Chapter 5
Um mês depois, instalada de volta na casa que um dia tinha sido nosso lar, observei Adrian embalar Sofia no colo, cantarolando desafinado uma canção de ninar que ele claramente estava inventando na hora.
A cena era tão distante do homem frio e implacável que eu tinha conhecido nos negócios que, às vezes, eu ainda me pegava observando, maravilhada com a transformação.
— Você está melhorando na canção — brinquei, encostada na porta do quarto do bebê.
— Estou definitivamente não melhorando — riu ele, sem tirar os olhos de Sofia. — Mas ela não parece se importar.
Sentei-me na cadeira de balanço ao lado deles, observando os dois, sentindo uma paz que eu tinha esquecido que era possível sentir.
— Adrian, posso te perguntar uma coisa?
— Qualquer coisa.
— Você tem medo de que isso aconteça de novo? Alguém tentando nos atingir por causa do seu mundo?
Ele ficou em silêncio por um momento, ninando Sofia devagar antes de responder.
— Todos os dias, Lena. Mas percebi algo importante depois de quase perder vocês duas.
— O quê?
— Que viver com medo não é o mesmo que viver protegido. Passei anos construindo muros tão altos ao redor de mim que, no fim, quase perdi as duas pessoas que realmente importavam.
— E agora?
— Agora estou fazendo mudanças reais. Reestruturando parte dos negócios, afastando-me de conexões que trazem mais perigo do que benefício, contratando segurança que realmente entende como proteger uma família, não apenas um patrimônio.
Levantei-me, aproximando-me dos dois, tocando a pequena mão de Sofia que se fechou instintivamente ao redor do meu dedo.
— Sabe, quando fugi, achei que estava escolhendo entre te amar e proteger nossa filha. Nunca imaginei que poderíamos ter as duas coisas.
Adrian me olhou, um sorriso genuíno, sem nenhuma sombra da dureza que eu conhecia dele antes.
— Você não escolheu errado, Lena. Só escolheu antes da hora certa. Agora, temos a chance de fazer certo, juntos.
Ele se aproximou, beijando-me suavemente, com Sofia ainda aninhada entre nós, uma pequena testemunha silenciosa do recomeço que os três estávamos construindo.
Naquela noite, depois de colocar Sofia para dormir, Adrian me chamou até a varanda, onde uma pequena mesa estava arrumada com velas e duas taças — uma com vinho para ele, outra com suco de uva para mim, ainda em recuperação do parto.
— O que é isso tudo? — perguntei, sorrindo.
Ele se ajoelhou, tirando do bolso uma pequena caixa de veludo.
— Lena Carter, eu sei que já fomos casados uma vez, e que essa história entre nós começou de um jeito complicado demais para qualquer conto de fadas. Mas quero fazer isso direito, dessa vez, com você sabendo exatamente quem eu sou, os riscos que meu mundo carrega, e ainda assim escolhendo ficar.
Abriu a caixa, revelando um anel simples, elegante, muito diferente do que eu esperaria de um homem com sua fortuna.
— Case comigo de novo. Não porque precisamos assinar papel nenhum dessa vez, mas porque eu escolho você, todos os dias, pelo resto da nossa vida.
As lágrimas escorreram livremente enquanto eu assentia, incapaz de formar palavras por um momento.
— Sim, Adrian. Sim, mil vezes sim.
Ele colocou o anel em meu dedo, selando a promessa com um beijo que carregava tudo que tínhamos passado — o medo, a fuga, o perigo, e finalmente, a certeza de um amor forte o suficiente para sobreviver a tudo isso.
E você, já teve que escolher entre proteger quem ama e enfrentar a verdade ao lado dessa pessoa? O que você teria feito no lugar da Lena?
