Aries Thorne me perguntou por que eu estava no penthouse dele usando nada além da própria camisa social branca.

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Chapter 5

Parte 2


O estrondo veio antes da dor.

Aries se moveu mais rápido do que qualquer homem daquele tamanho deveria conseguir, jogando o próprio corpo sobre Sienna no exato instante em que os cacos de vidro varreram a sala de apoio feito uma tempestade de lâminas.

— Fica no chão — rosnou ele, no ouvido dela, a voz baixa mesmo em meio ao caos.

Alarmes começaram a disparar por todo o penthouse, luzes vermelhas piscando ritmicamente contra o mármore escuro.

— Killian! — gritou Aries, erguendo-se o suficiente pra puxar Sienna pra trás de um sofá de couro grosso.

— Chefe, temos hostis no vigésimo oitavo andar. Elevadores travados, escada de emergência sendo monitorada.

— Quantos?

— Pelo menos seis, armados. Parece profissional.

Aries olhou pra Sienna, ainda vestindo a camisa branca dele, o rosto pálido de choque mas os olhos surpreendentemente firmes.

— Você está ferida?

— Não. Só… assustada.

— Fica assustada depois. Agora eu preciso que você me diga tudo sobre essa camisa envenenada, rápido.

Sienna respirou fundo, tentando organizar os pensamentos em meio ao som de tiros distantes ecoando pelo corredor.

— Alguém tratou a gola e os punhos com uma toxina de absorção lenta. Precisa de contato repetido, de calor, de suor. Foi planejado pra parecer falha cardíaca natural, não assassinato.

— Quem teve acesso à peça antes de você entregar?

— Só meu ateliê. Eu, meu assistente, e…

Ela parou, o rosto perdendo mais cor ainda.

— E quem, Sienna?

— E o mensageiro que busca as entregas. Ele trabalha pra sua equipe, não pra mim.

Aries ficou em silêncio por um segundo, algo duro cruzando a expressão.

— Killian, quem é o mensageiro designado pra retirada de hoje?

Um silêncio longo demais veio do outro lado do rádio.

— Chefe… foi o Marcus.

O nome pareceu atingir Aries fisicamente.

— Marcus trabalha comigo há doze anos.

— Eu sei, chefe.

Mais tiros, mais perto dessa vez. Aries puxou uma arma de dentro do colete com um movimento tão natural que quase assustou mais do que os disparos.

— Precisamos sair daqui. Agora.

— Como? Os elevadores estão travados.

— Tem uma passagem atrás da estante da biblioteca. Poucos sabem que existe.

Ele a puxou pela mão — a mesma mão que segundos atrás tremia segurando o porta-terno envenenado — e correram agachados pelo corredor, o som de vidro quebrado e gritos distantes ecoando atrás deles.

A biblioteca era silenciosa, absurdamente calma comparada ao caos do resto do penthouse. Aries pressionou um livro específico na terceira prateleira, e uma seção inteira da parede deslizou, revelando uma escada estreita de concreto.

— Desce. Rápido.

— E você?

— Vou logo atrás. Preciso garantir que ninguém nos siga.

— Aries, não.

— Sienna. Desce.

Havia algo na voz dele — não ordem, mas medo genuíno — que a fez obedecer sem discutir mais.

A escada terminava num corredor de serviço, cheirando a concreto úmido e metal, iluminado por luzes fracas de emergência. Aries a alcançou minutos depois, um corte pequeno na têmpora sangrando devagar.

— Você está ferido.

— É superficial.

— Deixa eu ver.

— Sienna, não temos tempo.

— Então caminha e me deixa olhar ao mesmo tempo.

Ele bufou, quase um riso, apesar de tudo, e permitiu que ela examinasse o ferimento enquanto avançavam pelo corredor.

— Pra onde estamos indo? — perguntou ela.

— Pra um apartamento seguro que só eu e Killian conhecemos. Ninguém mais.

— Nem Marcus?

— Especialmente não Marcus.

Chegaram a um carro blindado esperando numa garagem subterrânea vazia, Killian já no volante, o rosto tenso de preocupação.

