Chapter 2
Olhei pra mão estendida dele por um longo momento, cada instinto racional gritando pra eu simplesmente ir embora daquele casamento e nunca mais olhar pra trás.
Em vez disso, coloquei minha mão na dele.
— Só uma dança.
— Só uma dança — concordou ele, um leve sorriso cruzando o rosto sério.
Ele me guiou de volta pro salão, e senti dezenas de olhos se voltarem na nossa direção assim que atravessamos a porta.
Marcus foi o primeiro a notar.
Vi o queixo dele travar, os olhos estreitando enquanto seguiam cada passo meu ao lado daquele homem que ninguém conhecia.
— Você não me disse seu nome — falei, enquanto ele colocava uma mão na minha cintura e a orquestra começava uma valsa lenta.
— Alessandro Moretti.
O nome não significava nada pra mim, mas pelo jeito como um garçom quase deixou cair a bandeja ao passar perto de nós, percebi que significava muito pra praticamente todo mundo naquele salão.
— E o que exatamente você faz, senhor Moretti?
— Negócios internacionais. Investimentos, principalmente.
— Isso é o tipo de resposta que as pessoas dão quando não querem responder de verdade.
Ele riu, um som baixo e genuíno que pegou até ele de surpresa, pela expressão que cruzou seu rosto.
— Você é observadora.
— Sou enfermeira. Fico prestando atenção em detalhes que as pessoas preferem esconder.
— Isso explica muita coisa.
Dançamos em silêncio por um momento, e eu sentia o peso dos olhares ao nosso redor — minha mãe cochichando com uma tia, Natalie observando com uma expressão que eu não sabia interpretar, e Marcus parado imóvel perto do bar, o copo esquecido na mão.
— Por que você me convidou pra dançar? — perguntei, finalmente. — Você não me conhece.
— Eu vi o que aconteceu com a taça.
— Todo mundo viu.
— Vi também o jeito como ninguém se levantou pra te ajudar. E vi o jeito como você se levantou de qualquer forma, sozinha, com a cabeça erguida.
Aquilo me pegou desprevenida, um nó se formando na garganta que eu não esperava.
— Isso não é motivo suficiente pra convidar uma estranha pra dançar.
— Talvez eu só tenha ficado curioso sobre que tipo de mulher consegue manter tanta dignidade depois de ser humilhada na frente de duzentas pessoas.
A música terminou antes que eu conseguisse responder, e ele me conduziu pra fora da pista com uma leve pressão na parte baixa das minhas costas.
Foi então que Marcus decidiu se aproximar.
— Elena, posso falar com você?
— Estamos no meio de uma conversa, Marcus.
— É rápido.
Alessandro não se moveu, os olhos fixos em Marcus com uma calma que parecia, de alguma forma, mais ameaçadora do que qualquer confronto direto.
— A dama disse que vocês estão conversando — disse Alessandro, a voz suave, quase gentil, mas com um fio de aço por baixo. — Talvez você devesse esperar.
Marcus olhou pra ele, e algo no rosto do meu ex-marido mudou — um lampejo de reconhecimento, seguido rapidamente por algo parecido com medo.
— Você é o Moretti.
— Sou.
— Eu não sabia que você conhecia minha… que você conhecia a Elena.
— Agora conheço.
O silêncio que se seguiu foi tenso o suficiente pra sentir fisicamente.
Marcus recuou um passo, murmurou uma desculpa qualquer, e se afastou rápido demais pra ser apenas educação.
— Você conhece o Marcus? — perguntei, olhando pra Alessandro com uma nova onda de desconfiança.
— Conheço quem ele deve dinheiro.
Meu estômago se apertou.
— Do que você está falando?
Alessandro olhou pra mim por um longo momento, como se estivesse decidindo quanto contar.
— Seu ex-marido fez alguns investimentos muito ruins com pessoas muito perigosas, Elena. E, pelo visto, ainda não pagou o que deve.
— Isso não é da minha conta.
— Normalmente eu concordaria — disse ele, os olhos escuros ficando sérios. — Mas você tem uma filha com esse homem. E dívidas como essas, quando não são pagas, tendem a se tornar problema de todo mundo ao redor.
