Cinquenta mil dólares por três meses de trabalho parecia a salvação da minha vida, até eu descobrir que o serviço era cuidar, dar banho e reabilitar um chefe da máfia preso a uma cadeira de rodas

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Chapter 2

Os primeiros dias na propriedade dos Pascale me ensinaram uma coisa rápido: Massimo não tinha nenhuma intenção de cooperar com o próprio tratamento.

— Vamos tentar de novo — eu disse, na segunda manhã, ajustando as barras paralelas na sala que tinham transformado num centro de reabilitação improvisado.

— Não.

— Você nem tentou.

— Eu já sei como vai terminar.

Cruzei os braços.

— Então prove que eu estou errada.

Ele me encarou por um longo instante, como se estivesse decidindo se valia a pena discutir ou simplesmente me ignorar até eu desistir, como as outras três antes de mim.

Mas eu não tinha para onde ir.

Ele se apoiou nas barras, tremendo, e eu vi o exato momento em que o orgulho dele lutou contra o corpo que não obedecia mais.

Ele durou onze segundos antes de cair de volta na cadeira.

— Satisfeita? — ele perguntou, a voz rouca de raiva.

— Onze segundos a mais do que ontem.

Ele não respondeu, mas alguma coisa no rosto dele mudou.

Os dias seguintes seguiram o mesmo padrão: ele resistia, eu insistia, ele cedia um centímetro, e fingia que não tinha cedido nada.

Aprendi a ler os guardas da casa também.

Eles não olhavam para Massimo como empregados olham para um patrão.

Olhavam como quem vigia algo frágil que precisa ser protegido de longe — e, às vezes, protegido dele mesmo.

Uma noite, ao passar pelo corredor perto do escritório, ouvi vozes abafadas.

— Ele não pode saber disso ainda — disse um homem que eu não reconheci.

— Ele vai descobrir — respondeu outra voz, mais baixa, mais familiar.

Parei no escuro, sem coragem de me mexer.

— Se ele descobrir antes da hora, tudo desmorona — disse o primeiro homem.

Não entendi do que estavam falando, mas entendi o suficiente para saber que não era sobre mim.

Voltei para o meu quarto com o coração acelerado e uma pergunta que não conseguia largar: o que exatamente tinham escondido de Massimo sobre o próprio acidente?

Na manhã seguinte, tentei agir como se nada tivesse acontecido.

Massimo, é claro, notou.

— Você está estranha hoje.

— Estou cansada.

— Mentirosa.

Eu quase sorri, apesar de mim mesma.

— Você também é grosseiro, então estamos empatados.

Ele riu — de verdade, dessa vez, um som curto e rouco que parecia desacostumado a sair dele.

— Ninguém fala comigo assim há muito tempo.

— Talvez porque ninguém aguenta o suficiente pra continuar tentando.

— E você aguenta?

Encarei-o.

— Ainda não decidi.

Alguma coisa mudou entre nós naquele instante — não confiança, ainda não, mas uma trégua silenciosa.

Continuamos o exercício do dia, e ele durou dezoito segundos nas barras.

— Está melhorando — eu disse.

— Ou você está mentindo pra me manter motivado.

— As duas coisas podem ser verdade.

Foi então que Camila apareceu na porta, o rosto tenso de um jeito que eu nunca tinha visto antes.

— Tessa, posso falar com você um minuto?

Segui-a até o corredor, e ela fechou a porta atrás de nós.

— O que foi? — perguntei.

Ela hesitou, olhando por cima do ombro antes de responder.

— Preciso que você preste atenção em qualquer coisa estranha que Massimo disser sobre a noite do acidente.

Meu estômago gelou.

— Por quê?

Camila não respondeu direito.

— Só… me avise. É importante.

E antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa, ela já tinha ido embora, deixando um silêncio pesado atrás de si — e a certeza de que a história daquele acidente era bem mais complicada do que qualquer um tinha me contado.

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