— Chefe, os atacantes recuaram quando perceberam que vocês tinham sumido. Mas isso não foi improviso. Alguém sabia exatamente onde vocês estariam.

— Alguém de dentro — disse Aries, entrando no carro e puxando Sienna pra dentro logo atrás.

O trajeto até o apartamento seguro aconteceu em silêncio tenso, Sienna ainda vestindo a camisa dele, agora manchada de poeira e pequenos respingos do sangue do corte na têmpora dele.

— Por que você arriscou sua vida pra me avisar sobre a camisa? — perguntou Aries, de repente, olhando pra ela no banco de trás escuro do carro. — Você podia ter simplesmente entregado a peça e fingido que não tinha notado nada.

— Eu não sou esse tipo de pessoa.

— A maioria seria. Principalmente depois de como você foi tratada hoje de manhã.

Sienna o encarou, surpresa.

— Como você sabe disso?

— Killian me mantém informado sobre tudo que acontece com as pessoas que trabalham comigo. Incluindo comentários cruéis de socialites entediadas.

— Isso não muda nada sobre por que eu vim aqui.

— Muda, sim. Prova que você tem um código, mesmo quando o mundo te trata mal. Isso é raro, Sienna. Mais raro do que você imagina.

Ela sentiu o rosto esquentar de novo, dessa vez não de vergonha, mas de algo mais complicado de nomear.

— Precisamos descobrir quem colocou o Marcus pra fazer isso — disse ela, mudando de assunto antes que o momento ficasse pesado demais pra suportar.

— Precisamos. E eu tenho um pressentimento muito específico de por onde começar.


Parte 3


O apartamento seguro ficava num prédio anônimo no Brooklyn, sem placa, sem porteiro visível, protegido por câmeras escondidas e um sistema de segurança que Killian verificou pessoalmente antes de permitir a entrada de qualquer um.

— Marcus não age sozinho — disse Aries, andando de um lado pro outro na sala minimalista enquanto Killian organizava equipamentos de comunicação numa mesa de vidro. — Ele é leal demais, ou era, pra bancar isso sem alguém puxando as cordas.

— Quem se beneficiaria da sua morte? — perguntou Sienna, sentada no sofá, ainda vestindo roupas emprestadas que Killian tinha providenciado às pressas.

— Muita gente, infelizmente. Mas poucos teriam acesso íntimo o suficiente pra chegar até roupas que só passam pelo seu ateliê.

— Isso restringe bastante a lista.

— Restringe pra praticamente uma pessoa.

Killian ergueu os olhos da tela, o rosto tenso.

— Chefe, você está pensando no seu tio.

— Reginald sempre achou que deveria ter herdado o controle das operações depois que meu pai morreu. Ele nunca escondeu o ressentimento muito bem.

— Mas ele não teria acesso ao ateliê da senhorita Brooks — argumentou Killian.

— Não diretamente. Mas ele conhece Marcus há mais tempo que eu. Foi Reginald quem recomendou Marcus pra minha equipe de segurança, doze anos atrás.

Sienna sentiu um arrepio.

— Então seu próprio tio pode ter colocado alguém de confiança dentro da sua segurança, esperando o momento certo?

— É exatamente o tipo de paciência calculada que Reginald sempre teve.

Killian digitou algo rapidamente no teclado, puxando registros financeiros na tela grande da sala.

— Chefe, encontrei transferências irregulares saindo de uma conta shell pra Marcus, nos últimos seis meses. Valores pequenos o suficiente pra não levantar suspeita imediata, mas consistentes.

— Consegue rastrear a origem?

— Estou tentando. A conta está bem escondida, mas nada é impossível com tempo suficiente.

Aries se aproximou da janela, olhando pra luzes distantes de Manhattan refletidas no rio.

— Precisamos de mais do que suspeita, Killian. Precisamos de provas concretas antes de qualquer confronto.

— E enquanto isso, senhorita Brooks fica em risco também — completou Killian. — Se descobrirem que ela identificou o veneno, ela vira alvo direto.

Sienna sentiu o estômago apertar.

— O que isso significa pra mim?

Aries se virou, os olhos sérios.

