ELA SALVOU UM HOMEM FERIDO NUM BECO ESCURO — DEPOIS DESCOBRIU QUE ELE ERA O CHEFÃO DA MÁFIA MAIS IMPIEDOSO DA CIDADE

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Chapter 6

Três dias depois, Dominic finalmente reuniu as provas necessárias contra Grimaldi: registros financeiros, comunicações interceptadas, testemunhos de aliados dispostos a falar em troca de proteção.

— Está na hora — ele disse, na manhã em que finalmente levaria tudo ao conselho das famílias. — Preciso que você fique aqui, em segurança absoluta, até eu voltar.

— E se algo der errado?

— Não vai dar.

— Dominic, você não pode me garantir isso.

Ele se aproximou, segurando meu rosto entre as mãos grandes com um cuidado que contrastava completamente com a violência que eu sabia que ele era capaz de exercer.

— Eu prometo que vou voltar para você, Clara. De um jeito ou de outro, isso vai terminar hoje.

O dia se arrastou em uma ansiedade quase insuportável, cada minuto de silêncio pesando mais que o anterior, cada barulho na rua me fazendo correr até a janela com o coração disparado.

Perto do anoitecer, finalmente ouvi passos familiares na porta, seguidos pelo código de segurança sendo digitado corretamente.

Dominic entrou, o rosto carregando um misto de exaustão e alívio que respondeu minha pergunta antes mesmo de qualquer palavra ser dita.

— Está resolvido — ele disse, a voz carregada de um peso que finalmente parecia estar se dissolvendo. — O conselho confirmou as violações de Grimaldi. Ele foi removido permanentemente da posição dele.

— Isso significa que estamos seguros?

— Significa que a ameaça específica contra nós foi neutralizada, sim.

O alívio que me tomou foi tão intenso que as pernas quase cederam, e Dominic me segurou instintivamente, os braços envolvendo-me com uma proteção que já tinha se tornado familiar ao longo daqueles dias intensos.

— Obrigada — sussurrei contra o peito dele. — Por proteger a gente.

— Obrigado você — ele respondeu, a voz rouca de emoção contida. — Por me salvar naquele beco, quando tinha todo motivo para simplesmente continuar andando.

Fiquei ali, envolvida naquele abraço, sentindo o peso dos últimos dias finalmente começar a se dissolver no ar da noite.

Nas semanas seguintes, uma nova normalidade começou a se formar entre nós, diferente de tudo que eu já tinha experimentado antes.

Dominic insistiu em providenciar segurança discreta para minha rotina diária, embora a ameaça direta tivesse sido neutralizada, e gradualmente, sem que eu percebesse exatamente quando a mudança aconteceu, ele se tornou uma presença constante na minha vida, aparecendo depois dos meus plantões, trazendo café da manhã nos meus dias de folga, sentando pacientemente enquanto eu processava casos difíceis do hospital.

Numa noite tranquila, meses depois daquela primeira noite chuvosa no beco, encontrei-o na minha cozinha, agora completamente recuperado, preparando um jantar simples com uma habilidade que eu nunca teria imaginado de um homem com a reputação dele.

— Sabe — falei, observando-o cozinhar — quando te encontrei naquele beco, jamais imaginaria que acabaríamos aqui.

— Nem eu — ele admitiu, virando-se para me olhar. — Passei anos evitando qualquer tipo de conexão real, convencido de que era mais seguro para todos ao meu redor.

— E agora?

— Agora percebo que evitar conexão nunca foi sobre segurança. Era sobre medo.

Aproximei-me, envolvendo os braços ao redor dele por trás, sentindo a cicatriz ainda visível através da camisa fina que ele usava.

— Sem arrependimentos? — perguntei, a mesma pergunta que parecia definir tantas histórias de segunda chance.

— Nenhum — ele respondeu, virando-se para me encarar completamente. — Você salvou muito mais do que apenas minha vida naquela noite, Clara. Salvou a parte de mim que eu tinha certeza que estava perdida para sempre.

E ali, na simplicidade daquela cozinha onde tudo tinha começado com sangue e desespero, agora preenchida com o cheiro de comida caseira e a promessa tranquila de um futuro juntos, me peguei pensando: quantas vezes a pior noite da nossa vida esconde, sem que a gente perceba imediatamente, o encontro exato que estávamos destinados a ter?

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