Chapter 2
Fiquei olhando para a foto, incapaz de desviar os olhos daquele rosto no sedan preto.
— Eu conheço esse homem — sussurrei. — Ele estava num arquivo que você me proibiu de abrir, há uns oito meses.
Dante fechou os olhos por um instante, como se tivesse esperado — e temido — que eu me lembrasse.
— O nome dele é Victor Salazar.
— Quem é ele, Dante?
— Alguém que trabalhou para mim há muito tempo. Alguém que eu demiti da pior forma possível, porque descobri que ele estava roubando informações da empresa e vendendo para concorrentes.
— E o que isso tem a ver com minha irmã?
— Depois que o demiti, ele jurou que um dia ia me fazer perder algo que eu não pudesse recuperar com dinheiro.
Senti o ar faltar.
— E ele descobriu sobre mim.
— Ele descobriu que você é a única pessoa, além dos meus advogados, que tem acesso à minha vida real. E descobriu que sua irmã é a única família que resta para você.
— Então isso é sobre vingança contra você, usando a Mia como instrumento.
— Sim.
A palavra saiu curta, pesada, cheia de uma culpa que Dante raramente deixava transparecer.
— Por que você nunca me contou sobre esse arquivo? — perguntei, a raiva começando a se misturar ao medo. — Por que simplesmente proibiu que eu olhasse, sem explicar nada?
— Porque, na época, era só uma ameaça vaga. Um ex-funcionário rancoroso falando bobagem depois de ser demitido. Eu não queria te assustar por algo que talvez nunca acontecesse.
— E agora aconteceu.
— Agora aconteceu — confirmou ele, a voz mais grave do que eu jamais tinha ouvido.
Peguei meu celular, as mãos tremendo tanto que quase deixei cair.
— Preciso ligar para ela. Preciso saber se ela está bem agora.
— Cara, espere.
— Não vou esperar, Dante! É a minha irmã!
Ele segurou meu pulso, com firmeza, mas sem machucar.
— Se você ligar agora, do jeito que está, vai assustá-la sem necessidade e sem um plano. Precisamos fazer isso direito.
Respirei fundo, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair.
— Que plano, Dante? Você tem alguma ideia de como proteger uma adolescente de dezessete anos de um homem que quer se vingar de você?
— Tenho gente. Segurança discreta, que pode ficar de olho nela sem que ela perceba, sem assustá-la.
— Isso não é suficiente.
— Vai ser suficiente até resolvermos isso de vez.
— “Resolver isso de vez” significa o quê, exatamente?
O silêncio dele antes de responder me disse mais do que qualquer palavra.
— Significa que eu preciso conversar pessoalmente com Victor. E terminar isso, de uma forma que ele nunca mais pense em se aproximar de você ou da sua irmã.
— Isso soa perigoso.
— É perigoso.
— Então por que você faria isso?
Ele finalmente soltou meu pulso, tocando meu rosto com uma delicadeza que contradizia tudo o que eu tinha acabado de ouvir sobre ele.
— Porque, Cara, eu prefiro colocar minha própria vida em risco a deixar qualquer coisa acontecer com você ou com Mia.
As lágrimas que eu vinha segurando finalmente escaparam.
— Você não devia se importar assim comigo. Eu só sou sua assistente.
— Você para de mentir para si mesma sobre isso, ou eu vou ter que te fazer admitir a verdade de outro jeito.
Antes que eu pudesse responder, ele já tinha ligado para sua equipe de segurança, dando ordens rápidas, precisas, sobre proteger Mia imediatamente, sem que ela soubesse o motivo.
Enquanto ele falava ao telefone, olhei mais uma vez para a fotografia sobre a mesa — minha irmã, sorrindo, sem imaginar que sua vida normal tinha acabado de ser invadida por um mundo que eu jamais quis que ela conhecesse.
