Eu tentei pedir demissão do meu poderoso chefe antes que ele descobrisse que eu o amava — mas ele trancou a porta e revelou que alguém já estava vigiando minha irmã

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Chapter 4

O encontro com Victor Salazar foi marcado num galpão abandonado às margens do Rio Chicago, ao entardecer — o tipo de lugar que só existe em pesadelos ou em acordos que ninguém quer testemunhar.

Contra a vontade de Dante, eu insisti em ir junto, esperando dentro do carro, a apenas alguns metros de distância, observando tudo através do para-brisa embaçado pela minha própria respiração ansiosa.

— Fique aqui, não importa o que aconteça — tinha dito Dante antes de descer, a voz mais dura do que eu jamais tinha ouvido.

— Se alguma coisa der errado, eu entro.

— Cara, prometa.

— Não vou prometer isso.

Ele suspirou, sem tempo para discutir mais, e caminhou em direção ao galpão, onde uma silhueta já esperava, parada sob a luz fraca de um poste quebrado.

Victor Salazar era mais velho do que eu imaginava, o rosto marcado por anos de rancor guardado, os olhos frios fixos em Dante assim que ele se aproximou.

— Moretti — disse ele, a voz arrastada. — Demorou pra aparecer.

— Estou aqui agora. Termine logo o que quer dizer.

— Quero o que sempre quis. Reconhecimento pelo que construí antes de você me jogar na rua como lixo.

— Você foi demitido porque roubou informações confidenciais e as vendeu para meus concorrentes. Isso não é injustiça, Victor. Isso é consequência.

Victor riu, um som seco, sem humor algum.

— Consequência. Interessante você falar de consequências, Moretti, quando está prestes a sofrer as suas.

Meu coração disparou dentro do carro, vendo Victor levar a mão ao bolso do casaco.

Sem pensar duas vezes, abri a porta e saí correndo em direção aos dois.

— Cara, não! — gritou Dante, virando-se ao me ouvir.

Foi o suficiente para que Victor hesitasse, distraído pela minha aproximação repentina.

— Então essa é a assistente tão preciosa — disse ele, um sorriso doentio se formando no rosto. — A que ele decidiu proteger em vez de negociar comigo como homens de negócio deveriam fazer.

— Meu nome é Cara — falei, tentando manter a voz firme, mesmo com o corpo tremendo de medo. — E eu não sou propriedade de ninguém, nem motivo suficiente para você destruir a vida de uma adolescente inocente.

— Sua irmãzinha não tem nada a ver com isso.

— Ela tem tudo a ver, porque você a escolheu como alvo só para me machucar através dela — interveio Dante, dando um passo à frente, posicionando-se discretamente entre Victor e eu.

Victor olhou entre nós dois, algo mudando em sua expressão ao perceber a genuína proteção no comportamento de Dante.

— Interessante — murmurou ele. — O grande Dante Moretti, finalmente vulnerável por causa de uma mulher.

— O que você quer, Victor? De verdade?

Victor ficou em silêncio por um longo momento, a raiva antiga parecendo, de repente, mais cansada do que perigosa.

— Quero que você admita, na frente dela, que arruinou minha vida sem nem verificar toda a história direito.

Dante hesitou, algo genuíno cruzando seu rosto normalmente impenetrável.

— Você tem razão numa coisa — disse ele, por fim. — Eu não investiguei fundo o suficiente na época. Descobri depois que parte das informações vazadas vieram de outra pessoa, que usou seu acesso para encobrir o próprio erro.

Victor congelou.

— Do que você está falando?

— Estou dizendo que você não foi o único culpado, Victor. Mas na época, eu precisava de um culpado rápido, e você era conveniente.

O silêncio que se seguiu foi carregado de anos de raiva finalmente encontrando uma explicação, ainda que tardia e imperfeita.

— Isso não desculpa você ter mandado alguém vigiar a irmã dela — falei, a voz mais firme agora.

Victor olhou para mim, algo quebrando em sua postura antes ameaçadora.

— Eu só queria ser ouvido. Só queria que ele admitisse o que fez.

— Você poderia ter pedido isso sem aterrorizar uma adolescente inocente — retruquei.

Victor baixou a cabeça, o peso da vergonha finalmente alcançando-o.

— Chame seus homens de volta, Victor — disse Dante. — Afaste-se da Mia, afaste-se da Cara, e eu prometo reabrir sua investigação, corrigir seu registro profissional, e garantir uma indenização justa pelo erro que cometi.

Victor ergueu os olhos, surpreso.

— Por que faria isso agora?

— Porque continuar essa guerra só vai destruir mais pessoas inocentes. E porque, aparentemente, uma mulher corajosa acabou de me ensinar que admitir erros é mais forte do que fingir que nunca os cometi.

Victor observou os dois por um longo momento, antes de finalmente assentir, lentamente.

— Combinado, Moretti. Chame seus advogados amanhã.

Ele se afastou, desaparecendo na escuridão do galpão, deixando para trás um silêncio pesado, mas finalmente livre de ameaça.

Dante se virou para mim, o alívio e o medo se misturando em sua expressão.

— Você poderia ter morrido, agindo daquele jeito.

— Você poderia ter morrido primeiro, se eu não tivesse feito nada.

Ele me puxou para um abraço apertado, o corpo dele tremendo levemente contra o meu, a fachada de controle absoluto finalmente cedendo.

— Não faça isso de novo — sussurrou ele contra meu cabelo.

— Não prometo nada, Dante Moretti.

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