enfrentar, juntos, o que há do outro lado.
E você, já teve que escolher entre fugir do medo ou enfrentá-lo de frente por alguém que ama? O que fez você decidir ficar?
