Cinquenta mil dólares por três meses de trabalho parecia a salvação da minha vida, até eu descobrir que o serviço era cuidar, dar banho e reabilitar um chefe da máfia preso a uma cadeira de rodas

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Chapter 6

Duas noites depois, alguém tentou entrar no quarto de Massimo.

Acordei com o som de vidro quebrando e corri pelo corredor descalça, o coração martelando mais rápido do que eu conseguia pensar.

Encontrei dois guardas dominando um homem no chão, um homem que eu reconheci: o motorista do carro que tinha visto no portão.

Massimo estava na cadeira, encostado na parede, pálido, mas vivo.

— Você está bem? — perguntei, ajoelhando na frente dele, as mãos tremendo enquanto verificava se havia algum ferimento.

— Estou bem. Ele não chegou perto o suficiente.

Só depois que os guardas levaram o homem embora foi que percebi que eu ainda segurava a mão de Massimo com força, como se tivesse medo de soltar.

Ele não puxou a mão de volta.

Na manhã seguinte, a notícia já tinha se espalhado pela casa inteira: Enzo tinha fugido durante a noite, antes mesmo de o ataque falhar.

Isso, mais do que qualquer confissão, foi a prova que faltava.

O patriarca da família — o pai de Massimo e Enzo, um homem que eu quase nunca via — chamou uma reunião fechada.

Não fui convidada, mas Massimo insistiu que eu ficasse por perto.

Quando ele saiu daquela sala, horas depois, parecia mais leve, como se um peso enorme tivesse finalmente saído dos ombros dele.

— Está resolvido? — perguntei.

— Tanto quanto pode estar. Enzo nunca mais vai colocar os pés perto dessa família.

— E você está bem com isso?

Ele ficou em silêncio por um momento.

— Eu passei três meses tentando entender por que alguém quis me matar. Descobrir que foi meu próprio irmão… não existe “bem” nisso. Só existe seguir em frente.

Nas semanas seguintes, algo mudou entre nós, devagar, sem alarde.

Ele parou de resistir aos exercícios.

Começou a me esperar, de manhã, já sentado nas barras antes mesmo de eu entrar na sala.

— Impressionado com a minha disciplina? — ele perguntou, um dia, com um meio sorriso que já não parecia mais estranho no rosto dele.

— Impressionada que você finalmente entendeu que eu estava certa o tempo todo.

— Não exagera.

Mas ele estava sorrindo de verdade.

No fim do segundo mês, ele deu os primeiros passos sem apoio nenhum, só ele e a força das próprias pernas, atravessando os quatro metros da sala enquanto eu segurava a respiração do outro lado.

Quando ele chegou até mim, não parou.

Ficou ali, perto o suficiente para que o silêncio entre nós dissesse tudo o que nenhum dos dois tinha coragem de falar em voz alta.

— Você fez isso — ele disse, baixinho.

— Você fez isso. Eu só estava aqui pra lembrar você de que ainda era capaz.

Quando os três meses terminaram, Camila apareceu com os papéis finais, o pagamento completo, e a pergunta óbvia sobre se eu ia voltar para Boston, para o meu doutorado, para a vida que eu tinha antes.

Massimo não me pediu para ficar.

Ele só disse:

— A porta está aberta, se você quiser continuar entrando por ela.

Eu entrei no programa de doutorado três semanas depois, com a mensalidade paga, o histórico intacto, e um endereço novo salvo no meu celular — um endereço que eu visitava toda sexta-feira, sem falta, e no qual, aos poucos, deixei de contar os dias até ir embora.

Às vezes a coisa mais perigosa da nossa vida não é a pessoa que todo mundo teme.

É a pessoa que, sem querer, te ensina a não ter mais tanto medo de si mesma.

Você já teve uma experiência em que o que parecia o maior risco da sua vida acabou sendo, na verdade, o que mais te salvou?

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