Chapter 4
Ficamos ambos parados, observando através da fresta da cortina, o carro escuro parado do outro lado da rua parecendo cada vez mais ameaçador a cada minuto que passava sem se mover.
— Precisamos sair daqui — Dominic disse, já se afastando da janela, a mão pressionando instintivamente o ferimento ainda sensível.
— Você mal consegue andar direito, Dominic. Para onde vamos?
— Qualquer lugar longe daqui.
Meu celular vibrou novamente, mas dessa vez não era minha colega de trabalho. Era um número desconhecido, uma mensagem de texto simples e gelada:
“Sabemos que ele está com você, Srta. Jenkins. Entregue-o, e você não vai se machucar.”
Meu sangue gelou. Mostrei o celular para Dominic, cujo rosto se fechou instantaneamente numa fúria controlada.
— Como eles descobriram meu nome? — sussurrei, o pânico tomando conta de mim completamente agora.
— Eles devem ter rastreado meus movimentos até esse bairro, e depois cruzado informação com quem trabalha no Massachusetts General perto do horário do meu desaparecimento.
— Isso é… isso é assustadoramente eficiente.
— Grimaldi tem recursos que a maioria das pessoas nem imagina.
Ele já estava se movendo, pegando o paletó rasgado que eu tinha deixado pendurado numa cadeira, verificando a arma que ainda carregava no coldre.
— Existe uma saída pelos fundos? — ele perguntou.
— Tem uma escada de incêndio que dá no beco atrás do prédio.
— Vamos por ali. Agora.
Peguei apenas o essencial: minha bolsa, o celular, as chaves, seguindo Dominic enquanto ele se movia com uma determinação que escondia parcialmente a dor evidente em cada passo.
Descemos a escada de incêndio o mais silenciosamente possível, o metal enferrujado rangendo sob nosso peso, cada som parecendo ecoar alto demais na noite silenciosa.
No beco, Dominic parou, escutando atentamente antes de gesticular para eu seguir em frente.
— Para onde vamos? — sussurrei.
— Tenho um lugar seguro a alguns quarteirões daqui. Se conseguirmos chegar sem sermos vistos.
Caminhamos rapidamente pelas ruas escuras, cada sombra parecendo esconder uma ameaça, cada carro parado nos fazendo prender a respiração até termos certeza de que estava vazio.
A cerca de dois quarteirões do meu apartamento, vozes e passos apressados ecoaram atrás de nós.
— Eles nos encontraram — Dominic murmurou, empurrando-me para dentro de uma entrada escura entre dois prédios.
Ficamos ali, colados na parede, a respiração contida, enquanto dois homens em ternos escuros passavam correndo pela rua, claramente procurando por nós.
Quando finalmente o silêncio voltou, Dominic soltou a respiração que parecia estar segurando.
— Isso foi por pouco — ele murmurou.
— Isso está acontecendo de verdade — falei, minha voz tremendo com a adrenalina ainda correndo forte. — Eu realmente estou fugindo de assassinos no meio da noite.
— Sinto muito por ter arrastado você para isso.
— Você não me arrastou para nada. Eu escolhi te ajudar naquele beco.
— E agora está pagando o preço dessa escolha.
Olhei para ele, para aquele rosto que, apesar do perigo evidente ao redor dele, ainda conseguia transmitir uma preocupação genuína com minha segurança acima da própria.
— Vamos continuar — falei, finalmente. — Quanto mais rápido chegarmos nesse lugar seguro, melhor.
Ele assentiu, e continuamos nosso caminho cauteloso pela cidade escura, cada esquina representando um novo risco, cada sombra um possível perigo escondido.
