Chapter 5
Meu nome verdadeiro é Emily, coincidentemente — meu pai nunca tinha se dado ao trabalho de inventar um nome falso pra mim, só o sobrenome.
— Marchetti — completei, a voz mais firme do que eu esperava conseguir. — Emily Marchetti.
Daniel não pareceu surpreso, só cansado, como se aquela confirmação fosse só mais um peso numa noite já pesada demais.
— Filha de Vincent Marchetti.
— Sim.
— Enviada aqui pra quê, exatamente? Pra vigiar? Pra facilitar minha morte?
— No começo, só pra observar. Meu pai queria informações sobre seus hábitos, sua segurança, seus pontos fracos.
— E o beijo? Isso também fazia parte da missão?
— Não.
A palavra saiu antes que eu conseguisse pensar melhor nela.
— Isso foi real. Eu vi o veneno, e agi pra te salvar, mesmo sabendo que isso ia contra tudo que meu pai queria.
Daniel me estudou por um longo momento, a raiva na expressão dele lutando contra alguma coisa mais complicada.
— Como eu sei que isso não é só mais uma mentira bem contada?
— Você não sabe. Mas Katherine trabalha pro meu pai há oito meses, e ela foi quem realmente tentou te matar hoje. Eu sou só a pessoa idiota o suficiente pra ter estragado o plano dele por não conseguir ficar parada vendo você morrer.
Algo mudou na expressão dele, uma rachadura mínima na parede de desconfiança.
Antes que ele pudesse responder, gritos vieram do salão principal, seguidos por um estrondo de vidro quebrando.
Daniel correu na frente, e eu segui logo atrás, o coração disparado.
O caos que encontramos ao chegar era completo — convidados gritando, seguranças com armas à mostra, e no centro de tudo, Katherine, segurando uma pistola pequena apontada diretamente pra cabeça de Daniel.
— Fica exatamente aí — disse ela, a voz tremendo, mas o dedo firme no gatilho. — Ninguém mais se aproxima.
— Katherine, abaixa essa arma — disse Daniel, as mãos erguidas devagar.
— Você ia descobrir de qualquer jeito, não ia? Depois de toda essa cena, essa vagabunda ia acabar contando tudo.
— Katherine.
— Eu não queria fazer isso assim! — ela gritou, lágrimas genuínas escorrendo agora, misturadas com desespero puro. — Eu só queria sair dessa vida, Daniel! Você não faz ideia do que é viver com medo de você todos os dias, esperando o dia em que eu vou desagradar você o suficiente pra virar um problema que precisa ser resolvido!
— Eu nunca te machucaria.
— Você machuca todo mundo ao seu redor, só que não com as próprias mãos.
O silêncio pesado que se seguiu foi cortado pelo som de passos rápidos se aproximando por trás de mim.
Virei a cabeça só o suficiente pra ver Marcus, o segurança que Katherine tinha tentado incriminar, avançando silenciosamente pela lateral do salão, fora do campo de visão dela.
Meu coração martelou.
Se eu distraísse Katherine por tempo suficiente, Marcus teria uma chance de desarmá-la sem que ninguém se machucasse.
— Katherine — falei, dando um passo à frente, as mãos erguidas. — Se você atirar nele agora, na frente de todo mundo, com todos esses seguranças aqui, você não sai viva desse salão. Você sabe disso.
— Talvez eu não me importe mais.
— Você se importa, sim. Foi por isso que você chorou de verdade agora há pouco, não foi só teatro.
Ela hesitou, a arma tremendo levemente na mão.
Foi tempo suficiente.
Marcus se moveu rápido, agarrando o pulso dela por trás e forçando a arma pra cima no exato momento em que ela disparou, a bala explodindo inofensivamente contra o teto ornamentado.
Katherine gritou, se debatendo, enquanto Marcus a dominava e outros seguranças corriam pra ajudar.
Daniel ficou parado, olhando pra ex-noiva sendo levada embora em prantos, e depois virou os olhos pra mim, o peito subindo e descendo com a respiração pesada.
— Você acabou de salvar minha vida duas vezes na mesma noite, Emily Marchetti.
— Parece que sim.
— Isso não muda o fato de que sua família queria me ver morto.
— Não muda mesmo.
Ele deu um passo em direção a mim, os olhos escuros carregados de algo que eu não sabia mais nomear — raiva, gratidão, desconfiança, e alguma outra coisa por baixo de tudo isso.
— Então me diz uma coisa antes que eu decida o que fazer com você, Emily. Você está do lado do seu pai, ou do meu?
