Chapter 5
Alessandro apareceu na porta da sala de jantar, o rosto pálido, sangue escorrendo de um corte na testa.
— Eles estão no saguão — ele disse, ofegante. — Conseguimos conter na portaria, mas são muitos, Marcus. Mais do que esperávamos.
— Quantos homens temos aqui agora? — Marcus já estava se movendo, me puxando pelo braço para trás dele com uma força protetora que eu nunca tinha sentido antes.
— Quatro, incluindo eu.
— Não é suficiente. — Marcus praguejou baixinho em italiano. — Elena, escuta com atenção. Existe um quarto seguro atrás da estante da biblioteca. Você vai entrar lá e vai trancar a porta, e não vai sair até eu ir te buscar pessoalmente. Entendeu?
— Eu não vou te deixar sozinho lá embaixo enquanto…
— Elena. — O jeito que ele disse meu nome cortou todo o meu argumento. Havia um desespero ali que eu nunca tinha ouvido antes. — Por favor. Eu já perdi controle de muita coisa nesta noite. Não me faça perder você também.
As palavras dele quebraram alguma coisa dentro de mim, e eu assenti, deixando ele me guiar apressadamente até a biblioteca.
Ele empurrou um painel escondido atrás de uma estante de livros antigos, revelando um pequeno cômodo reforçado com paredes de aço, quase invisível a menos que você soubesse exatamente onde procurar.
— Marcus — falei, segurando o braço dele antes que ele pudesse se afastar. — Se alguma coisa acontecer lá embaixo…
— Nada vai acontecer.
— Se alguma coisa acontecer — insisti, a voz tremendo —, eu preciso que você saiba que esses três anos, eu não fiquei aqui só porque tinha medo. Fiquei porque, mesmo com todo o silêncio, alguma parte de mim sempre esperou que um dia você olhasse para mim do jeito que está olhando agora.
Alguma coisa quebrou no rosto dele. Ele deu um passo à frente, as mãos subindo para segurar meu rosto com uma delicadeza impossível de conciliar com o homem que carregava uma arma na cintura.
— Quando isso acabar — ele sussurrou, a testa encostando na minha —, eu vou passar o resto da vida compensando cada noite que te deixei sozinha nesta casa.
Ele me beijou então, e não foi como o beijo frio e vazio do nosso casamento. Foi desesperado, urgente, cheio de tudo que ele tinha guardado por três anos.
O som de tiros lá embaixo nos separou.
— Vai — ele disse, empurrando-me suavemente para dentro do quarto seguro. — Tranca a porta. Prometo que volto.
A porta de aço se fechou com um clique pesado, e eu fiquei sozinha no escuro, o coração disparado, ouvindo os sons abafados de caos vindos de algum lugar abaixo de mim.
Os minutos se arrastaram como horas. Contei cada segundo, cada batida do meu coração, cada som distante que podia ser um tiro, um grito, o fim de tudo.
Então, silêncio.
Um silêncio tão completo e tão longo que era pior do que qualquer barulho de luta.
Encolhida no canto daquele quarto minúsculo, sussurrei uma prece que não fazia desde criança, pedindo que aquele silêncio significasse vitória, e não perda.
Passos se aproximaram da porta, lentos, arrastados.
— Elena. — A voz de Marcus, rouca e exausta, mas viva. — Sou eu. Pode abrir.
Destranquei a porta com mãos trêmulas e a joguei para trás dele, sem me importar com nada além de vê-lo com meus próprios olhos.
Ele estava lá, o terno rasgado, um corte sangrando no braço, mas de pé, respirando, vivo.
Me joguei nos braços dele sem pensar, e ele me abraçou com uma força que dizia tudo que as palavras ainda não conseguiam.
— Salazar? — perguntei contra o peito dele.
— Neutralizado. — A voz dele era pesada. — Ele não vai incomodar você nunca mais.
— E o quê isso significa?
Marcus se afastou o suficiente para olhar nos meus olhos, e o que vi ali era exaustão, mas também algo novo: um homem finalmente livre de um fantasma que o assombrava havia anos.
— Significa que, pela primeira vez em muito tempo, você e eu podemos começar de novo. De verdade, dessa vez.
