Chapter 5
O celular quase caiu da minha mão.
— Quem é você? — consegui perguntar, a voz tremendo.
A ligação já tinha caído.
Alessandro percebeu meu rosto imediatamente, tirando o celular da minha mão antes que eu conseguisse processar direito o que tinha acabado de acontecer.
— O que foi dito?
— Alguém… alguém sabe sobre a Mia. Disseram que seria uma pena se algo acontecesse com ela.
O rosto de Alessandro ficou completamente imóvel, uma frieza tomando conta de seus olhos que eu nunca tinha visto antes, nem na noite do casamento.
— Preciso que você vá buscar sua filha agora mesmo.
— Ela está na creche, deve estar segura…
— Elena, agora.
Ele já estava de pé, jogando dinheiro sobre a mesa, o celular colado no ouvido enquanto discava um número em italiano rápido demais pra eu acompanhar.
Corremos os dois pro carro dele, e o trajeto até a creche pareceu durar uma eternidade, cada semáforo vermelho um tormento a mais.
Quando chegamos, tudo parecia normal — crianças brincando no pátio, professoras supervisionando, nada fora do lugar.
Mia correu até mim assim que me viu, o rosto se iluminando.
— Mamãe!
Abracei ela com uma força que provavelmente a assustou, lágrimas de alívio escorrendo antes que eu conseguisse controlar.
— Vamos pra casa, amor.
— Quem é esse, mamãe? — perguntou ela, olhando curiosa pra Alessandro, que tinha se agachado na altura dela com uma gentileza surpreendente pra um homem que, minutos antes, parecia capaz de qualquer coisa.
— Sou amigo da sua mãe — disse ele, com um sorriso genuíno. — E acho que você é a garotinha mais corajosa que eu já conheci.
Mia sorriu, tímida, e por um segundo, mesmo em meio ao terror que ainda martelava no meu peito, aquele momento pareceu quase normal.
Naquela noite, Alessandro insistiu em colocar segurança discreta em volta da minha casa, homens que eu nunca via, mas que ele jurou estarem sempre por perto.
— Isso não pode continuar assim pra sempre — falei, depois de colocar Mia pra dormir, sentada na minha própria varanda apertada com ele ao lado. — Eu não posso viver com medo de cada ligação desconhecida.
— Eu sei. Por isso amanhã de manhã eu vou resolver isso de vez.
— Como assim?
— Vou encontrar pessoalmente os homens que Marcus deve. Vou pagar a dívida inteira, e vou deixar absolutamente claro que qualquer ameaça futura contra você ou sua filha será tratada como uma ameaça direta contra mim.
— Isso é perigoso demais.
— Elena, eu já disse. Esse é o meu mundo. Eu sei navegar nele melhor do que qualquer pessoa que você conhece.
Fiquei olhando pra ele, o coração pesado de medo e de uma gratidão que eu mal sabia como expressar.
— E se algo der errado?
Ele segurou minha mão, o gesto surpreendentemente delicado pra um homem com tanto poder acumulado nos ombros.
— Então pelo menos vai ter sido por algo que valeu a pena.
Na manhã seguinte, ele foi embora antes do sol nascer, prometendo ligar assim que tudo estivesse resolvido.
As horas se arrastaram enquanto eu trabalhava meu turno no hospital, distraída, o celular no bolso o tempo todo, esperando qualquer notícia.
Por volta das quatro da tarde, finalmente veio a mensagem que eu tinha esperado o dia inteiro.
“Está resolvido. A dívida do Marcus foi quitada. Deixei claro que você e a Mia estão sob minha proteção agora, e ninguém vai testar isso duas vezes. Posso te ver hoje à noite?”
Li a mensagem três vezes, o alívio inundando cada célula do meu corpo, seguido de perto por outra sensação que eu não sentia havia muito tempo.
Esperança.
