Morre antes de sexta, Dominic. O dinheiro se move mais rápido quando você para de respirar.

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Chapter 5

Marcus chegou às onze da noite, disfarçado de técnico de manutenção, um crachá falso perfeito pendurado no peito.

Ele entrou no quarto e, ao me ver acordado, sentado, os olhos duros de raiva contida, soltou um suspiro que parecia carregar cinco dias de preocupação.

— Você tá vivo de verdade.

— Por enquanto.

— Eu soube do Nico. Sinto muito, Dominic.

— Depois a gente chora por ele. Agora eu preciso de você focado.

Marcus assentiu, já em modo profissional.

— Grace me contou tudo pelo caminho. Reyes, Kessler, Veronica. E possivelmente o Sokolov por trás disso tudo.

— Exatamente.

— Amanhã às sete.

— Isso.

Marcus caminhou até a janela, calculando.

— A gente tem duas opções. Eu tiro você daqui essa noite, escondido, e a gente ataca de outro lugar. Ou…

— Ou eu fico.

— Dominic, isso é loucura.

— Eu quero ver a cara dela, Marcus. Eu quero que ela diga na minha frente o que ela disse no meu ouvido, achando que eu tava morrendo.

Grace, encostada na parede, ouvia tudo em silêncio.

— Se o senhor ficar — ela finalmente falou — precisa ter certeza absoluta que está protegido. Eles vêm armados de mentira profissional. O senhor precisa vir armado de prova.

Ela tinha razão, e Marcus concordou com um aceno.

— Grace, você consegue gravar uma conversa sem que percebam?

— Eu já ouvi tudo esse tempo sem que ninguém percebesse que eu existia. Gravar é só um passo a mais.

Marcus tirou do bolso um pequeno gravador, do tamanho de uma moeda.

— Prende isso na roupa. Perto do colarinho, se puder.

Grace pegou o aparelho com mãos firmes, apesar do medo visível nos olhos.

— E se eles perceberem?

— Não vão — disse Marcus. — Ninguém olha pra empregada duas vezes.

Aquela frase, dita com toda a inocência profissional, pesou diferente no quarto depois de tudo que tínhamos vivido juntos naqueles dias.

— Isso vai mudar — eu disse, mais pra mim mesmo que pra qualquer um ali.

Marcus organizou o resto do plano: dois seguranças de confiança escondidos no corredor, disfarçados de equipe médica extra; a polícia sendo informada discretamente através de um contato que Marcus tinha na promotoria, pronta pra agir assim que tivéssemos prova gravada.

Eu passaria a noite ainda fingindo o coma.

Amanhã de manhã, quando Reyes viesse aplicar a “dose final”, e Veronica viesse assistir, e Kessler viesse com os papéis prontos pra assinar em nome de um homem morto…

Eu ia acordar de verdade.

Diante de todos eles.

Grace ficou até tarde, ajudando Marcus a ajustar os últimos detalhes, e quando ele finalmente saiu pra organizar a equipe, ela ficou um momento a mais, olhando pra mim.

— Amanhã pode dar tudo errado — ela disse, a voz baixa.

— Pode.

— O senhor tem medo?

Eu pensei antes de responder, porque ela merecia sinceridade depois de tudo que tinha arriscado.

— Tenho. Mas não do jeito que eles esperam.

— Do que o senhor tem medo, então?

— De descobrir que, além da Veronica, existiam outras pessoas em quem eu confiava cegamente e que também estavam esperando minha morte.

Grace ficou em silêncio por um momento.

— Nem todo mundo, Sr. Moretti.

Ela saiu antes que eu pudesse responder, deixando aquela frase pairando no quarto escuro, junto com o cheiro dos lírios que ela insistia em trocar todo dia.

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