O médico mal tinha terminado de me dizer que eu nunca poderia ter filhos quando meu pai fez a pergunta que finalmente me mostrou o que eu valia para ele.

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Chapter 4

Adrian decidiu não confrontar Voss imediatamente. “Se ele perceber que sabemos, vai se esconder atrás de gente que nem eu consigo alcançar,” explicou, guardando o diário num cofre.

Concordei, mesmo com o corpo inteiro pedindo respostas mais rápidas.

Enquanto isso, tentei focar no que estava ao meu alcance: as crianças.

Claire ainda mantinha distância, mas comecei a perceber pequenas rachaduras na armadura dela — um comentário sobre um livro que gostava, um olhar mais longo quando eu ajudava Lily com o dever de casa.

Noah, o mais quieto de todos, começou a se sentar perto de mim durante o jantar, sem dizer muito, mas presente.

Foi durante uma dessas noites tranquilas que o caos voltou a bater à porta.

Marta entrou na sala de jantar, pálida. “Senhor Cross, tem um homem na portaria dizendo que é pai da senhora Elena.”

Meu garfo caiu no prato.

Levantei antes que Adrian pudesse dizer qualquer coisa. “Eu cuido disso.”

“Não,” disse ele, firme. “Nós cuidamos.”

Meu pai esperava na entrada, o mesmo terno caro, o mesmo sorriso calculista que eu conhecia bem demais.

“Elena,” disse ele, como se não tivesse me vendido semanas antes. “Precisamos conversar sobre negócios.”

“Não temos negócios, Richard,” respondi, usando o primeiro nome de propósito.

Ele ignorou a provocação, virando-se para Adrian.

“Sr. Cross, os três milhões resolveram a dívida antiga, mas surgiram novos… imprevistos. Achei justo que renegociássemos os termos do acordo, considerando que agora você tem acesso a certas rotas que eu poderia facilitar.”

“Não há acordo nenhum além do casamento,” disse Adrian, a voz gelada. “E se você acha que pode usar minha esposa como moeda de troca de novo, está muito enganado.”

Meu pai sorriu, sem se abalar. “Sua esposa é apenas o começo de uma parceria muito mais lucrativa, se você for esperto.”

“Saia da minha propriedade,” disse Adrian.

Meu pai não se moveu imediatamente. Olhou para mim, os olhos frios e calculistas.

“Vocês dois vão precisar de mim,” disse ele. “Mais cedo ou mais tarde.”

Depois que ele foi embora, escoltado por dois seguranças, fiquei tremendo na entrada.

Adrian colocou a mão no meu ombro, gesto que ele raramente fazia.

“Ele não vai chegar perto de você de novo,” disse.

“Você não conhece meu pai.”

“Não,” concordou Adrian. “Mas conheço homens gananciosos. E eles sempre cometem o mesmo erro.”

“Qual erro?”

“Acham que ganância é a única coisa que os torna perigosos.”

Naquela mesma noite, recebemos a notícia de que um dos caminhões de carga tinha sido interceptado na fronteira — carga desviada, motorista desaparecido.

Adrian ficou horas ao telefone, a raiva crescendo a cada ligação.

Quando finalmente desligou, olhou para mim com uma certeza sombria.

“Voss sabia da rota,” disse ele. “Só ele e eu sabíamos.”

“O que isso significa?”

“Significa,” respondeu Adrian, “que meu maior inimigo esteve sentado à minha mesa de jantar durante anos.”

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