Morre antes de sexta, Dominic. O dinheiro se move mais rápido quando você para de respirar.

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Chapter 2

— Tranca a porta — eu repeti, a voz rouca de cinco dias sem uso.

Grace ficou parada por um segundo que pareceu durar uma eternidade.

Depois se moveu.

Rápida, silenciosa, girou a tranca do quarto privado e voltou pra perto da cama, os olhos arregalados.

— O senhor tá… o senhor tá acordado. Esse tempo todo?

— Desde a primeira noite.

— Meu Deus. — Ela levou a mão à boca. — Todo mundo acha que…

— Eu sei o que todo mundo acha. Foi assim que eu planejei.

Ela recuou um passo, processando.

— O senhor fingiu o coma.

— Os ferimentos são reais. O resto não.

— Por quê?

Eu me forcei a sentar, cada costela protestando.

— Porque alguém cortou o cabo dos freios do meu carro, Grace. E eu precisava descobrir quem, antes que tentassem de novo.

Ela ficou em silêncio, absorvendo aquilo.

— A Srta. Hale.

— Entre outros.

— O senhor ouviu tudo que ela disse esses dias?

— Cada palavra. E não só dela.

Grace se sentou devagar na cadeira ao lado da cama, como se as pernas tivessem parado de confiar nela.

— Meu primo Anthony — continuei — passou os últimos cinco dias conversando sobre “modernizar a família” com pessoas que eu nunca autorizei a entrar aqui.

— Eu vi ele. Sempre de terno escuro, sempre no telefone.

— Meu advogado discutiu transferência de contas com o meu consigliere como se eu já tivesse sido enterrado.

— E a Srta. Hale…

— A Veronica quer minha morte antes de sexta-feira. Ela mesma disse isso.

Grace ficou pálida.

— O que o senhor vai fazer?

— Ainda não sei completamente. Mas sei que preciso de olhos que ninguém suspeita.

Ela entendeu antes de eu terminar a frase.

— O senhor quer que eu espione pro senhor.

— Eu quero que você continue fazendo exatamente o que já faz. Limpar quartos. Ficar invisível. As pessoas falam demais perto de quem elas acham que não escuta.

— Isso é perigoso.

— Eu sei.

— Não pra mim. Pra você, é perigoso pra mim.

Ela tinha razão, e isso me incomodou mais do que eu esperava.

— Se você não quiser se envolver, eu entendo. Você pode sair agora e fingir que nunca ouviu nada.

Grace olhou pra porta trancada, depois de volta pra mim.

— Meu pai morreu porque ninguém quis se envolver quando devia. Eu não sou desse tipo de gente.

Aquilo me pegou de surpresa.

— O que aconteceu com seu pai?

— Isso é uma história pra outro dia, Sr. Moretti. Agora o senhor tem problema maior.

Ela se levantou, ajeitou o uniforme, e voltou a ser a mulher discreta que limpava quartos sem chamar atenção.

— O que eu faço primeiro?

— Continue limpando este quarto todo dia, no mesmo horário. Preste atenção em quem entra, quem sai, o que dizem quando acham que ninguém importante está ouvindo.

— E se alguém desconfiar de mim?

— Ninguém nunca desconfia da empregada, Grace. Esse é exatamente o motivo de eu estar confiando em você.

Ela assentiu, séria.

— Uma coisa, Sr. Moretti.

— Fala.

— Quando o senhor for “acordar” de verdade… eu quero estar por perto. Não pelo dinheiro. Só quero ver a cara dela quando descobrir.

Pela primeira vez em cinco dias, eu ri de verdade — baixo, dolorido, mas real.

— Combinado.

Grace destrancou a porta, arrumou os lírios uma última vez, e saiu tão silenciosamente quanto tinha entrado.

Eu fechei os olhos de novo, voltando ao papel de homem à beira da morte.

Mas agora eu não estava mais sozinho naquele jogo.

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