Desculpa, querida. Ele era simplesmente tentador demais.

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Chapter 2

Daniel me puxou pelo braço antes que eu conseguisse dar mais um passo pra longe.

— Você vem comigo.

Não era um pedido.

Ele me levou por uma porta lateral do salão, atravessando um corredor decorado com quadros que provavelmente valiam mais do que qualquer apartamento em que eu já tinha morado, até chegarmos a um escritório com paredes forradas de livros que eu duvidava que ele lesse.

Assim que a porta se fechou, ele se virou pra mim, a raiva contida transformando cada palavra numa lâmina.

— Você tem exatamente dez segundos pra me explicar por que acabou de me humilhar na frente de duzentas pessoas.

Meu coração martelava, mas eu não podia deixar isso transparecer.

— Eu salvei sua vida.

Ele riu, um som seco, sem nenhum humor.

— Salvou minha vida.

— A taça que você ia beber estava envenenada.

Isso o fez parar.

— Do que você está falando?

— Eu vi Katherine trocar as taças perto da mesa de champanhe. Vi um resíduo metálico na borda da que ela colocou onde você sempre pega primeiro. Não tive tempo de avisar, então fiz a única coisa que consegui pensar rápido o suficiente pra impedir você de beber aquilo.

Daniel me observou por um longo momento, os olhos escuros procurando alguma mentira na minha expressão.

— Você espera que eu acredite que uma cerimonialista percebeu um envenenamento no meio de uma festa lotada, quando meus próprios seguranças não perceberam nada?

— Eu não esperava que você acreditasse em nada. Só não queria te ver morto.

— Ninguém arrisca a própria reputação assim por um estranho, Emily. Nem por acaso, nem por bondade.

Ele se aproximou, o suficiente pra eu sentir o cheiro de uísque e alguma colônia cara.

— Quem é você de verdade?

Minha mente correu por uma dúzia de mentiras possíveis, mas nenhuma delas parecia boa o suficiente pra alguém tão acostumado a farejar traição quanto ele.

— Sou exatamente quem eu disse que era — falei, mantendo a voz firme. — Uma cerimonialista que percebeu algo errado e agiu antes de pensar direito nas consequências.

— Mentira.

Ele disse aquilo com uma certeza tranquila que me deixou gelada.

— Você se move diferente das outras pessoas nessa casa. Percebi isso desde o primeiro dia. Você observa mais do que fala.

— Talvez eu só seja boa no meu trabalho.

— Talvez.

Ele não pareceu convencido nem um pouco.

— Vou mandar analisar os cacos daquela taça. Se você estiver certa sobre o veneno, vou querer saber como você viu algo que ninguém mais viu. E se estiver errada…

Ele deixou a ameaça pendurada no ar, sem terminar a frase.

— Katherine vai negar tudo — falei. — Vai dizer que eu inventei isso pra me livrar do escândalo que causei.

— Provavelmente vai.

— E você vai acreditar nela?

Ele me olhou por um longo momento, algo indecifrável cruzando aquele rosto que, até minutos atrás, eu só tinha visto de longe, sempre calmo, sempre no controle.

— Vou acreditar no resultado do laboratório.

Um segurança bateu na porta e entrou sem esperar resposta, um saquinho plástico transparente na mão contendo os cacos da taça quebrada.

— Recolhi tudo que consegui do chão, senhor.

Daniel pegou o saco, examinando os fragmentos contra a luz.

— Mande analisar hoje ainda. Prioridade máxima.

O segurança assentiu e saiu, deixando os dois sozinhos de novo.

— Enquanto isso — disse Daniel, virando-se pra mim —, você vai ficar perto de mim. Onde eu possa te vigiar.

— Isso não é necessário.

— Não é um convite, Emily.

Ele se aproximou mais um passo, a voz baixando até quase um sussurro.

— Se você mentiu pra mim, vai desejar nunca ter entrado nessa casa. E se disse a verdade…

Ele parou, os olhos percorrendo meu rosto de um jeito que fez meu estômago revirar por motivos completamente diferentes do medo.

— Então eu devo minha vida a uma mulher que eu ainda não sei quem é de verdade.

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