Cinquenta mil dólares por três meses de trabalho parecia a salvação da minha vida, até eu descobrir que o serviço era cuidar, dar banho e reabilitar um chefe da máfia preso a uma cadeira de rodas

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Chapter 4

Não contei a Massimo sobre o carro.

Contei a Camila.

Ela ficou em silêncio por tempo demais antes de responder.

— Descreve o rosto de novo.

Descrevi.

Ela fechou os olhos, como se já soubesse a resposta antes de eu terminar.

— Isso é o motorista do Enzo.

— Quem é Enzo?

— O irmão de Massimo.

O mesmo nome que tinha saído da boca dele na tarde anterior.

— Camila, o que está acontecendo?

Ela olhou para os lados antes de falar, baixinho.

— A noite do acidente não foi um acidente, Tessa.

Meu coração bateu mais forte.

— Como você sabe disso?

— Porque eu vi o relatório que a polícia nunca recebeu. Os freios do carro de Massimo foram sabotados. Alguém queria que ele morresse naquela estrada.

— E você acha que foi o irmão dele?

— Eu acho que alguém na família está protegendo Enzo há três meses, e eu não sei até onde essa proteção vai.

Fiquei olhando para ela, tentando processar o peso daquilo.

— Por que você está me contando isso?

— Porque você é a única pessoa nessa casa que não tem lado nenhum. E porque, se Enzo perceber que você sabe de alguma coisa, você vira um problema pra ele.

A palavra “problema” ficou suspensa no ar como uma sentença.

Naquela noite, tentei agir normal perto de Massimo, mas ele notou de novo.

— Você está com medo de alguma coisa.

— Não estou.

— Tessa.

Foi a primeira vez que ele disse meu nome sem nenhum tom de deboche.

Isso me desarmou mais do que qualquer discurso teria feito.

— Eu vi um carro ontem à noite, perto do portão. O motorista parecia ser de Enzo.

O rosto de Massimo endureceu.

— O que ele estava fazendo aqui?

— Eu não sei.

Massimo bateu a mão na roda da cadeira, frustrado com a própria impotência.

— Eu odeio isso. Eu odeio não conseguir me levantar e resolver as coisas com as próprias mãos.

— Você vai conseguir de novo.

— E se eu não conseguir a tempo?

A pergunta ficou entre nós, pesada, sem resposta fácil.

Na manhã seguinte, encontrei um bilhete dobrado dentro da minha maleta de trabalho, algo que definitivamente não estava ali antes.

Abri com as mãos tremendo.

Continue fazendo seu trabalho e esquecendo o que você viu. Isso é um aviso, não um pedido.

Sem assinatura.

Não precisava de uma.

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