Toda mulher rejeitava o chefão da máfia por causa do tamanho dele — até uma enfermeira de guerra tratá-lo diferente

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Chapter 2

O corredor da emergência cheirava a álcool e chuva.

Rafe andava rápido demais para um homem que tinha acabado de levar um tiro, e Tessa teve que quase correr pra acompanhar o passo dele.

“Você não devia estar de pé,” ela disse.

“June.”

“Ela está sendo atendida. Gritar no corredor não vai acelerar nada.”

Ele parou de repente. Tão de repente que Tessa quase esbarrou nele.

“Alguém tentou matar minha irmã e você quer que eu fique calmo?”

“Eu quero que você não morra de hemorragia enquanto tenta salvar ela. São coisas diferentes.”

Malcolm apareceu no fim do corredor com o rosto tenso.

“Boss, o atirador fugiu. A polícia achou o rifle, mas ele sumiu antes do primeiro bloqueio.”

“Câmeras?”

“Analisando agora.”

Rafe fechou os olhos por um segundo. Só um. Depois abriu de novo, e o que Tessa viu ali não era mais o homem sentado no degrau da ambulância deixando ela cuidar dele. Era outra pessoa. Mais frio. Mais afiado.

“Quero saber quem sabia o trajeto do carro da June antes de eu saber.”

“Já comecei a lista.”

“Comece de novo. Dessa vez inclua as pessoas que você tem medo de incluir.”

Malcolm engoliu em seco e assentiu.

Tessa observou aquela troca em silêncio, entendendo, pela primeira vez, o tamanho real do mundo em que tinha acabado de entrar.

Uma enfermeira saiu do quarto de June.

“Família da paciente?”

“Sou eu,” Rafe disse, já se movendo.

“Ela está estável. Ferimento superficial no braço, perdeu bastante sangue mas vai ficar bem. Ela está perguntando por você.”

Rafe entrou no quarto sem esperar mais nada.

Tessa ficou pra trás, mas ele parou na porta e olhou pra ela.

“Vem.”

“Não sou da família.”

“Você é a pessoa que impediu ela de me ver sangrar até morrer no chão. Vem.”

Havia algo na voz dele que não era exatamente um pedido, mas também não era uma ordem. Era mais como se ele não soubesse formular aquilo de outro jeito.

Tessa entrou.

June estava pálida contra os lençóis brancos, o braço enfaixado, mas os olhos acesos.

“Aí está o homem que me deixou tomar um tiro sozinha,” ela disse, tentando sorrir.

“Você não devia estar brincando com isso.”

“E você não devia estar de pé com um buraco no corpo, mas aqui estamos.”

Rafe sentou na cadeira ao lado da cama, e pela primeira vez desde que Tessa o conhecia — o que fazia menos de duas horas — ele pareceu pequeno. Não fisicamente. Mas por dentro.

“Eu devia ter percebido,” ele disse baixo. “Devia ter sentido que tinha algo errado antes.”

“Rafe.”

“Se tivesse te colocado no meio do carro em vez de na ponta—”

“Rafe.” June segurou a mão dele com a mão boa. “Não foi sua culpa.”

Ele não respondeu. Só olhou pro chão, o maxilar duro, como se estivesse segurando alguma coisa muito maior do que cabia dentro dele.

Tessa ficou perto da porta, sentindo que estava assistindo algo que não devia ver — a fissura por trás da fortaleza. O homem que fazia salas inteiras de gente perigosa obedecer com três palavras, agora sentado numa cadeira de hospital plástica, com medo de ter falhado com a única pessoa que parecia importar de verdade.

“Precisa de mais alguma coisa?” a enfermeira perguntou da porta.

“Não,” June disse. “Só… deixa ele ficar.”

A enfermeira olhou pra Tessa, confusa com a presença dela ali, mas Tessa só balançou a cabeça e recuou em direção à porta.

Rafe percebeu o movimento.

“Onde você vai?”

“Meu plantão não acabou. Tem mais gente ferida lá fora além de vocês dois.”

Ele se levantou, ignorando a dor visível no rosto.

“Espera.”

“Rafe—”

“Só… espera.”

Ele atravessou o quarto até ela, e de repente o espaço entre os dois pareceu menor do que devia.

“Eu não sei seu primeiro nome,” ele disse.

“Tessa.”

“Tessa.” Ele repetiu como se estivesse guardando a palavra em algum lugar. “Obrigado.”

“Eu só fiz meu trabalho.”

“Não foi só isso.” Os olhos dele desceram brevemente pra mão dela de novo — aquela mesma mão que tinha empurrado o peito dele pra ele sentar, sem hesitar, sem medo. “A maioria das pessoas trava quando me olha. Você não travou.”

“Eu trato baleados toda semana. Você não é o primeiro homem grande e assustador que já vi sangrando numa maca.”

“Mas sou o primeiro que te deixou confiscar o celular dele.”

Um risinho quase escapou dela antes que conseguisse segurar.

“Isso foi só bom senso médico.”

“Foi,” ele concordou. Mas o jeito como ele olhou pra ela dizia que ele não achava que fosse só isso.

Malcolm apareceu de novo na porta, o rosto ainda mais tenso do que antes.

“Boss. Precisa ver uma coisa. Agora.”

Rafe olhou pra June, depois pra Tessa, como se estivesse dividido entre dois mundos que não deveriam se tocar.

“Vai,” Tessa disse. “Sua irmã tá segura aqui dentro.”

Ele hesitou por mais um segundo. Depois assentiu e seguiu Malcolm pro corredor.

Tessa ficou parada ali por um momento, sentindo o coração bater mais rápido do que devia depois de um plantão daquele tamanho.

No corredor, do lado de fora, Malcolm mostrou o celular pra Rafe. Um vídeo de segurança. Granulado, mas claro o suficiente.

Rafe olhou pra tela por três segundos.

Depois, pela primeira vez naquela noite inteira, o sangue sumiu completamente do rosto dele.

“Isso não é possível.”

“É o que a câmera mostra, boss.”

Rafe olhou pro corredor, na direção do quarto onde June dormia e onde Tessa ainda estava.

E sussurrou um nome que fez até Malcolm — um homem que já tinha visto de tudo — ficar em silêncio.

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