Chapter 3
As palavras dele ficaram suspensas no ar entre nós, pesadas o suficiente pra apagar qualquer resquício de leveza que a dança tinha trazido.
— Que tipo de dívida? — perguntei, a voz mais tensa do que eu gostaria.
— O tipo que envolve pessoas que não aceitam desculpas nem promessas de pagamento futuro.
— Marcus é irresponsável, mas ele não é burro o suficiente pra se meter com gente perigosa.
Alessandro me olhou com uma pena que doeu mais do que qualquer confirmação direta.
— Elena, ele deve mais de duzentos mil dólares a um grupo que eu conheço muito bem. E, até essa noite, eu não sabia que ele tinha uma filha, ou uma ex-mulher que ainda aparece na vida dele o suficiente pra ser vista com ele em eventos como este.
Meu sangue gelou.
— Mia.
— Se as pessoas certas descobrirem que existe uma criança na vida dele, ela pode se tornar uma forma de pressão. É assim que esse mundo funciona, infelizmente.
Senti o chão balançar sob meus pés.
— Eu preciso ir pra casa. Preciso ver minha filha agora.
— Ela está segura por enquanto — disse Alessandro, a voz suavizando. — A dívida do Marcus é recente. Ninguém agiu ainda. Mas eu queria que você soubesse, antes que fosse tarde demais pra se preparar.
— Por que você está me contando isso? Você nem me conhece.
Ele hesitou, algo genuíno cruzando a expressão calculista que ele tinha mantido a noite inteira.
— Porque eu tenho uma sobrinha da idade da sua filha, e eu sei o tipo de mundo que existe por trás das pessoas que emprestam dinheiro sem fazer perguntas.
Fiquei em silêncio por um longo momento, tentando processar tudo aquilo — o casamento, a humilhação, a dança, e agora essa ameaça invisível pairando sobre a vida da minha filha.
— O que você quer de mim, senhor Moretti?
— Nada, por enquanto.
— Ninguém faz nada por nada nesse mundo que você descreveu.
Um sorriso pequeno, quase triste, cruzou o rosto dele.
— Você é perceptiva.
— Eu sou mãe. Aprendi a farejar perigo rápido.
Ele tirou um cartão do bolso interno do paletó, diferente do que Sophia Avery tinha me dado, mais simples, só um número escrito à mão.
— Se alguma coisa acontecer, qualquer coisa, você me liga. Prometo que posso ajudar a proteger sua filha, independente do que aconteça com Marcus.
— E o que você ganha com isso?
— Talvez nada. Talvez a satisfação de ver que ainda existem pessoas nesse mundo que merecem ser protegidas sem precisar pagar por isso.
Peguei o cartão com mãos trêmulas, guardando na bolsa ao lado do cartão de Sophia.
Naquela noite, dirigi pra casa em silêncio, o coração ainda acelerado, revisando cada palavra que Alessandro tinha dito.
A babá foi embora logo depois que cheguei, garantindo que Mia tinha dormido tranquila a noite inteira, sem nenhum problema.
Fiquei parada na porta do quarto dela por um longo tempo, observando o peito pequeno subindo e descendo, o elefante de pelúcia apertado contra o peito, e pensei em tudo que Alessandro tinha dito sobre pessoas perigosas e dívidas não pagas.
Na manhã seguinte, liguei pra Marcus.
Ele demorou quatro toques pra atender, a voz carregada de ressaca.
— O que foi, Elena? São sete da manhã.
— Você deve dinheiro pra gente perigosa?
O silêncio do outro lado da linha durou tempo demais pra ser inocente.
— Quem te contou isso?
— Isso é verdade ou não, Marcus?
— Não é da sua conta.
— É da minha conta quando envolve a segurança da nossa filha!
Ele suspirou, um som cansado, derrotado.
— Eu ia resolver isso, Elena. Eu só precisava de mais tempo.
— Quanto tempo você tem antes que essas pessoas percam a paciência?
Outro silêncio, mais longo ainda.
— Eu não sei — admitiu ele, finalmente, a voz quebrando de um jeito que eu nunca tinha ouvido antes. — Eu realmente não sei.
