Aries Thorne me perguntou por que eu estava no penthouse dele usando nada além da própria camisa social branca.

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Chapter 2

O estrondo veio antes da dor.

Aries se moveu mais rápido do que qualquer homem daquele tamanho deveria conseguir, jogando o próprio corpo sobre Sienna no exato instante em que os cacos de vidro varreram a sala de apoio feito uma tempestade de lâminas.

— Fica no chão — rosnou ele, no ouvido dela, a voz baixa mesmo em meio ao caos.

Alarmes começaram a disparar por todo o penthouse, luzes vermelhas piscando ritmicamente contra o mármore escuro.

— Killian! — gritou Aries, erguendo-se o suficiente pra puxar Sienna pra trás de um sofá de couro grosso.

— Chefe, temos hostis no vigésimo oitavo andar. Elevadores travados, escada de emergência sendo monitorada.

— Quantos?

— Pelo menos seis, armados. Parece profissional.

Aries olhou pra Sienna, ainda vestindo a camisa branca dele, o rosto pálido de choque mas os olhos surpreendentemente firmes.

— Você está ferida?

— Não. Só… assustada.

— Fica assustada depois. Agora eu preciso que você me diga tudo sobre essa camisa envenenada, rápido.

Sienna respiroufundo, tentando organizar os pensamentos em meio ao som de tiros distantes ecoando pelo corredor.

— Alguém tratou a gola e os punhos com uma toxina de absorção lenta. Precisa de contato repetido, de calor, de suor. Foi planejado pra parecer falha cardíaca natural, não assassinato.

— Quem teve acesso à peça antes de você entregar?

— Só meu ateliê. Eu, meu assistente, e…

Ela parou, o rosto perdendo mais cor ainda.

— E quem, Sienna?

— E o mensageiro que busca as entregas. Ele trabalha pra sua equipe, não pra mim.

Aries ficou em silêncio por um segundo, algo duro cruzando a expressão.

— Killian, quem é o mensageiro designado pra retirada de hoje?

Um silêncio longo demais veio do outro lado do rádio.

— Chefe… foi o Marcus.

O nome pareceu atingir Aries fisicamente.

— Marcus trabalha comigo há doze anos.

— Eu sei, chefe.

Mais tiros, mais perto dessa vez. Aries puxou uma arma de dentro do colete com um movimento tão natural que quase assustou mais do que os disparos.

— Precisamos sair daqui. Agora.

— Como? Os elevadores estão travados.

— Tem uma passagem atrás da estante da biblioteca. Poucos sabem que existe.

Ele a puxou pela mão — a mesma mão que segundos atrás tremia segurando o porta-terno envenenado — e correram agachados pelo corredor, o som de vidro quebrado e gritos distantes ecoando atrás deles.

A biblioteca era silenciosa, absurdamente calma comparada ao caos do resto do penthouse. Aries pressionou um livro específico na terceira prateleira, e uma seção inteira da parede deslizou, revelando uma escada estreita de concreto.

— Desce. Rápido.

— E você?

— Vou logo atrás. Preciso garantir que ninguém nos siga.

— Aries, não.

— Sienna. Desce.

Havia algo na voz dele — não ordem, mas medo genuíno — que a fez obedecer sem discutir mais.

A escada terminava num corredor de serviço, cheirando a concreto úmido e metal, iluminado por luzes fracas de emergência. Aries a alcançou minutos depois, um corte pequeno na têmpora sangrando devagar.

— Você está ferido.

— É superficial.

— Deixa eu ver.

— Sienna, não temos tempo.

— Então caminha e me deixa olhar ao mesmo tempo.

Ele bufou, quase um riso, apesar de tudo, e permitiu que ela examinasse o ferimento enquanto avançavam pelo corredor.

— Pra onde estamos indo? — perguntou ela.

— Pra um apartamento seguro que só eu e Killian conhecemos. Ninguém mais.

— Nem Marcus?

— Especialmente não Marcus.

Chegaram a um carro blindado esperando numa garagem subterrânea vazia, Killian já no volante, o rosto tenso de preocupação.

— Chefe, os atacantes recuaram quando perceberam que vocês tinham sumido. Mas isso não foi improviso. Alguém sabia exatamente onde vocês estariam.

— Alguém de dentro — disse Aries, entrando no carro e puxando Sienna pra dentro logo atrás.

O trajeto até o apartamento seguro aconteceu em silêncio tenso, Sienna ainda vestindo a camisa dele, agora manchada de poeira e pequenos respingos do sangue do corte na têmpora dele.

— Por que você arriscou sua vida pra me avisar sobre a camisa? — perguntou Aries, de repente, olhando pra ela no banco de trás escuro do carro. — Você podia ter simplesmente entregado a peça e fingido que não tinha notado nada.

— Eu não sou esse tipo de pessoa.

— A maioria seria. Principalmente depois de como você foi tratada hoje de manhã.

Sienna o encarou, surpresa.

— Como você sabe disso?

— Killian me mantém informado sobre tudo que acontece com as pessoas que trabalham comigo. Incluindo comentários cruéis de socialites entediadas.

— Isso não muda nada sobre por que eu vim aqui.

— Muda, sim. Prova que você tem um código, mesmo quando o mundo te trata mal. Isso é raro, Sienna. Mais raro do que você imagina.

Ela sentiu o rosto esquentar de novo, dessa vez não de vergonha, mas de algo mais complicado de nomear.

— Precisamos descobrir quem colocou o Marcus pra fazer isso — disse ela, mudando de assunto antes que o momento ficasse pesado demais pra suportar.

— Precisamos. E eu tenho um pressentimento muito específico de por onde começar.

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