Eu tentei pedir demissão do meu poderoso chefe antes que ele descobrisse que eu o amava — mas ele trancou a porta e revelou que alguém já estava vigiando minha irmã

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Chapter 3

Duas horas depois, recebi a confirmação: Mia estava em casa, segura, sem imaginar que dois homens discretos de terno agora vigiavam o quarteirão inteiro ao redor do apartamento dela.

Ainda assim, eu não conseguia respirar direito.

— Preciso vê-la — falei para Dante, que continuava andando de um lado para o outro do escritório, o celular colado à orelha, coordenando ligações que eu nem entendia completamente.

— Vou providenciar um carro. Mas você não vai sozinha.

— Dante, ela é minha irmã. Eu decido como falar com ela.

— E eu decido como manter vocês duas vivas. Dessa vez, as duas coisas andam juntas, goste você ou não.

Discordei, mas no fundo sabia que ele tinha razão.

No carro, a caminho do apartamento de Mia, o silêncio entre nós pesava mais do que qualquer palavra.

— Cara — disse ele, por fim — sinto muito por ter te colocado nessa posição.

— Você não me colocou em posição nenhuma. Victor Salazar colocou.

— Eu demiti o homem errado do jeito errado. Se eu tivesse lidado com isso de forma diferente na época…

— Dante, pare. Culpa não vai proteger a Mia agora.

Ele apertou o volante, os olhos fixos na estrada.

— Você tem razão.

Chegamos ao prédio de Mia, e a vi sentada na sala, os livros de física espalhados pela mesinha, completamente alheia ao perigo que rondava sua vida.

— Cara! — ela sorriu ao me ver. — Que surpresa boa. E quem é ele?

— Um amigo — respondi rapidamente, antes que Dante pudesse dizer qualquer coisa diferente.

Mia ergueu uma sobrancelha, desconfiada, mas não insistiu.

Sentamos, e tentei explicar da forma mais suave possível que ela precisava ter mais cuidado nos próximos dias — evitar caminhos isolados, avisar sempre onde estava, confiar em dois “conhecidos de trabalho” que passariam a acompanhá-la de longe.

— Cara, isso está me assustando. O que está acontecendo?

— É só precaução, Mia. Prometo que te conto tudo quando puder.

Ela olhou para Dante, depois para mim, juntando as peças com a inteligência que sempre a caracterizou.

— Isso tem a ver com o seu trabalho, não tem? Com esse tal Dante Moretti que você nunca fala direito sobre?

Fiquei sem palavras.

— Sou eu — disse Dante, calmamente, se apresentando pela primeira vez. — E sim, infelizmente, isso tem relação com meu passado. Sinto muito por isso ter chegado até você.

Para minha surpresa, Mia não gritou, não entrou em pânico.

Apenas olhou para ele com uma seriedade que parecia madura demais para os dezessete anos dela.

— Você vai proteger minha irmã?

— Com a minha própria vida, se for preciso.

Mia assentiu, lentamente, como se aquela resposta fosse suficiente por enquanto.

Naquela noite, depois de deixar Mia sob os cuidados discretos da segurança de Dante, voltamos para o apartamento dele, exaustos, o peso do dia inteiro finalmente cobrando seu preço.

— Ela é forte — comentou Dante, servindo dois copos de água, evitando álcool pela primeira vez que me lembro.

— Puxou isso da nossa mãe.

— E de você, imagino.

Sentei-me no sofá dele, permitindo-me, pela primeira vez em horas, relaxar os ombros tensos.

— Dante, o que acontece agora? Com o Victor?

Ele se sentou ao meu lado, mais perto do que o protocolo profissional jamais permitiria.

— Amanhã vou me encontrar com ele. Cara a cara.

— Isso é loucura. Ele pode estar armado. Pode ser uma armadilha.

— Provavelmente é.

— Então por que você vai mesmo assim?

— Porque enquanto ele achar que pode continuar ameaçando à distância, ele nunca vai parar. Preciso mostrar a ele que enfrentá-lo de frente não é problema para mim.

— E se der errado?

Ele olhou para mim, algo suavizando na expressão sempre controlada.

— Se der errado, quero que você saiba de uma coisa antes.

— O quê?

— Que valeu a pena. Cada segundo que passei perto de você nesses três anos valeu qualquer risco que eu tenha que correr agora.

Antes que eu pudesse responder, ele se inclinou, e pela primeira vez, depois de anos segurando cada sentimento reprimido, nossos lábios finalmente se encontraram — um beijo que carregava tanto medo quanto desejo, tanto perigo quanto certeza.

Quando nos separamos, ofegantes, encostei minha testa na dele.

— Você não vai se encontrar com ele sozinho, Dante.

— Cara…

— Não estou pedindo permissão. Estou avisando.

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