Chapter 3
Paul ficou paralisado por um segundo, tentando processar a informação.
— Espera. Elena é sua sobrinha?
— Ela nunca soube — Dante respondeu, se levantando e pegando o paletó pendurado na cadeira. — O pai dela morreu quando ela tinha três anos, numa guerra entre famílias que eu jurei deixar para trás. A mãe dela se mudou, cortou todo contato com esse mundo, e eu prometi a mim mesmo que nunca chegaria perto o suficiente para colocá-la em perigo de novo.
— E agora ela está casada com Matteo Moretti — Paul completou, o peso da ironia pesando no ar.
— E agora ela está morrendo por causa disso — Dante disse, a voz dura como pedra. — Eu deveria ter aparecido na vida dela há muito tempo. Deveria ter garantido que ela nunca chegasse perto de um homem como Matteo. Em vez disso, fiquei escondido atrás de restaurantes e fundações de caridade, fingindo que tinha deixado esse mundo para trás.
No caminho até o hospital, Dante ligou para três pessoas diferentes, cada uma responsável por uma parte da rede que ele tinha construído silenciosamente ao longo dos anos: um contato dentro do departamento de polícia que devia favores antigos, um analista financeiro que sabia rastrear dinheiro sujo através de qualquer camada de proteção, e um advogado criminal que já tinha derrubado impérios maiores que o de Matteo.
Quando chegou ao Harbor Metropolitan, encontrou Carol ainda sentada na mesma cadeira, agora acompanhada por Rosa, a assistente de Elena, que tinha os olhos vermelhos de tanto chorar.
— Dante Bellarosa — Carol disse, se levantando ao vê-lo se aproximar, o reconhecimento imediato no olhar dela. — Você é irmão de Salvatore.
— Era — ele corrigiu, a voz pesada. — Ele morreu há vinte e oito anos.
— Elena nunca falou sobre a família do pai. Achei que não soubesse de nada.
— Ela não sabia — Dante disse. — E eu preciso que continue assim, pelo menos por enquanto. Se as pessoas certas descobrirem que Elena é minha sobrinha, isso a coloca em um perigo ainda maior do que já está.
Carol assentiu, entendendo a gravidade daquilo sem precisar de mais explicações.
— Os médicos disseram que o quadro dela pode piorar a qualquer momento — ela disse, a voz falhando um pouco. — Estão considerando adiantar o parto se os sinais do bebê ficarem instáveis.
Dante fechou os olhos por um segundo, o rosto endurecido pela informação.
— Eu quero ver ela.
— Só família tem acesso à UTI — disse a enfermeira que passava por ali, ouvindo parte da conversa.
Dante a encarou com uma calma que carregava um peso próprio.
— Eu sou tio dela.
A enfermeira hesitou, olhando de Dante para Carol, que confirmou com um aceno silencioso.
— Cinco minutos — ela disse, finalmente. — E preciso avisar que ela está sedada. Não vai responder.
Dante entrou no quarto sozinho, os passos mais pesados do que qualquer reunião de negócios que já tinha enfrentado na vida. Elena estava deitada, cercada de máquinas, tubos e monitores que emitiam sons constantes e mecânicos, a barriga arredondada subindo e descendo devagar com a respiração assistida.
Ele se aproximou da cama, olhando para o rosto dela pela primeira vez em anos — desde que a tinha visto de longe, numa formatura, sem nunca se aproximar, sem nunca revelar quem era.
— Eu deveria ter vindo antes — ele sussurrou, a voz embargada de um jeito que ninguém no mundo dos negócios dele jamais tinha testemunhado. — Deveria ter te tirado dessa vida antes que ela te alcançasse.
Ele segurou a mão dela com cuidado, sentindo o quanto estava fria.
— Mas eu prometo uma coisa — ele continuou, a voz ganhando força. — O homem que fez isso com você vai responder por cada gota de sangue que você perdeu. E o seu filho vai crescer sabendo quem realmente era o pai dele, e quem é a mãe que lutou até o último fôlego para protegê-lo.
Do lado de fora, o celular de Paul tocou. Ele atendeu, escutou por alguns segundos, e o rosto dele foi ficando cada vez mais sério.
Quando Dante saiu do quarto, encontrou o amigo esperando com uma expressão que já anunciava más notícias.
— O que foi? — Dante perguntou.
— Matteo sabe que Elena está viva — Paul disse. — E sabe que ela não está na clínica da família.
Dante sentiu o corpo inteiro se tensionar.
— Como ele descobriu?
— Vivien — Paul respondeu. — Ela rastreou o carro de Gino até aqui.
— Onde está Gino agora?
Paul balançou a cabeça, a preocupação evidente.
— Ninguém sabe. Ele não aparece desde ontem à noite.
