Chapter 3
O parto durou quase três horas, cada minuto carregado de dor, medo e uma estranha sensação de que, finalmente, eu não estava mais enfrentando tudo sozinha.
Adrian ficou ao meu lado o tempo todo, segurando minha mão, sussurrando palavras de encorajamento que eu nunca imaginei ouvir de um homem tão conhecido por sua frieza nos negócios.
Quando finalmente ouvi o choro da minha filha preencher a sala, todo o cansaço do mundo pareceu, por um instante, desaparecer.
— É uma menina — anunciou a enfermeira, colocando o pequeno embrulho sobre meu peito.
Olhei para aquele rostinho vermelho e enrugado, e senti um amor tão avassalador que quase esqueci completamente do perigo que nos esperava lá fora.
Adrian se aproximou, os olhos marejados, algo que eu nunca tinha visto nele antes.
— Posso? — perguntou, hesitante, as mãos suspensas no ar como se tivesse medo de quebrar algo precioso demais.
— Ela é sua filha, Adrian. Claro que pode.
Ele a segurou com um cuidado quase reverente, o rosto transformado por uma ternura que parecia completamente estranha ao homem que administrava um império com mão de ferro.
— Ela é perfeita — sussurrou ele. — Como você planejava chamá-la?
— Eu pensei em Sofia.
— Sofia Whitmore — repetiu ele, testando o nome. — É perfeito.
Por um momento breve, permitimo-nos simplesmente existir naquela bolha de felicidade, longe de ameaças, envelopes anônimos e homens observando janelas.
Mas a bolha não durou muito.
Duas horas depois, enquanto eu descansava com Sofia no colo, um segurança de Adrian bateu à porta do quarto, o rosto tenso.
— Senhor Whitmore, encontramos algo que precisa ver.
Adrian se levantou imediatamente, saindo para o corredor por alguns minutos, e quando voltou, seu rosto tinha perdido toda a suavidade de antes.
— O que houve? — perguntei, apertando Sofia um pouco mais perto de mim.
— O homem que estava te vigiando há oito meses. Meus seguranças identificaram ele em uma câmera do hospital, na área do estacionamento, há menos de uma hora.
Meu sangue gelou.
— Ele sabe que estamos aqui?
— Aparentemente sim.
— Quem é ele, Adrian? Você sabe?
Ele hesitou, algo pesado em sua expressão.
— O nome dele é Marcus Reyes. Ele trabalhava para meu pai, antes de eu assumir os negócios da família.
— E por que ele estaria me vigiando?
— Porque Marcus sempre acreditou que deveria ter herdado o controle da organização quando meu pai morreu, em vez de mim. E, aparentemente, decidiu que a melhor forma de me atingir seria através de qualquer pessoa que eu amasse.
As palavras “qualquer pessoa que eu amasse” ficaram suspensas no ar entre nós, carregando um peso que nenhum dos dois estava pronto para nomear completamente.
— Adrian, ele pode tentar algo aqui? No hospital, com Sofia por perto?
— Não vou permitir que isso aconteça — disse ele, a voz firme, decidida. — Já tenho seguranças adicionais posicionados em cada saída. Ninguém entra ou sai deste andar sem passar por eles.
— Isso não é suficiente. Ele já provou, meses atrás, que consegue chegar perto sem ser notado.
Adrian se aproximou da cama, tocando o rosto de Sofia com um dedo, depois olhando diretamente para mim.
— Você tem razão. Segurança não é suficiente. Preciso terminar isso de vez, Lena. Preciso encontrar Marcus e encerrar essa ameaça permanentemente, de um jeito que ele nunca mais possa se aproximar de vocês duas.
— Isso significa o quê, exatamente?
Ele não respondeu imediatamente, e o silêncio dele me disse mais do que qualquer palavra sobre o mundo perigoso ao qual Sofia tinha acabado de nascer.
— Significa que amanhã, assim que vocês duas estiverem seguras aqui dentro, eu vou pessoalmente até onde ele está, e vou garantir que essa história termine de uma vez por todas.
