O médico mal tinha terminado de me dizer que eu nunca poderia ter filhos quando meu pai fez a pergunta que finalmente me mostrou o que eu valia para ele.

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Chapter 3

Escondi o diário debaixo do colchão naquela noite, incapaz de dormir.

“Precisava ser resolvido.” As palavras giravam na minha cabeça como um alarme que eu não sabia como desligar.

Na manhã seguinte, evitei olhar para Adrian por medo de que meu rosto entregasse tudo.

“Você está estranha,” ele comentou, durante o café.

“Só cansada.”

Ele não insistiu, mas percebi o olhar atento que passou a me dedicar dali em diante.

Decidi investigar sozinha, sem envolvê-lo — ainda não sabia em quem confiar dentro daquela casa.

Comecei pelos empregados mais antigos, fazendo perguntas casuais sobre o dia da explosão.

A governanta, Marta, hesitou antes de responder. “Foi um dia terrível, senhora. O Sr. Voss cuidou de tudo depois.”

“Voss?”

“O advogado do Sr. Cross,” explicou ela. “Ele estava lá quando aconteceu.”

Arquivei aquele nome.

Gerald Voss aparecia com frequência na mansão — terno impecável, sorriso calculado, sempre com uma pasta de couro debaixo do braço.

Comecei a observá-lo mais de perto durante as visitas seguintes.

Ele tratava as crianças com um carinho performático, mas seus olhos nunca perdiam de vista Adrian, como quem calcula cada movimento.

Numa tarde, encontrei Mason sentado sozinho no jardim, olhando para o nada.

“Posso sentar?” perguntei.

Ele deu de ombros, o que interpretei como permissão.

“Sua mãe… ela suspeitava de alguma coisa antes de morrer?”

Mason me encarou, surpreso pela pergunta direta.

“Ela discutiu com o Sr. Voss uma semana antes,” disse ele, baixinho. “Gritaram. Nunca soube sobre o quê.”

Meu coração acelerou.

“Você contou isso ao seu pai?”

“Ele estava viajando naquela semana,” respondeu Mason. “E depois que ela morreu, ninguém quis falar sobre isso de novo.”

Naquela noite, encontrei um bilhete deslizado por baixo da porta do meu quarto.

Sem assinatura. Apenas uma frase:

“Pare de fazer perguntas sobre coisas que não são da sua conta.”

As mãos me tremeram enquanto lia.

Levei o bilhete e o diário para Adrian, finalmente decidindo que segredos não protegiam ninguém.

Ele leu tudo em silêncio, o maxilar cada vez mais tenso.

“Voss estava no carro comigo minutos antes da explosão,” disse ele, a voz baixa e perigosa. “Ele insistiu para eu sair mais cedo naquele dia.”

“Você acha que ele sabia?”

Adrian olhou para mim, os olhos escuros de uma raiva antiga, finalmente com um alvo.

“Eu acho,” disse ele, “que vamos descobrir exatamente o que Gerald Voss sabe.”

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