Chapter 4
Encontramos meu pai no mesmo escritório onde, dois dias antes, ele tinha destruído completamente minha vida com uma única palavra.
Ele empalideceu assim que nos viu entrar juntos, o jornal que segurava caindo sobre a mesa.
— Vivian. Niko. Não esperava vocês aqui.
— Achei que não — falei, a voz mais fria do que eu jamais tinha usado com ele. — É mais fácil esconder a verdade quando ninguém aparece pra te confrontar cara a cara.
— Do que você está falando?
— Três milhões de dólares, pai. Fundos que você desviou de um investimento do pai do Niko.
O rosto dele desmoronou completamente, qualquer resquício de compostura política evaporando na hora.
— Quem contou isso a vocês?
— Isso importa? — perguntou Niko, a voz cortante. — É verdade ou não é?
Meu pai se afundou na cadeira atrás da mesa, as mãos tremendo visivelmente.
— Eu ia devolver o dinheiro.
— Com o quê? — perguntei, incrédula. — Você já tinha gastado tudo.
— Eu tive despesas de campanha que ninguém previu, dívidas que se acumularam mais rápido do que eu conseguia controlar. Eu não tinha escolha.
— Você sempre tem escolha, pai. Você escolheu me entregar como pagamento em vez de simplesmente admitir o erro.
— Admitir o erro teria significado prisão, Vivian! Teria significado o fim de tudo que construí, tudo que você e sua mãe…
— Minha mãe morreu há cinco anos — cortei, a raiva finalmente explodindo. — Não use ela pra justificar isso.
Niko ficou em silêncio ao meu lado, deixando o confronto acontecer, mas sua presença sólida me dava uma força que eu não sabia que precisava até aquele momento.
— Você achava mesmo que eu nunca ia descobrir? — perguntei, a voz quebrando apesar dos meus esforços pra mantê-la firme.
— Eu esperava que, com o tempo, isso deixasse de importar. Que você e Niko construíssem uma vida juntos, e que o passado ficasse exatamente onde deveria ficar: no passado.
— Você me vendeu como se eu fosse propriedade, e esperava que eu simplesmente esquecesse isso?
Meu pai olhou pra Niko, um lampejo de cálculo cruzando seus olhos mesmo em meio ao desespero.
— Niko, filho, eu sei que isso parece terrível, mas o resultado final não é ruim, é? Você tem uma esposa jovem, inteligente, de uma família politicamente conectada…
— Não me chame de filho — interrompeu Niko, a voz baixa mas carregada de uma frieza que fez até eu recuar um passo. — E não fale da sua filha como se ela fosse uma mercadoria com bons atributos de revenda.
Meu pai calou-se imediatamente.
— Existe mais alguma coisa que eu deveria saber? — perguntei. — Alguma outra dívida, algum outro segredo que vai explodir na minha cara mais tarde?
Ele hesitou por um segundo longo demais.
— Pai.
— Existe uma pessoa que sabe sobre o desvio além da família Santoro — admitiu ele, finalmente, a voz quase inaudível. — Um investigador federal que estava de olho nas minhas contas antes mesmo de eu fechar o acordo com os Santoro.
Niko ficou rígido ao meu lado.
— Quem?
— Um agente chamado Reyes. Ele estava construindo um caso contra mim há meses. Achei que o casamento resolveria o problema com os Santoro, mas não previ que ele continuaria investigando de qualquer forma.
— Então esse agente ainda está atrás de você — falei, o pavor se instalando devagar. — E, por extensão, atrás de qualquer pessoa conectada a você agora.
— Incluindo minha esposa — completou Niko, a mandíbula travada.
Meu pai baixou a cabeça, incapaz de olhar pra nenhum dos dois.
— Eu não sabia que isso ia se complicar tanto.
— Você nunca sabe as consequências de nada até que seja tarde demais pra consertar — falei, virando pra sair.
Niko me seguiu, mas parou na porta, olhando pra trás uma última vez pro meu pai.
— Se esse agente Reyes aparecer perto da minha esposa por causa dos seus erros, Arthur, você vai desejar que os Santoro tivessem sido a sua única preocupação nessa vida.
