Chapter 5
Dois dias depois, o quadro de Elena finalmente começou a se estabilizar. A médica responsável entrou na sala de espera com uma expressão cautelosa, mas visivelmente mais aliviada do que nos dias anteriores.
— A pressão intracraniana baixou — ela disse a Carol e Dante, que praticamente não tinham saído do hospital desde que tudo começou. — Ainda é cedo para comemorar, mas os sinais são positivos. Vamos começar a reduzir a sedação aos poucos.
— E o bebê? — Dante perguntou, a voz carregada de uma esperança que ele mal reconhecia em si mesmo.
— Estável. Forte, considerando tudo o que passou — a médica respondeu, permitindo-se um pequeno sorriso. — Esse é um bebê teimoso.
— Puxou à mãe — Carol disse, a voz embargada, e pela primeira vez em dias, um riso fraco escapou dela.
Enquanto isso, a rede que Dante tinha mobilizado começava a trazer resultados concretos. O analista financeiro confirmou que a empresa de consultoria em Chicago pertencia, na verdade, a um grupo que vinha tentando, havia anos, expandir operações para o território que Matteo controlava em Nova York. Vivien Rinaldi não era apenas uma funcionária desleal — era a peça que esse grupo tinha plantado dentro do círculo mais próximo de Matteo, esperando o momento certo para desmoronar tudo por dentro.
— Ela orquestrou o ataque contra Elena sabendo exatamente como Matteo reagiria — Dante explicou a Carol, mostrando os documentos reunidos. — Um homem violento, descontrolado, cometendo um erro grave o suficiente para atrair atenção da polícia e da imprensa. Isso enfraquece toda a estrutura dele, e cria a abertura perfeita para o grupo de Chicago avançar.
— Então Elena não era o alvo final — Carol disse, processando tudo. — Ela era só uma peça no tabuleiro deles.
— E ainda pode ser — Dante respondeu, a voz sombria. — Se Vivien perceber que o plano está desmoronando, ela pode tentar terminar o que começou.
Naquela mesma noite, no décimo andar do hospital, Elena começou a se mexer pela primeira vez em cinco dias. Os dedos se contraíram levemente, os olhos tremeram por baixo das pálpebras fechadas, e um monitor emitiu um bipe diferente, que fez a enfermeira de plantão correr até o quarto.
Vinte minutos depois, Carol e Dante foram chamados às pressas.
— Ela está acordando — a médica disse, a voz cheia de uma urgência controlada. — É gradual, mas os sinais são claros.
Dante entrou no quarto primeiro, o coração batendo mais forte do que em qualquer confronto que já tinha enfrentado na vida. Os olhos de Elena se abriram devagar, confusos, piscando contra a luz do quarto, até finalmente conseguirem focar no rosto do homem parado ao lado da cama.
— Quem… — ela sussurrou, a voz rouca e fraca.
— Meu nome é Dante — ele disse, se aproximando devagar, a voz mais suave do que jamais tinha usado com ninguém. — Eu sou irmão do seu pai. Seu tio.
Elena piscou, tentando processar a informação através da névoa dos remédios e da confusão.
— Meu bebê… — ela conseguiu perguntar, a mão descendo instintivamente até a barriga, ainda arredondada, ainda intacta.
— Está bem — Dante respondeu rápido, segurando a mão livre dela. — Vocês dois lutaram muito, mas estão bem.
Lágrimas escorreram pelo canto dos olhos de Elena, e ela fechou os olhos de novo, não de dor, mas de um alívio tão profundo que parecia impossível de suportar acordada.
Nos dias seguintes, à medida que Elena recuperava as forças, Dante contou a ela, aos poucos, tudo o que tinha descoberto: sobre Vivien, sobre o grupo de Chicago, sobre a armação que quase custou a vida dela e do filho.
— Eu confiei nele por sete anos — Elena disse, a voz ainda fraca, mas os olhos já mostrando uma centelha de fúria que não existia antes. — Sete anos fingindo não ver o que ele realmente era.
— Você não estava fingindo, Elena — Dante disse, gentil, mas firme. — Você estava sobrevivendo. E, mesmo sobrevivendo, teve coragem de guardar as provas que agora vão derrubá-lo.
Foi Carol quem trouxe a notícia final, entrando no quarto com o rosto tenso, mas determinado.
— Matteo sabe que você acordou — ela disse a Elena. — E sabe que a Vivien está prestes a ser exposta. Os dois estão desesperados agora, e homens desesperados cometem erros ainda maiores.
— Então precisamos agir antes deles — Elena disse, a voz surpreendentemente firme para alguém que tinha acabado de sair de um coma.
Dante trocou um olhar com Carol, e pela primeira vez desde que tudo tinha começado, um plano começou a tomar forma entre os três.
— Amanhã à noite — Dante disse, finalmente. — Vamos entregar tudo à promotoria, com testemunhas, provas, e a proteção necessária para garantir que nada disso desapareça. Mas antes disso, Elena, existe uma última coisa que Matteo precisa ouvir. E acho que só você pode dizer isso a ele.
