Matteo Moretti bateu na esposa grávida de sete meses com tanta força que ela foi arremessada contra a ilha de mármore da cozinha.

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Chapter 6

Vinte e quatro horas depois, Elena estava sentada numa cadeira de rodas dentro de uma sala de reuniões pouco iluminada, no último andar de um prédio que pertencia a Dante, cercada por seguranças de confiança, Carol ao seu lado, e um promotor federal que tinha esperado anos por uma oportunidade como aquela.

Matteo entrou escoltado por dois advogados, o rosto pálido ao ver a esposa viva, sentada, encarando-o com uma força que ele nunca tinha visto nela antes.

— Elena — ele disse, a voz tentando, sem sucesso, soar aliviada. — Graças a Deus você está bem.

— Não faça isso — ela respondeu, a voz calma, mas cortante. — Não finja preocupação depois de me jogar contra a ilha da nossa cozinha e mandar seu motorista dizer aos médicos que eu tinha caído.

O rosto de Matteo perdeu qualquer resquício de cor.

— Eu não sei do que você está falando.

— Sabe sim — Dante disse, entrando na sala com uma pasta grossa debaixo do braço, o promotor logo atrás dele. — E, o mais interessante, Matteo, é que você nem sabe metade do que realmente aconteceu naquela noite.

Ele colocou a pasta sobre a mesa, abrindo-a diante dos advogados atônitos.

— Vivien Rinaldi está detida desde essa manhã — Dante continuou. — Ela confessou tudo em troca de um acordo de colaboração: como plantou os documentos no escritório de Elena, como orquestrou toda a armadilha para fazer parecer que sua esposa estava traindo você financeiramente, sabendo exatamente como você reagiria.

Matteo olhou de Dante para os advogados, a raiva e o pânico disputando espaço no rosto dele.

— Isso não faz sentido. Vivien trabalha para mim há anos.

— Vivien trabalhava para um grupo de Chicago que está de olho no seu território há mais tempo do que você imagina — Dante respondeu, sem piedade na voz. — Ela usou sua fúria como arma contra você mesmo, Matteo. E você, por sua vez, usou essa fúria contra a mulher grávida que confiava em você.

O promotor deu um passo à frente, apresentando os documentos formalmente.

— Sr. Moretti, temos provas suficientes de agressão agravada, obstrução de investigação, e evidências financeiras que apontam para múltiplas atividades ilegais associadas ao seu nome. Meu conselho é que você chame seus advogados para uma conversa muito mais longa do que essa.

Matteo se virou para Elena, a última tentativa desesperada de encontrar alguma brecha, algum resquício da mulher que ele achava ter moldado ao longo dos anos para nunca revidar.

— Elena, por favor. Pense no nosso filho.

— Eu penso nele o tempo todo — ela respondeu, a voz tremendo, mas não de medo — de determinação. — E é exatamente por isso que ele nunca vai crescer perto de um homem como você.

Ela ergueu o queixo, os olhos brilhando com lágrimas que se recusavam a cair.

— Meu pai morreu tentando proteger a família dele de um mundo cheio de homens como você, Matteo. Eu passei a vida toda sem saber disso, mas descobri, nesses últimos dias, que carrego o sangue de alguém que escolheu lutar em vez de se curvar. E é isso que vou ensinar ao meu filho.

Os seguranças escoltaram Matteo para fora sob os protestos dos advogados, enquanto os agentes federais aguardavam do lado de fora para formalizar a prisão.

Três meses depois, Elena estava sentada no jardim da casa nova que Dante tinha ajudado a encontrar, um lugar tranquilo, longe de qualquer coisa que lembrasse a cobertura em Manhattan. Nos braços dela, embrulhado num cobertor macio, dormia seu filho, nascido são e forte, duas semanas após aquele confronto decisivo.

Dante se aproximou, sentando-se ao lado dela no banco de madeira, observando o bebê com um carinho que ele jamais imaginou sentir por alguém.

— Já decidiu o nome dele? — ele perguntou.

Elena sorriu, olhando para o filho antes de responder.

— Salvatore.

Dante sentiu a garganta se apertar, os olhos marejando de um jeito que não acontecia havia décadas.

— Seu pai ficaria orgulhoso de você — ele disse, a voz embargada.

— E eu tenho certeza de que ele também ficaria orgulhoso de você — Elena respondeu, colocando a mão sobre o braço do tio. — Por finalmente ter aparecido, mesmo que tarde.

Eles ficaram em silêncio por um momento, observando o pequeno Salvatore dormir tranquilo, alheio a toda a tempestade que tinha precedido sua chegada ao mundo, protegido agora por pessoas dispostas a lutar por ele até o fim.

O julgamento de Matteo ainda levaria meses, assim como o de Vivien, mas pela primeira vez em muito tempo, Elena sentia que o medo tinha deixado de comandar a própria vida. A cicatriz na cabeça ainda doía em dias frios, e as lembranças daquela noite provavelmente nunca desapareceriam completamente, mas ela tinha aprendido algo que nenhuma advertência do mundo poderia ter ensinado antes: que sobreviver não era apenas continuar respirando, mas escolher, todos os dias, reconstruir algo novo em cima das ruínas.

Às vezes, a pessoa que mais tememos revela o rosto verdadeiro só quando já é tarde demais para fingir. E às vezes, é justamente nesse momento de maior escuridão que descobrimos quem realmente está disposto a caminhar ao nosso lado até o fim.

Você já precisou descobrir, da pior forma possível, quem realmente estava ao seu lado quando tudo desmoronou? O que essa experiência mudou em você?

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