Dois dias antes do meu casamento, meu pai me informou que eu estava sendo entregue a uma das famílias do crime mais temidas de Nova York — e recusar custaria tudo o que eu tinha.

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Chapter 3

Na manhã seguinte, encontrei Niko na cozinha da cobertura, já vestido, um café na mão, olhando pela janela imensa que dava pra Central Park.

— Dormiu bem? — perguntou ele, sem se virar.

— Tão bem quanto se pode dormir na primeira noite de um casamento forçado.

Ele quase sorriu, um movimento pequeno no canto da boca.

— Justo.

Sentei numa das banquetas altas do balcão da cozinha, aceitando o café que um dos empregados silenciosos colocou na minha frente.

— Você disse ontem que queria saber sobre meu pai.

— Ainda quero.

— Eu também quero saber. A verdade é que eu não faço ideia do que ele estava tão desesperado pra esconder.

Niko finalmente se virou, os olhos sérios.

— Meu pai não me contou os detalhes completos do acordo também. Só que Arthur Shaw veio até ele pessoalmente, há duas semanas, implorando por proteção em troca de qualquer coisa que fosse necessária.

— Proteção contra o quê?

— Essa é a pergunta certa.

Ele se sentou na banqueta ao meu lado, mais perto do que eu esperava.

— Vou fazer algumas ligações hoje. Vou descobrir exatamente o que seu pai deve, ou o que ele fez, pra chegar a esse ponto.

— Por que você se importaria em descobrir isso? Você já tem o que queria, não tem? O acordo está selado.

Algo duro cruzou o rosto dele por um instante.

— Eu não gosto de acordos baseados em meias-verdades, Vivian. E gosto ainda menos quando descubro que fui manipulado sem saber de toda a extensão do problema.

Naquela tarde, enquanto Niko fazia suas ligações em algum escritório trancado da cobertura, decidi ligar pra Stella.

Ela atendeu no primeiro toque, a voz tensa de preocupação.

— Vivian, graças a Deus. Você está bem? Ele te machucou?

— Não, Stella. Estranhamente, não.

Contei pra ela, em voz baixa, sobre a conversa da noite anterior, sobre a reação inesperada de Niko, sobre a promessa dele de não me tocar até que fosse algo que eu realmente quisesse.

— Isso é… surpreendentemente decente, pra um Santoro — disse ela, incrédula.

— Eu sei.

— Vivian, tem uma coisa que eu preciso te contar. Fiquei pensando desde ontem, tentando lembrar de alguma coisa que pudesse explicar tudo isso.

— O quê?

— Lembra do escândalo de dois anos atrás, sobre aquele fundo de campanha do seu pai que desapareceu?

Meu estômago se apertou.

— Vagamente. Ele disse que foi um erro contábil.

— E se não foi um erro? E se ele usou dinheiro que não era dele pra cobrir as próprias dívidas, e esse dinheiro veio de algum lugar que ele não devia ter mexido?

A ideia começou a se formar na minha cabeça como um quebra-cabeça sombrio.

— Você acha que ele roubou dinheiro dos Santoro?

— Eu não sei, Vivian. Mas seria motivo suficiente pra alguém como o pai da Niko exigir um pagamento que não fosse só em dinheiro.

Desliguei o telefone com as mãos tremendo, e foi nesse momento que Niko entrou na sala, o rosto sombrio o suficiente pra confirmar cada suspeita que tinha acabado de nascer em mim.

— Descobri alguma coisa — disse ele, a voz tensa.

— O quê?

— Seu pai desviou quase três milhões de dólares de um investimento que meu pai fez através de uma empresa de fachada, há dois anos. Quando meu pai descobriu, seu pai tinha duas opções: devolver o dinheiro que já não existia mais, ou oferecer algo de valor equivalente.

O sangue gelou nas minhas veias.

— E ele me ofereceu.

Niko assentiu devagar, algo parecido com pena cruzando sua expressão.

— Ele te vendeu, Vivian, pra cobrir os próprios erros.

Senti o chão desabar sob meus pés, a raiva e a traição se misturando de um jeito que eu nunca tinha sentido antes na vida.

— Eu preciso falar com ele.

— Vivian…

— Preciso, Niko. Preciso ouvir isso da boca dele.

Ele hesitou, então assentiu, pegando as chaves do carro.

— Então eu vou com você.

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