ELA SALVOU UM HOMEM FERIDO NUM BECO ESCURO — DEPOIS DESCOBRIU QUE ELE ERA O CHEFÃO DA MÁFIA MAIS IMPIEDOSO DA CIDADE

Written by

in

Chapter 5

Chegamos ao lugar seguro pouco antes do amanhecer, um apartamento discreto num prédio sem identificação aparente, equipado com um sistema de segurança que Dominic desativou com um código memorizado.

— Aqui deveríamos estar seguros — ele disse, trancando a porta atrás de nós e verificando as janelas com cuidado.

Desabei numa cadeira, a exaustão física e emocional finalmente cobrando seu preço depois de horas de tensão constante.

— O que fazemos agora? — perguntei, a voz carregando um cansaço profundo.

Dominic se sentou à minha frente, o rosto sombrio.

— Agora, eu preciso terminar o que comecei. Grimaldi não vai parar até que um de nós esteja morto.

— Isso significa mais violência.

— Significa proteger minha vida, e agora a sua também, já que você se tornou um alvo por associação.

Aquela realidade, dita tão diretamente, trouxe um peso novo à situação já pesada.

— Eu nunca pedi para fazer parte disso.

— Eu sei. E sinto muito profundamente por isso.

Fiquei em silêncio, processando a magnitude de tudo que tinha mudado em questão de dias.

— Existe alguma forma de isso terminar sem mais mortes? — perguntei, finalmente.

— Nesse mundo, raramente.

— Isso não é resposta suficiente, Dominic.

Ele suspirou, esfregando o rosto com as mãos, o cansaço evidente por baixo da fachada controlada.

— Existe uma possibilidade. Se eu conseguir provas suficientes de que Grimaldi está operando fora dos acordos territoriais estabelecidos entre as famílias, posso levar isso ao conselho, e eles mesmos vão neutralizá-lo sem que eu precise sujar minhas próprias mãos ainda mais.

— E você tem essas provas?

— Tenho pistas. Preciso de mais tempo para confirmar.

— Então vamos conseguir esse tempo.

Ele me olhou, surpreso com minha disposição repentina de me envolver ainda mais naquela situação perigosa.

— Clara, você já fez mais do que suficiente. Não precisa se envolver além disso.

— Já estou envolvida, Dominic. Alguém mandou uma mensagem de ameaça para o meu celular. Prefiro ajudar a resolver isso do que ficar esperando passivamente que aconteça algo pior.

Nas horas seguintes, Dominic fez ligações cuidadosas, usando um celular descartável que tinha guardado no apartamento seguro, coordenando com aliados de confiança para reunir as provas que precisava contra Grimaldi.

Enquanto isso, preparei uma refeição simples com o que encontrei na pequena cozinha do apartamento, tentando manter alguma normalidade em meio ao caos.

— Você é surpreendente, sabia? — Dominic comentou, observando-me trabalhar na cozinha apertada.

— Por quê?

— A maioria das pessoas teria entrado em pânico completo diante de tudo isso. Você simplesmente se adapta e continua funcionando.

— Anos de trauma na emergência ensinam você a lidar com crise sem desmoronar. Isso não significa que eu não esteja apavorada por dentro.

— Mesmo apavorada, você continua aqui, ajudando.

— Talvez eu seja teimosa demais para desistir fácil.

Ele se aproximou, a distância entre nós diminuindo de um jeito que carregava uma tensão diferente daquela dos dias anteriores.

— Clara, eu preciso ser honesto sobre uma coisa.

— O quê?

— Mesmo depois que essa ameaça for neutralizada, eu não tenho certeza se consigo simplesmente desaparecer da sua vida como planejávamos originalmente.

Meu coração acelerou, reconhecendo o peso daquela confissão.

— Eu também não tenho certeza se quero que você desapareça — admiti, baixinho.

← Capítulo AnteriorPróximo Capítulo →

Lista de Capítulos