Chapter 4
Passei a noite inteira sem dormir de verdade, alternando entre observar Sofia respirar tranquilamente no berço ao lado da minha cama e verificar, repetidamente, se a porta do quarto continuava trancada.
Pela manhã, Adrian voltou, o rosto marcado pelo cansaço de quem também não tinha dormido nada.
— Encontrei Marcus — disse ele, sem rodeios.
— E?
— Ele está dentro do próprio prédio da Whitmore Holdings. Conseguiu se infiltrar disfarçado de técnico de manutenção, aparentemente há semanas, esperando o momento certo para agir.
— Meu Deus, Adrian…
— Meus seguranças o isolaram numa sala no vigésimo andar. Ele não sabe que já foi descoberto.
— O que você vai fazer?
Ele hesitou, os olhos duros, calculistas — a versão de Adrian que eu quase tinha esquecido que existia, escondida sob o homem gentil que eu tinha visto segurar nossa filha pela primeira vez.
— Vou conversar com ele. Cara a cara. Preciso entender exatamente o que ele planejava, e preciso garantir que essa ameaça termine sem que mais ninguém saia machucado.
— Deixa eu ir com você.
— Não. Absolutamente não, Lena. Você acabou de dar à luz. Sofia precisa de você aqui, segura.
Ele tinha razão, e uma parte de mim odiava isso.
— Promete que vai voltar para nós?
Ele se aproximou, beijando minha testa com uma ternura que contrastava com a dureza que eu sabia que ele levaria para aquele confronto.
— Prometo. Com essa ameaça definitivamente resolvida.
Ele saiu, e as horas seguintes foram as mais longas da minha vida, cada minuto carregado de medo, esperança e um amor que eu finalmente permitia a mim mesma sentir sem reservas.
Três horas depois, meu celular tocou — um número que eu não reconhecia.
— Alô?
— Lena. É a Diane, assistente do senhor Whitmore.
Meu coração disparou.
— O que houve? Ele está bem?
— Ele está bem, Lena. Ele pediu que eu ligasse para te contar que está tudo resolvido. Marcus Reyes foi detido pela polícia, com provas suficientes de invasão de propriedade privada, perseguição e ameaça. Ele não vai incomodar vocês nunca mais.
O alívio que me atravessou foi tão intenso que as lágrimas começaram a cair antes que eu pudesse controlá-las.
— Ele está vindo para cá agora — completou Diane. — Disse para você e para a pequena Sofia esperarem por ele.
Quando Adrian finalmente entrou no quarto, ainda com marcas visíveis de cansaço no rosto, mas com um alívio genuíno em seus olhos, corri para abraçá-lo com toda a força que meu corpo ainda recuperando permitia.
— Está tudo terminado, Lena. De verdade, dessa vez.
— Como ele reagiu, quando você o confrontou?
Adrian suspirou, sentando-se ao lado da cama, segurando minha mão.
— No fim, ele só queria reconhecimento. Um lugar na organização que meu pai nunca deu a ele. Consegui convencê-lo de que continuar essa vingança só o levaria à prisão ou pior, e ofereci uma indenização financeira significativa em troca de ele desaparecer completamente da nossa vida e nunca mais se aproximar.
— E ele aceitou?
— Aceitou, principalmente depois que a polícia chegou e ele percebeu que não tinha mais escapatória.
Olhei para Sofia, dormindo tranquilamente, sem imaginar toda a tempestade que tinha passado ao redor dela nas últimas vinte e quatro horas.
— Adrian, o que acontece agora? Entre nós, quero dizer.
Ele tocou meu rosto, os olhos carregados de uma sinceridade que eu nunca tinha visto nele antes de tudo aquilo começar.
— Agora, Lena, eu quero reconstruir tudo que perdemos. Quero criar nossa filha juntos, quero que você nunca mais precise fugir de mim por medo, e quero, se você me permitir, uma segunda chance para provar que posso proteger vocês duas sem que isso signifique perder vocês no processo.
