Chapter 2
A dor foi tão forte que minhas pernas cederam.
Adrian me segurou antes que eu caísse, os braços fortes envolvendo meu corpo com uma urgência que eu nunca tinha visto nele.
— Lena! Lena, olhe para mim.
— O bebê… está vindo, Adrian.
— Agora? Tem certeza?
— Tenho certeza absoluta!
Ele não hesitou nem por um segundo.
— Henderson! — gritou, e a porta se abriu instantaneamente, o advogado ainda parado do lado de fora, claramente sem saber o que fazer com a cena que via. — Chame uma ambulância. Agora!
— Sim, senhor!
Adrian me ergueu no colo, como se meu peso não significasse nada para ele, e caminhou apressado pelo corredor, ignorando os olhares chocados de todo o andar executivo.
— Adrian, pode me colocar no chão, eu consigo andar…
— Não, você não consegue, e eu não vou arriscar.
Outra contração me atravessou, e eu apertei a gola do terno dele com força, um gemido escapando antes que eu pudesse contê-lo.
— Está tudo bem — disse ele, a voz tentando parecer calma, mas eu sentia o coração dele martelando através do peito onde minha mão estava apoiada. — Eu vou cuidar de você. Dos dois.
O elevador pareceu levar uma eternidade para descer.
— Por que você nunca me contou? — perguntou ele, baixinho, os olhos fixos à frente, evitando me encarar diretamente. — Oito meses, Lena. Você escondeu minha filha de mim por oito meses.
— Não é hora para essa conversa.
— Vai ser a única hora que eu talvez tenha, então eu preciso perguntar.
Encarei-o, a dor e o medo se misturando com uma raiva antiga que eu tinha guardado por meses.
— Eu não escondi ela de você, Adrian. Eu a protegi de você. Do seu mundo.
Ele empalideceu, algo em seu rosto se partindo.
— Do meu mundo?
O elevador chegou ao térreo antes que eu pudesse responder, e a ambulância já esperava na entrada, luzes vermelhas piscando contra o vidro da torre.
Os paramédicos assumiram rapidamente, colocando-me na maca, checando minha respiração, minha pressão, enquanto Adrian se recusava a soltar minha mão nem por um segundo.
— Eu vou com ela — disse ele, um tom que não admitia discussão.
— Senhor, só familiares…
— Sou o pai dessa criança.
As palavras saíram dele com uma certeza que me pegou de surpresa, considerando que ele ainda nem tinha ouvido minha resposta completa.
Durante o trajeto até o hospital, entre uma contração e outra, ele segurou minha mão com uma delicadeza que contrastava completamente com a reputação de homem implacável que eu sabia que ele carregava fora daquelas paredes.
— Lena, eu preciso saber. É minha filha?
Olhei para ele, exausta, assustada, mas finalmente pronta para parar de fugir.
— É sua filha, Adrian. Sempre foi.
Ele fechou os olhos por um instante, algo entre alívio e dor cruzando seu rosto.
— Então por que fugiu de mim?
— Porque, três semanas antes de eu ir embora, encontrei um homem parado do lado de fora do nosso apartamento, observando as janelas. E, na noite seguinte, recebi um envelope sem remetente com fotos minhas, tiradas sem eu perceber.
O rosto de Adrian se transformou, a preocupação dando lugar a algo mais sombrio.
— Por que você nunca me contou isso?
— Porque, no envelope, tinha um bilhete. Dizia que, se eu contasse a você, a pessoa que estava me vigiando teria certeza absoluta de que eu era importante o suficiente para ser usada contra você.
Adrian ficou em silêncio, o maxilar travado, os olhos brilhando com uma fúria contida.
— Então eu fugi para proteger nossa filha de um perigo que eu nem sabia até que ponto era real.
A ambulância freou bruscamente diante da entrada de emergência, e tudo ao meu redor virou uma correria de vozes, macas e portas se abrindo.
A última coisa que ouvi, antes de ser levada para a sala de parto, foi a voz de Adrian, baixa e determinada:
— Ninguém mais vai tocar em vocês duas. Eu prometo.
