Chapter 5
Adrian reuniu sua segurança mais próxima na biblioteca, mapas e relatórios espalhados pela mesa.
“Quero Voss vigiado 24 horas,” ordenou. “Sem que ele perceba.”
Fiquei observando da porta, sentindo que aquilo tinha ido longe demais para eu simplesmente assistir de fora.
“Deixa eu ajudar,” falei.
Adrian se virou, surpreso. “Isso não é seguro.”
“Nada nessa casa é seguro,” respondi. “Prefiro estar dentro da solução do que esperando ser a próxima vítima.”
Ele hesitou, depois assentiu, contra a própria vontade.
Dois dias depois, Voss apareceu na mansão para uma reunião de rotina, sem imaginar que cada palavra sua estava sendo gravada.
Ele se sentou à mesa como sempre, sorridente, tratando as crianças com aquele carinho ensaiado.
Foi Claire quem, sem perceber a gravidade, mencionou algo que travou tudo.
“Sr. Voss, a Elena encontrou um diário da mamãe,” disse ela, inocente. “Tinha um bilhete estranho dentro.”
O sorriso de Voss vacilou por meio segundo — o suficiente.
Adrian, do outro lado da mesa, manteve o rosto calmo, mas seus olhos encontraram os meus.
Naquela noite, Voss tentou fugir.
Foi interceptado no portão dos fundos, uma mala já pronta no banco de trás do carro.
“Gerald,” disse Adrian, aparecendo das sombras, a voz baixa e mortal. “Achou mesmo que eu não perceberia?”
“Adrian, posso explicar—”
“Você matou minha esposa.”
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
“Foi um acidente,” gaguejou Voss. “Eu só queria assustá-la, fazer ela parar de investigar o desvio de carga. Não devia ter explodido daquele jeito.”
Senti a bile subir pela garganta, ouvindo a confissão tão fria.
“Você trabalhava com meu pai,” acrescentei, entendendo finalmente a peça que faltava. “Foi ele quem financiou o desvio, não foi?”
O silêncio de Voss confirmou tudo.
Adrian deu um passo à frente, e por um instante terrível, pensei que ele fosse fazer algo do qual não haveria volta.
Mas ele parou.
“Não,” disse Adrian, mais para si mesmo do que para nós. “Meus filhos já perderam a mãe por causa da violência dessa família. Não vou dar a eles um pai que também escolhe isso.”
Ele se virou para os seguranças. “Levem ele para a polícia. Com todas as gravações.”
“Você está entregando ele às autoridades?” perguntei, surpresa.
“Prefiro justiça de verdade a mais sangue,” respondeu Adrian. “Meus filhos já viram sangue demais.”
Vi, naquele momento, o homem que Adrian estava tentando se tornar — não apenas para si mesmo, mas para os quatro pequenos que dormiam dentro daquela casa.
Meu pai foi preso duas semanas depois, implicado pelas provas que Voss entregou em troca de uma sentença menor.
Pela primeira vez na vida, vi meu pai sem poder algum, sem negócio para fazer, sem ninguém para negociar por ele.
Não senti pena.
Senti, finalmente, liberdade.
