Matteo Moretti bateu na esposa grávida de sete meses com tanta força que ela foi arremessada contra a ilha de mármore da cozinha.

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Chapter 4

Dante saiu do hospital direto para o carro, o celular já colado ao ouvido, discando um número que raramente usava.

— Preciso de olhos em todos os apartamentos e endereços conhecidos de Gino Russo — ele disse assim que a ligação foi atendida. — Agora.

Enquanto isso, três quarteirões dali, dentro de um beco escuro atrás de uma lavanderia fechada, Gino estava encostado na parede, sangrando pelo lábio cortado, dois homens da segurança de Matteo parados à sua frente.

— O patrão só quer saber uma coisa — disse o maior dos dois, cruzando os braços. — Pra onde você levou ela?

Gino cuspiu sangue no chão, mas manteve o queixo erguido.

— Ela caiu. Foi isso que ele mandou eu dizer, não foi? Então foi isso que eu disse.

Um soco atingiu seu estômago, dobrando ele ao meio.

— Não banca de esperto comigo. Onde. Está. Elena.

— Vocês já sabem — Gino respondeu, ofegante, forçando um sorriso sangrento. — Só estão perdendo tempo aqui em vez de estar procurando.

O segundo homem se aproximou, sacando a arma da cintura, mas antes que pudesse fazer qualquer movimento, um par de faróis inundou o beco, e três carros pretos surgiram bloqueando as duas saídas.

Dante saiu do primeiro carro, o rosto tomado por uma frieza que ninguém naquele beco jamais tinha visto nele antes.

— Vocês trabalham para um homem que bateu na própria esposa grávida até ela quase morrer — ele disse, a voz baixa, mas cortante como lâmina. — E agora estão espancando o homem que teve coragem de salvar a vida dela. Pensem bem no que fazem a seguir.

Os dois seguranças trocaram olhares nervosos, calculando as chances contra o número de homens que tinha saído dos carros de Dante.

— Isso não é problema seu, Bellarosa — disse o maior deles, ainda tentando manter a postura.

— A partir de agora, é — Dante respondeu, se aproximando devagar. — Digam a Matteo que ele acabou de cometer o maior erro da vida dele.

Os dois homens recuaram, ainda apontando as armas, mas escolhendo, no fim, a retirada em vez do confronto direto. Assim que desapareceram na esquina, Dante correu até Gino, ajudando-o a se levantar.

— Você está bem?

— Estive melhor — Gino respondeu, tentando sorrir apesar da dor. — Obrigado por aparecer.

— Obrigado por não ter contado onde ela está — Dante disse, ajudando-o a entrar no carro. — Isso pode ter salvado a vida dos dois.

No caminho de volta, Gino contou tudo o que sabia: como Matteo tinha reagido ao descobrir que Elena não estava na clínica da família, como Vivien parecia estranhamente calma durante toda a confusão, quase como se já esperasse aquele desfecho.

— Ela quer que ele exploda de raiva — Dante murmurou, mais para si mesmo. — Quer que ele cometa erros cada vez maiores enquanto o mundo dele desmorona.

— Por quê?

— Porque um homem descontrolado é fácil de derrubar — Dante respondeu. — E alguém, em algum lugar de Chicago, está esperando exatamente por isso.

Naquela noite, de volta ao hospital, Carol recebeu uma ligação que a deixou gelada: o próprio Matteo, exigindo saber onde estava a esposa.

— Ela é minha mulher — ele disse, a voz controlada demais para ser genuína. — Tenho o direito de saber onde está sendo tratada.

— Sua esposa está recebendo os melhores cuidados possíveis — Carol respondeu, cada palavra pesada e calculada. — E, no momento, não há nenhuma razão legal para que eu revele o paradeiro dela a você.

— Você está brincando com fogo, Carol.

— Não, Matteo — ela respondeu, a voz firme como nunca. — Você que jogou a esposa grávida contra uma ilha de mármore. O fogo já está aceso. A única pergunta agora é quem vai queimar com ele.

Ela desligou antes que ele pudesse responder, as mãos tremendo levemente, mas os olhos firmes, decididos.

Do outro lado da cidade, dentro do próprio escritório, Matteo bateu o celular contra a mesa com tanta força que a tela rachou.

Vivien, sentada do outro lado, observava tudo com uma calma perturbadora.

— Ela vai descobrir tudo — Matteo disse, a respiração pesada. — Se Elena acordar, se ela contar o que sabe…

— Ela não vai acordar — Vivien disse, num tom quase gentil, quase carinhoso, o que tornava tudo ainda mais assustador. — E, mesmo que acorde, ninguém vai acreditar na palavra de uma mulher contra a do marido dela. Não numa cidade onde seu sobrenome ainda abre portas.

Matteo a encarou, algo em seu olhar mudando pela primeira vez — uma desconfiança que antes não existia.

— Por que você está tão calma com tudo isso, Vivien?

Ela sorriu, um sorriso fino e cuidadosamente construído.

— Porque, ao contrário de você, Matteo, eu sempre penso três passos à frente.

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