A luz da manhã mal tinha chegado ao meu apartamento minúsculo em Portland quando a mulher no meu sofá olhou para a minha blusa de moletom, depois voltou o olhar pra mim com medo nos olhos.

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Chapter 5

Fechamos a cafeteria por três dias, o maior aviso de “estabelecimento fechado temporariamente” que eu já tinha pendurado na porta.

A viagem até Seattle levou pouco mais de três horas de carro, e o silêncio dentro do veículo era pesado o suficiente pra cortar.

Rebecca ficou olhando pela janela a maior parte do caminho, as mãos apertadas uma na outra no colo.

— Você não precisa fazer isso comigo — disse ela, em algum ponto perto da fronteira do estado.

— Eu sei que não preciso.

Não completei a frase, mas ela entendeu de qualquer jeito.

Chegamos ao banco pouco antes do horário de fechamento, e Rebecca entrou sozinha, insistindo que seria mais rápido e menos chamativo assim.

Eu fiquei esperando no carro, os olhos fixos em cada pessoa que passava pela rua, o coração acelerado demais pra qualquer conversa comigo mesmo.

Ela voltou vinte minutos depois, um envelope pardo grosso escondido dentro da bolsa, o rosto tenso mas determinado.

— Consegui.

— Vamos sair daqui.

Foi quando o carro preto apareceu no retrovisor.

— Ethan.

A voz dela saiu num sussurro apavorado.

— Eu vi.

Acelerei, cortando por duas ruas que eu mal conhecia, tentando lembrar de qualquer coisa que tivesse visto no mapa antes de sair de Portland.

O carro preto continuou atrás de nós, mantendo distância, mas nunca desaparecendo.

— Pra onde a gente vai? — perguntei, a respiração pesada.

— Delegacia central. Fica a uns dez minutos, se você pegar a próxima à direita.

Segui as instruções dela, o coração martelando tão forte que eu sentia nos ouvidos.

O carro preto se aproximou mais, quase colando no nosso para-choque, e por um segundo terrível achei que ia bater na gente de propósito.

Então, de repente, ele desviou pra uma rua lateral e sumiu.

Não relaxamos nem por um segundo.

Chegamos à delegacia ofegantes, o envelope apertado contra o peito de Rebecca como se fosse a última coisa que a mantinha de pé.

Dentro, um detetive de meia-idade chamado Hargrove nos recebeu numa sala pequena, ouvindo tudo em silêncio enquanto Rebecca espalhava os documentos sobre a mesa.

— Isso é sério — disse ele, folheando as páginas com uma expressão cada vez mais séria. — Muito sério. Se isso for autêntico, temos o suficiente aqui pra abrir uma investigação federal.

— Ele tem gente dentro da polícia — avisou Rebecca. — Foi por isso que eu nunca vim antes.

— Não dentro dessa delegacia, senhorita Lawson. E, com todo esse material, vamos garantir que ele não chegue nem perto de você enquanto isso for processado.

Foi nesse momento que o celular do detetive tocou.

Ele atendeu, ouviu por alguns segundos, e o rosto dele endureceu.

— Tem certeza?

Uma pausa.

— Mantenham a área isolada. Estou levando as duas testemunhas pra um lugar seguro agora mesmo.

Ele desligou e olhou pra nós dois, a expressão grave.

— Um homem correspondendo à descrição de Victor Kade acabou de ser visto entrando no prédio do outro lado da rua.

O sangue gelou nas minhas veias.

— Ele está aqui?

— Ele está vindo atrás de vocês dois, agora, neste exato momento.

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