Cinquenta mil dólares por três meses de trabalho parecia a salvação da minha vida, até eu descobrir que o serviço era cuidar, dar banho e reabilitar um chefe da máfia preso a uma cadeira de rodas

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Chapter 5

Não dormi naquela noite.

Fiquei sentada na cama, olhando para o bilhete, decidindo se contava a Massimo ou guardava só para mim, como uma tentativa inútil de me proteger fingindo que nada tinha acontecido.

Decidi contar.

Ele leu o bilhete duas vezes antes de amassar o papel na mão com uma força que eu não sabia que ele ainda tinha.

— Quem entrou no seu quarto?

— Eu não sei.

— Alguém dessa casa te ameaçou, e eu vou descobrir quem foi.

— Massimo, você mal consegue ficar de pé sozinho. O que você vai fazer, exatamente?

Foi cruel da minha parte, e eu me arrependi no instante em que as palavras saíram.

Mas ele não recuou.

— Eu vou usar a única coisa que ainda funciona em mim: a cabeça.

Naquela tarde, ele chamou os guardas de confiança, um por um, e fez perguntas que eu não tinha permissão para ouvir.

À noite, ele me chamou ao escritório.

— Enzo está vindo aqui amanhã. Vou colocar ele à prova.

— Como?

— Vou dizer que descobri quem sabotou meu carro. Vou ver como ele reage.

— Isso é perigoso.

— Tudo nessa família é perigoso, Tessa. A pergunta é: você fica ou vai embora antes que a coisa aconteça?

Ele estava me dando uma saída.

Eu deveria ter aceitado.

— Eu fico.

Alguma coisa passou pelos olhos dele — surpresa, talvez gratidão, talvez algo mais que nenhum dos dois estava pronto para nomear.

No dia seguinte, Enzo chegou ao meio-dia, sorridente, cumprimentando os guardas como quem já se sente dono de tudo aquilo.

Ele nem olhou direito para mim.

Isso, de alguma forma, me deixou mais nervosa ainda.

Massimo o recebeu na sala principal, eu posicionada perto da porta, como se estivesse ali apenas para cuidados médicos de rotina.

— Soube que você anda perguntando sobre a noite do acidente — Enzo disse, ainda sorrindo.

— Precisava fechar algumas pontas soltas.

— E fechou?

— Quase todas.

O sorriso de Enzo vacilou por meio segundo — tempo suficiente para eu perceber, e acho que suficiente para Massimo perceber também.

— Os freios não falharam sozinhos, Enzo.

A sala ficou em silêncio absoluto.

— Você está me acusando de alguma coisa? — Enzo perguntou, a voz mais fria agora.

— Estou te dando a chance de explicar antes que eu leve isso para o resto da família.

Enzo olhou para mim, pela primeira vez, com um desprezo que me gelou o sangue.

— Ela devia ficar fora disso.

— Ela está aqui porque eu confio nela mais do que confio em você.

O ar da sala pareceu ficar mais pesado a cada palavra.

Enzo deu um passo à frente, e um dos guardas se moveu instintivamente, mão perto do casaco.

— Você não tem provas — Enzo disse, por fim.

— Ainda não.

Foi a palavra “ainda” que fez Enzo sair da sala sem se despedir, deixando atrás de si uma tensão que nenhum de nós sabia como desfazer.

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