Chapter 4
Consegui escapar do escritório de Daniel sob o pretexto de “verificar os fornecedores da festa”, e assim que estive sozinha num corredor vazio, liguei pro meu pai.
Ele atendeu no primeiro toque, como sempre.
— Explica isso agora.
— Eu evitei um assassinato — falei, baixo, olhando pros dois lados do corredor. — A noiva dele tentou envenenar Daniel Ashford. Se eu não tivesse agido, ele estaria morto agora, e a organização inteira dele estaria em guerra por sucessão.
Um silêncio longo do outro lado da linha.
— E por que isso é problema meu?
— Porque você me disse pra observar, não pra deixar ele morrer sem eu saber quem se beneficiaria com isso.
Meu pai riu, um som frio que eu conhecia bem demais.
— Você o salvou.
— Salvei.
— Interessante escolha, filha. Considerando que a morte dele resolveria muitos dos nossos problemas de uma vez.
Meu sangue gelou.
— Do que você está falando?
— Katherine Porter trabalha pra mim há oito meses.
As palavras caíram sobre mim como um balde de água gelada.
— O quê?
— Eu a recrutei logo depois que ela começou a namorar Daniel. Ela concordou em eliminar ele em troca de proteção e de uma parte considerável do império dele, depois que a poeira baixasse. Você, minha filha, estava lá só pra confirmar que o trabalho tinha sido feito, não pra atrapalhar.
Minhas pernas quase cederam.
— Você mandou matar ele e me colocou lá dentro sem me contar nada?
— Achei que você fosse profissional o suficiente pra não precisar de detalhes desnecessários.
— Eu não sabia que estava trabalhando ao lado da própria noiva dele!
— E agora sabe. A questão é: o que você vai fazer com essa informação?
Fechei os olhos, tentando processar a traição em camadas — meu pai, Katherine, a organização inteira que eu achava que conhecia.
— Vou continuar minha missão — falei, finalmente, escolhendo as palavras com cuidado. — Mas do meu jeito.
— Seu jeito quase custou a vida do homem que você deveria estar ajudando a eliminar.
— Ele ainda está vivo, e agora sabe que existe um traidor perto dele. Isso muda tudo.
— Isso complica tudo, você quer dizer.
Meu pai ficou em silêncio por um momento, calculando.
— Katherine está desesperada agora que a primeira tentativa falhou. Vai tentar de novo, e dessa vez vai ser mais cuidadosa. Espero que você não esteja no caminho quando isso acontecer.
A ligação caiu antes que eu pudesse responder.
Fiquei parada no corredor por um longo momento, o celular ainda apertado na mão, tentando decidir o que fazer com a bomba que meu pai tinha acabado de jogar no meu colo.
Se eu contasse pra Daniel a verdade completa — que Katherine trabalhava pro meu pai, que eu era filha de Vincent Marchetti, que toda a minha presença ali fazia parte de um plano pra vigiar e possivelmente até facilitar a morte dele — eu estaria assinando minha própria sentença de morte.
Mas se eu não contasse, e Katherine tentasse de novo, e dessa vez tivesse sucesso…
Uma voz atrás de mim me fez congelar.
— Conversa interessante essa.
Me virei rápido demais, o coração na garganta.
Daniel estava parado na entrada do corredor, os braços cruzados, a expressão ilegível.
— Há quanto tempo você está aí?
— O suficiente pra ouvir a parte sobre Vincent Marchetti.
O mundo inteiro pareceu parar.
— Então — disse ele, dando um passo à frente, a voz perigosamente calma —, por que não me conta o resto da história agora, Emily? Ou devo chamar você pelo seu verdadeiro nome?