— Significa que você fica aqui, protegida, até resolvermos isso.

— Eu tenho um ateliê pra administrar, Aries. Funcionários, clientes, contas pra pagar.

— E eu tenho recursos suficientes pra garantir que nada disso sofra enquanto você está segura. Killian vai coordenar tudo discretamente.

— Isso é… muito. Você mal me conhece.

— Eu conheço o suficiente pra saber que você arriscou a própria vida pra me avisar sobre um veneno que poderia ter te colocado na cadeia se as coisas tivessem dado errado. Isso me diz mais sobre seu caráter do que qualquer conversa formal conseguiria.

O silêncio que se seguiu carregava um peso diferente do medo de horas atrás.

— Posso te perguntar uma coisa? — disse Sienna, finalmente.

— Pode.

— Por que “O Silêncio”? O apelido, quero dizer.

Aries hesitou, um raro momento de vulnerabilidade cruzando a expressão sempre controlada.

— Minha mãe morreu quando eu tinha sete anos. Depois disso, meu pai me ensinou que emoção era fraqueza, que palavras desnecessárias davam vantagem aos inimigos. Aprendi a ficar quieto. Observar. Guardar tudo por dentro.

— Isso soa solitário.

— É solitário. Foi solitário a vida inteira, até essa noite, aparentemente.

— O que mudou essa noite?

— Uma mulher vestindo minha camisa apareceu carregando um porta-terno como se fosse uma bomba, mais preocupada em me avisar sobre veneno do que com a própria segurança.

Sienna sentiu o rosto esquentar de novo.

— Eu só estava fazendo o que era certo.

— A maioria das pessoas ao meu redor há anos parou de fazer o que era certo, Sienna. Fazem o que é conveniente, o que protege a própria pele, o que garante posição. Você não pareceu nem considerar essa opção.

— Talvez eu simplesmente não seja esperta o suficiente pra pensar em mim mesma primeiro.

— Ou talvez você seja o tipo de pessoa rara que esse mundo deveria proteger, em vez de explorar.

Killian pigarreou alto o suficiente pra quebrar o momento, os olhos fixos na tela.

— Desculpem interromper, mas encontrei algo. A conta shell está ligada a um escritório de advocacia que representa… Reginald Thorne diretamente.

O rosto de Aries endureceu instantaneamente.

— Prova concreta?

— Documentação de transferências, datada e assinada digitalmente. O suficiente pra levar a qualquer promotor, mas também o suficiente pra colocar seu tio em alerta se ele perceber que estamos perto.

— Então precisamos agir antes que ele perceba.


Parte 4


O plano de Aries era simples na teoria e perigoso na prática: confrontar Reginald diretamente, numa reunião de família marcada às pressas, enquanto Killian preparava reforços discretos posicionados ao redor da propriedade.

— Isso é arriscado demais — argumentou Sienna, ajudando Killian a revisar os últimos documentos antes da reunião. — Se seu tio perceber que você já sabe, ele pode agir de forma imprevisível.

— É exatamente por isso que preciso fazer isso pessoalmente. Reginald sempre subestimou minha capacidade de agir sem mostrar as cartas primeiro.

— E se ele tiver mais gente como Marcus posicionada?

— Killian já verificou a segurança da propriedade dele. Sabemos exatamente quantos homens estão lá, e onde.

Sienna sentiu um nó no estômago que não tinha nada a ver com o veneno ou com os tiros da noite anterior.

— Eu quero ir com você.

— Não.

— Aries.

— Sienna, isso não é negociável dessa vez. Reginald é perigoso, imprevisível quando encurralado, e eu não vou arriscar você numa sala com ele.

— Eu já estou envolvida nisso desde que encontrei aquele veneno na costura da sua camisa.

— E é exatamente por isso que você precisa ficar segura agora. Se algo acontecer comigo, alguém precisa sobreviver pra garantir que a verdade sobre Reginald venha à tona.

Aquilo a atingiu com um peso inesperado.

— Não fala assim, como se você já estivesse se despedindo.

— Estou sendo realista, Sienna. Confrontos como esse nem sempre terminam do jeito planejado.

