Toda mulher rejeitava o chefão da máfia por causa do tamanho dele — até uma enfermeira de guerra tratá-lo diferente

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Chapter 1

Toda mulher rejeitava o chefão da máfia por causa do tamanho dele — até uma enfermeira de guerra tratá-lo diferente

O HOMEM MAIS TEMIDO DA CIDADE ACHOU QUE O TOQUE DELA ERA PENA — ATÉ ELA SEGURAR A MÃO DELE NA FRENTE DE TODO MUNDO

A bala não assustou Rafe Calder.
Os cinco homens armados ao redor dele não assustaram Tessa Ward.
O que assustou os dois veio depois — quando ela tocou nele porque quis, e ele confundiu aquilo com compaixão.

PARTE 1 — A MULHER QUE MANDOU O MONSTRO SENTAR

A chuva transformou a rua em frente à gala da Fundação Calder em vidro negro.

Luzes azuis de ambulância piscavam sobre janelas estilhaçadas, smokings encharcados, cordões de veludo derrubados e a lataria polida de uma SUV preta. Em algum lugar atrás da barreira policial, doadores gritavam ao telefone enquanto seguranças empurravam repórteres para trás.

No meio de tudo isso estava Rafe Calder.

Quase dois metros de altura. Largo o suficiente para fazer a ambulância atrás dele parecer estreita. O sangue se espalhava pela lateral rasgada da camisa social branca, mas ele parecia muito mais interessado na mulher sentada encostada na SUV.

“Vejam a June primeiro.”

A irmã olhou pra ele, irritada. “Rafe, eu estou bem.”

“Vejam ela.”

Dois homens se moveram na mesma hora.

Tessa Ward atravessou o meio deles carregando uma bolsa de trauma.

“Todo mundo parado.”

Um dos seguranças de Rafe barrou o caminho dela com o antebraço. A outra mão pairava perto do paletó.

Tessa olhou pra aquela mão.

“Se você sacar uma arma na minha área de atendimento, eu vou embora.”

O segurança ficou olhando.

Ela apontou com a cabeça pro gigante ferido atrás dele.

“Aí seu chefe vai ter que explicar por que sangrou até furar uma camisa de cinco mil dólares, porque você espantou a mulher que estava tentando estancar o sangramento dele.”

Um risinho involuntário escapou de June.

A boca de Rafe quase se mexeu.

“Malcolm.”

O segurança olhou pra trás.

“Sai da frente.”

Malcolm saiu.

Tessa parou bem na frente de Rafe e olhou — não pro rosto dele, não pras mãos, não pros homens ao redor — só pro sangue.

“Senta.”

O silêncio caiu rápido demais, de um jeito estranho.

Rafe baixou os olhos pra ela.

As pessoas faziam isso perto dele — congelavam. Esperavam. Repensavam a última coisa que tinham dito.

“Você sabe quem eu sou?”

Tessa tirou a tesoura de trauma da bolsa.

“Agora? Uns cento e vinte e cinco quilos de paciente complicando minha noite.”

June tapou a boca com a mão.

Malcolm pareceu genuinamente ofendido em nome do patrão.

Rafe encarou Tessa por dois segundos longos.

Depois o homem mais temido da cidade sentou no degrau da ambulância.

Tessa cortou o tecido destruído na lateral dele.

A mão dele fechou em volta do pulso dela.

Não com força.

Mas todos os homens armados ao redor mudaram de posição.

Tessa parou.

Os olhos dela foram até a mão de Rafe, depois pro rosto dele.

“Se você vai me impedir, me impede logo.”

Ele não disse nada.

“Se não vai, solta.”

Alguma coisa indecifrável passou pelos olhos dele.

Os dedos se abriram.

“Boa escolha.”

“Você sempre fala assim com homens perigosos?”

“Só com os que sangram no meu sapato.”

Ela pressionou a gaze firme contra o ferimento.

O maxilar dele travou.

“Perfurante, entrada e saída,” ela disse. “Você teve sorte.”

“Eu não acredito em sorte.”

“Então acredita em anatomia.”

Um motor gritou na esquina.

A cabeça de Rafe virou.

O paciente ferido desapareceu.

O homem por baixo voltou.

“Malcolm.”

“Sob controle.”

Três palavras.

Sem pânico. Sem movimento desperdiçado. De repente Tessa entendeu por que salas inteiras obedeciam a ele.

Rafe começou a se levantar.

Ela pôs a palma da mão no meio do peito dele.

“Senta.”

Ele congelou.

Não bravo.

Surpreso.

Tessa franziu a testa. “Tontura?”

“Não.”

“Dor?”

“Não.”

“Então por que você está me olhando assim?”

O olhar dele desceu rápido até a mão dela.

“Nada.”

Ela o fez sentar de novo e apertou o curativo.

O corpo dele era enorme sob as mãos dela, mas o estranho era o cuidado com que ele se portava — como se tivesse aprendido, muito tempo atrás, que as pessoas esperavam que ele se desculpasse por ocupar espaço.

“Você vai pro hospital.”

“Minha irmã vai primeiro.”

“Ela está estável.”

“Eu fico até ela sair.”

Tessa abaixou a voz.

“Ela precisa ver você sobreviver mais do que esses homens precisam ver você de pé.”

Isso alcançou um lugar que a bala não tinha alcançado.

Rafe olhou pra June.

Depois concordou com a cabeça.

Dentro da ambulância, ele passou dez minutos dando ordens até Tessa finalmente tirar o celular da mão dele.

Ele ficou olhando pra ela.

“Você tá confiscando isso?”

“Você tá bagunçando meu monitor.”

“Eu tenho negócios.”

“Você tem perda de sangue.”

A ambulância sacudiu num buraco na pista.

Tessa se apoiou com uma mão no peito dele.

Rafe parou de respirar.

Ela percebeu.

“O quê?”

“Nada.”

As portas se abriram no Hospital St. Catherine.

Mais seis homens de Calder esperavam lá fora.

Tessa saiu primeiro.

“Não.”

Malcolm franziu a testa. “Não o quê?”

“Nada de exército particular no meu pronto-socorro. Dois homens. Sem armas à mostra.”

“Essa decisão não é sua.”

“É, sim, dentro da minha área de atendimento.”

Malcolm olhou pra Rafe.

Rafe olhou pra Tessa.

“Dois.”

O maxilar de Malcolm travou.

Depois quatro homens armados desapareceram na chuva.

Tessa se virou pras portas do hospital.

Atrás dela, Rafe falou baixo.

“Senhorita Ward.”

Ela olhou pra trás.

Pela primeira vez naquela noite, o homem perigoso parecia inseguro.

“O quê?”

O olhar dele pousou na mão que ela tinha usado pra segurá-lo no lugar.

“Por que você não teve medo de me tocar?”

Antes que Tessa pudesse responder, o celular de Malcolm tocou.

Ele escutou.

O rosto dele mudou.

“Chefe.”

Rafe se levantou.

“O quê?”

Malcolm olhou pra entrada da emergência.

“O atirador não estava mirando em você.”

Uma pausa.

“Ele estava mirando na June.”

E toda a luz no rosto de Rafe Calder se apagou.

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