Traga ela até mim, ele ordenou — e foi aí que o chefe da máfia viu o rosto machucado dela e perdeu o controle.

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Chapter 3

Vittorio não perdeu tempo. Chamou dois dos homens mais confiáveis e saiu direto para o porto, Elena insistindo em ir junto apesar dos protestos dele.

— Você não devia estar aqui — disse Vittorio, enquanto o carro cortava as ruas molhadas de chuva.

— É meu irmão. Eu não vou ficar esperando em casa.

Vittorio não discutiu mais. Havia algo na determinação dela que ele reconhecia — a mesma teimosia que ele próprio carregava desde jovem.

O armazém do porto estava escuro quando chegaram, apenas uma lâmpada fraca piscando na entrada. O carro de Carlos ainda estava lá, cercado por dois homens de Vittorio, o banco do motorista manchado de sangue seco.

— Vasculhem tudo — ordenou Vittorio. — Cada contêiner, cada sala.

Elena caminhou até o carro, tocando a porta com mão trêmula.

— Isso é muito sangue pra só um corte.

— Não necessariamente — disse Vittorio, tentando manter a voz firme, embora ele soubesse que ela tinha razão em se preocupar.

Um dos homens gritou do fundo do armazém.

— Chefe! Achamos alguma coisa!

Vittorio e Elena correram na direção da voz. Encontraram um pequeno escritório escondido atrás de pilhas de caixas, a porta arrombada.

Dentro, amarrado a uma cadeira, estava Matteo — vivo, mas com um corte no lábio e um olho inchado, os pulsos vermelhos de tanto se debater contra as cordas.

— Matteo! — Elena correu até ele, as mãos tremendo enquanto desfazia os nós.

— Elena? — A voz dele saiu rouca, confusa. — Como você…

— Depois eu explico. Você está bem? O que aconteceu?

Matteo olhou para Vittorio, o medo estampado no rosto.

— Quem é ele?

— Ele está tentando ajudar — disse Elena, ainda trabalhando nas cordas. — Matteo, o que você viu? Por que o Carlos fez isso com você?

Matteo respirou fundo, os olhos passeando entre a irmã e o homem estranho parado atrás dela.

— Eu vi o Carlos entregando caixas pra um cara que não trabalha aqui. Não era carga normal. Eram armas, Elena. Um monte de armas, escondidas dentro de caixas marcadas como equipamento de pesca.

Vittorio se aproximou, a expressão endurecendo.

— Você viu o rosto desse homem?

Matteo hesitou, olhando de novo para Vittorio com desconfiança.

— Ele trabalha pra você.

— Nome.

— Eu não sei o nome dele. Mas eu já vi ele antes. Na festa que vocês fizeram no mês passado, na mansão.

Vittorio ficou paralisado por um instante. Poucas pessoas tinham acesso àquela festa — apenas o círculo mais próximo dele.

— Descreva ele.

— Alto. Cabelo grisalho nas laterais. Tinha uma cicatriz aqui — Matteo apontou para a própria sobrancelha.

O sangue de Vittorio gelou.

Só uma pessoa em toda a organização correspondia àquela descrição.

Rafael Contti. O braço direito de Vittorio havia quinze anos. O homem que ele confiava mais do que a qualquer outro, o homem que tinha ficado ao lado dele desde antes de assumir o comando da família.

— Tem certeza? — perguntou Vittorio, a voz quase um sussurro.

— Absoluta — disse Matteo. — Ele que mandou o Carlos me prender aqui. Disse que eu tinha visto demais e que precisavam decidir o que fazer comigo.

Elena olhou para Vittorio, percebendo a mudança no rosto dele — a primeira rachadura verdadeira que ela tinha visto na armadura dele desde que se conheceram.

— Vittorio? Você conhece esse homem?

Vittorio levou um momento para responder, a mente correndo por quinze anos de lealdade que agora pareciam suspeitos demais para serem verdadeiros.

— Conheço — disse ele, finalmente. — Melhor do que conheço a mim mesmo, eu pensava.

Um dos homens de Vittorio apareceu na porta do escritório, ofegante.

— Chefe. Achamos o Carlos.

— Onde?

— Morto. Atrás do terceiro contêiner. Um tiro na nuca.

O silêncio que se seguiu foi absoluto.

Vittorio entendeu, com uma clareza gélida, que Rafael não tinha apenas traído a organização — ele tinha eliminado a única testemunha que poderia apontar diretamente para ele.

E agora, com Matteo vivo e falando, a próxima pessoa na lista de Rafael para silenciar era exatamente o garoto que Elena segurava nos braços.

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