Ela segurou o rosto dele com as duas mãos, um gesto que a surpreendeu tanto quanto pareceu surpreender ele.

— Então promete que vai voltar.

— Eu não posso prometer isso com certeza absoluta.

— Promete mesmo assim.

Aries a encarou por um longo momento, algo suave cruzando os olhos prateados normalmente tão controlados.

— Eu prometo tentar, com tudo que tenho, voltar pra você.

O beijo veio antes que qualquer um dos dois pudesse pensar racionalmente sobre o momento errado que era pra isso acontecer — rápido, urgente, carregando todo o medo e a tensão acumulados desde a explosão da noite anterior.

— Isso não pode ser uma despedida — sussurrou Sienna, contra os lábios dele.

— Não é. É uma promessa.

Ele saiu vinte minutos depois, acompanhado por Killian e três homens de confiança absoluta, deixando Sienna sozinha no apartamento seguro com instruções estritas de não sair sob nenhuma circunstância.

As horas seguintes foram as mais longas da vida dela.

Sienna tentou se distrair organizando remotamente pedidos do ateliê através do celular protegido que Killian tinha deixado, mas cada minuto de silêncio parecia esticar mais os nervos já em frangalhos.

Foi quase às onze da noite que o telefone finalmente vibrou, um número desconhecido.

— Alô?

— Sienna Brooks?

A voz era estranha, formal, definitivamente não de Aries nem de Killian.

— Quem é?

— Reginald Thorne. Acredito que você e eu precisamos conversar sobre o futuro do meu sobrinho.

O sangue gelou nas veias dela.

— Como você conseguiu esse número?

— Eu tenho recursos que você nem imagina, senhorita Brooks. Assim como tenho Aries, sentado bem aqui na minha frente, vivo, mas talvez não por muito tempo, dependendo de como essa conversa se desenrolar.

— O que você quer?

— Quero que você entregue as provas que Killian reuniu contra mim. Todas elas. Em troca, deixo Aries respirar mais um pouco.

— Você está blefando.

— Estou? Pergunte a ele mesmo.

Um som de luta veio do outro lado da linha, seguido pela voz de Aries, tensa mas surpreendentemente controlada.

— Sienna, não faz isso. Não importa o que ele…

A ligação foi cortada abruptamente.

O coração dela martelava tão forte que doía.


Parte 5


Sienna não hesitou nem por um segundo antes de ligar pra Killian, as mãos tremendo tanto que quase derrubou o celular.

— Killian, Reginald tem o Aries. Ele ligou, exigiu as provas em troca da vida dele.

Um silêncio tenso do outro lado.

— Isso confirma minha pior suspeita, senhorita Brooks. A reunião foi uma armadilha desde o início.

— Precisamos fazer alguma coisa.

— Já estou fazendo. Rastreando a localização da ligação agora.

Minutos que pareceram eternos se passaram até Killian voltar a falar, a voz carregada de urgência controlada.

— Localizei. Propriedade de campo de Reginald, a quarenta minutos daqui. Estou reunindo uma equipe agora.

— Eu vou com vocês.

— Senhorita Brooks, isso é extremamente perigoso.

— Aries está em perigo por minha causa, por ter me protegido em vez de simplesmente entregar aquela camisa envenenada e fingir não saber de nada. Eu vou.

Killian hesitou por um segundo antes de ceder, provavelmente reconhecendo na voz dela a mesma determinação inflexível que tinha visto em Aries incontáveis vezes.

— Tudo bem. Mas você fica exatamente onde eu mandar, sem exceções.

A propriedade de Reginald era isolada, cercada por árvores densas que escondiam qualquer movimento da estrada principal. Killian coordenou a aproximação com precisão militar, posicionando homens silenciosamente ao redor do perímetro enquanto Sienna esperava, tensa, dentro do carro blindado.

— Encontramos ele — sussurrou Killian pelo rádio, minutos depois. — Sala principal, com Reginald e dois seguranças. Aries está vivo, amarrado, mas consciente.

— Podemos entrar?

— Vamos entrar. Fica no carro, senhorita Brooks. Por favor.

