Chapter 2
Vittorio ficou parado, olhando para Dominic, o ar da sala parecendo mais pesado a cada segundo.
— O que exatamente o Carlos te disse? — perguntou Vittorio, a voz baixa, controlada.
Dominic engoliu em seco, os olhos indo de Vittorio para Elena e de volta.
— Ele disse que um carregamento sumiu na terça de manhã, no armazém do porto. Disse que o Matteo era o único que tinha acesso naquele horário. Mandou eu descobrir o que o garoto sabia.
— E você decidiu que a irmã dele também sabia.
— Eu… — Dominic hesitou. — Eu achei que ela podia estar escondendo ele.
— Então você bateu numa mulher inocente baseado no que o Carlos disse. — A voz de Vittorio ficou perigosamente calma. — Você nunca pensou em verificar antes?
Dominic baixou a cabeça.
— Não, chefe.
Elena deu um passo à frente, os braços ainda cruzados, mas a postura mudando — de defesa para atenção total.
— Espera. Vocês estão dizendo que o Carlos inventou essa história do roubo?
Vittorio olhou para ela.
— Ainda não sabemos. Mas seu irmão viu alguma coisa que colocou ele em perigo. Isso eu sei.
Ele se virou para Dominic.
— Onde está o Carlos agora?
— Não sei, chefe. Ele sumiu depois de mandar eu atrás do Matteo.
Vittorio pegou o telefone pela terceira vez.
— Encontrem o Carlos Ibarra. Tragam ele vivo. Eu quero perguntas respondidas antes de qualquer coisa acontecer com ele.
Ele desligou e olhou para Dominic.
— Você vai ficar aqui, sob vigia, até eu decidir o que fazer com você.
— Chefe, eu juro que não sabia que ela era inocente.
— Isso não muda o que você fez com as mãos dela. — Vittorio fez sinal para os dois homens perto da porta. — Levem ele.
Dominic foi retirado da sala sem mais palavras, o rosto ainda pálido.
Vittorio se virou para Elena, que continuava parada no meio da sala, tentando processar tudo que tinha acabado de ouvir.
— Sente-se agora — disse ele, mais suave dessa vez. — Por favor.
Dessa vez, ela sentou.
Vittorio serviu um copo de água e colocou na frente dela.
— Seu irmão trabalhava no armazém do porto. Fazia quanto tempo?
— Dois meses, mais ou menos. Ele disse que era só carregar e descarregar caixas. Precisava do dinheiro pra pagar a faculdade.
— Ele mencionou alguma coisa estranha nas últimas semanas? Algo fora do normal?
Elena pensou, franzindo a testa.
— Ele estava mais quieto. Chegava tarde em casa, não queria falar sobre o trabalho. Eu perguntei se estava tudo bem, e ele só dizia que sim.
— E na segunda-feira à noite? A noite antes de desaparecer?
Elena hesitou.
— Ele me ligou. Falou rápido, nervoso. Disse que tinha visto uma coisa que não devia ter visto, e que ia resolver sozinho, que eu não precisava me preocupar.
Vittorio se inclinou para frente.
— Ele disse o quê exatamente ele viu?
— Não. Ele desligou antes que eu perguntasse. Foi a última vez que falei com ele.
Silêncio pesado tomou conta da sala.
Vittorio observou o rosto de Elena, a determinação misturada com medo genuíno, e algo dentro dele — algo que ele mantinha trancado havia décadas — se moveu de um jeito que ele não reconhecia.
— Eu vou encontrar seu irmão — disse ele.
— Por que você se importa? — perguntou Elena, os olhos desconfiados. — Você nem me conhecia até uma hora atrás.
Vittorio ficou em silêncio por um momento, escolhendo as palavras com cuidado.
— Porque um dos meus homens machucou uma mulher inocente em nome dessa organização. E porque, seja o que for que Matteo viu, aconteceu dentro do que eu controlo. Isso é problema meu tanto quanto é seu.
Ele não disse a segunda razão, a que ele mesmo mal conseguia admitir: havia algo na coragem dela, parada ali de pé na frente dele horas atrás, exigindo respostas sem medo do que ele representava, que Vittorio não conseguia esquecer.
O telefone dele vibrou. Uma mensagem de um dos homens.
Ele leu, e a expressão dele mudou.
— O que foi? — perguntou Elena, percebendo a mudança imediatamente.
Vittorio guardou o telefone devagar.
— Encontraram o carro do Carlos. Abandonado perto do porto. Com sangue no banco do motorista.
Elena levou a mão à boca.
— E o Matteo?
Vittorio olhou para ela, e pela primeira vez desde que ela tinha entrado naquele escritório, sua voz carregava algo parecido com incerteza.
— Ainda não sabemos.
