Chapter 4
O plano de Aries era simples na teoria e perigoso na prática: confrontar Reginald diretamente, numa reunião de família marcada às pressas, enquanto Killian preparava reforços discretos posicionados ao redor da propriedade.
— Isso é arriscado demais — argumentou Sienna, ajudando Killian a revisar os últimos documentos antes da reunião. — Se seu tio perceber que você já sabe, ele pode agir de forma imprevisível.
— É exatamente por isso que preciso fazer isso pessoalmente. Reginald sempre subestimou minha capacidade de agir sem mostrar as cartas primeiro.
— E se ele tiver mais gente como Marcus posicionada?
— Killian já verificou a segurança da propriedade dele. Sabemos exatamente quantos homens estão lá, e onde.
Sienna sentiu um nó no estômago que não tinha nada a ver com o veneno ou com os tiros da noite anterior.
— Eu quero ir com você.
— Não.
— Aries.
— Sienna, isso não é negociável dessa vez. Reginald é perigoso, imprevisível quando encurralado, e eu não vou arriscar você numa sala com ele.
— Eu já estou envolvida nisso desde que encontrei aquele veneno na costura da sua camisa.
— E é exatamente por isso que você precisa ficar segura agora. Se algo acontecer comigo, alguém precisa sobreviver pra garantir que a verdade sobre Reginald venha à tona.
Aquilo a atingiu com um peso inesperado.
— Não fala assim, como se você já estivesse se despedindo.
— Estou sendo realista, Sienna. Confrontos como esse nem sempre terminam do jeito planejado.
Ela segurou o rosto dele com as duas mãos, um gesto que a surpreendeu tanto quanto pareceu surpreender ele.
— Então promete que vai voltar.
— Eu não posso prometer isso com certeza absoluta.
— Promete mesmo assim.
Aries a encarou por um longo momento, algo suave cruzando os olhos prateados normalmente tão controlados.
— Eu prometo tentar, com tudo que tenho, voltar pra você.
O beijo veio antes que qualquer um dos dois pudesse pensar racionalmente sobre o momento errado que era pra isso acontecer — rápido, urgente, carregando todo o medo e a tensão acumulados desde a explosão da noite anterior.
— Isso não pode ser uma despedida — sussurrou Sienna, contra os lábios dele.
— Não é. É uma promessa.
Ele saiu vinte minutos depois, acompanhado por Killian e três homens de confiança absoluta, deixando Sienna sozinha no apartamento seguro com instruções estritas de não sair sob nenhuma circunstância.
As horas seguintes foram as mais longas da vida dela.
Sienna tentou se distrair organizando remotamente pedidos do ateliê através do celular protegido que Killian tinha deixado, mas cada minuto de silêncio parecia esticar mais os nervos já em frangalhos.
Foi quase às onze da noite que o telefone finalmente vibrou, um número desconhecido.
— Alô?
— Sienna Brooks?
A voz era estranha, formal, definitivamente não de Aries nem de Killian.
— Quem é?
— Reginald Thorne. Acredito que você e eu precisamos conversar sobre o futuro do meu sobrinho.
O sangue gelou nas veias dela.
— Como você conseguiu esse número?
— Eu tenho recursos que você nem imagina, senhorita Brooks. Assim como tenho Aries, sentado bem aqui na minha frente, vivo, mas talvez não por muito tempo, dependendo de como essa conversa se desenrolar.
— O que você quer?
— Quero que você entregue as provas que Killian reuniu contra mim. Todas elas. Em troca, deixo Aries respirar mais um pouco.
— Você está blefando.
— Estou? Pergunte a ele mesmo.
Um som de luta veio do outro lado da linha, seguido pela voz de Aries, tensa mas surpreendentemente controlada.
— Sienna, não faz isso. Não importa o que ele…
A ligação foi cortada abruptamente.
O coração dela martelava tão forte que doía.