Mas quando os primeiros disparos ecoaram pela propriedade momentos depois, Sienna descobriu que não conseguia simplesmente ficar esperando, o coração gritando mais alto que qualquer instrução recebida.

Ela correu em direção à casa, o frio da noite cortando através da roupa fina, chegando à porta lateral exatamente quando Killian e os homens dele dominavam os últimos guardas de Reginald.

A sala principal estava em caos controlado. Aries, ainda amarrado a uma cadeira, o rosto machucado mas os olhos ferozes, encarava o tio com um desprezo que anos de silêncio finalmente permitiam expressar.

— Sienna, eu disse pra ficar no carro — rosnou ele, ao vê-la entrar.

— Eu não sou boa em seguir ordens quando as pessoas que amo estão em perigo.

As palavras saíram antes que ela pudesse processar completamente o que tinha acabado de admitir em voz alta.

Reginald, encurralado num canto da sala, os seguranças já rendidos por Killian e sua equipe, soltou uma risada amarga.

— Que comovente. O grande Silêncio, vulnerável por causa de uma alfaiate gorda.

O comentário atingiu Sienna como um soco, mas foi Aries quem reagiu primeiro, a voz cortando o ar como uma lâmina apesar das cordas ainda ao redor dos pulsos.

— Você vai se dirigir a ela com respeito, Reginald. Mesmo agora, encurralado, cercado, prestes a passar o resto da vida na prisão pela tentativa de assassinato que planejou.

— Você não tem provas suficientes pra isso.

— Na verdade, temos — disse Killian, entrando na sala com um tablet na mão. — Transferências financeiras, gravações de áudio da sua confissão parcial na ligação de há pouco, e o testemunho de Marcus, que já decidiu cooperar em troca de uma sentença reduzida.

O rosto de Reginald perdeu toda a cor.

Sienna correu até Aries, desamarrando as cordas com dedos trêmulos enquanto Killian e os homens dele cuidavam de Reginald e dos seguardas restantes.

— Você está bem? — perguntou ela, examinando o corte no lábio dele.

— Estou melhor agora que você chegou, apesar de ter desobedecido diretamente minhas instruções.

— Eu prometi que você não precisava se despedir. Não ia deixar isso ser mentira.

Aries a puxou pra perto, ignorando a dor visível no próprio corpo, e a beijou com uma urgência que carregava semanas de tensão acumulada finalmente encontrando alívio.

Reginald foi levado sob custódia federal horas depois, junto com evidências suficientes pra garantir décadas de prisão. Marcus, cooperando integralmente com as autoridades, recebeu uma sentença reduzida em troca de testemunho completo contra o verdadeiro arquiteto de tudo.

Três meses depois, no ateliê Brooks Custom Tailoring, agora expandido e renomado depois que a história — parcialmente divulgada, o suficiente pra restaurar a reputação de Sienna sem comprometer segredos perigosos — se espalhou pela cidade, Aries apareceu sem aviso prévio, como tinha se tornado hábito nas últimas semanas.

— Vim buscar uma encomenda — disse ele, o sorriso raro suavizando a expressão sempre controlada.

— Que encomenda? Não tenho nada pronto pra você hoje.

Ele tirou do bolso uma pequena caixa de veludo.

— Essa, na verdade.

Sienna sentiu as pernas fraquejarem, o mesmo jeito que tinham fraquejado na primeira noite, vestindo a camisa branca dele em meio ao caos.

— Aries…

— Você entrou na minha vida vestindo minha própria camisa, carregando veneno nas mãos e coragem suficiente pra enfrentar qualquer perigo por fazer a coisa certa. Eu não pretendo deixar você ir embora agora que finalmente aprendi a não ter medo de fazer barulho pelas coisas que realmente importam.

Ela aceitou o anel entre lágrimas e risos, os funcionários do ateliê aplaudindo discretamente do fundo da loja, e pensou em como a vida às vezes escondia as maiores dádivas dentro dos momentos mais aterrorizantes — bastava coragem suficiente pra não recuar quando o perigo parecia grande demais pra enfrentar sozinha.

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