Chapter 2
— Emma? Você tá bem? — a voz de Liam ficava cada vez mais preocupada do outro lado da porta.
— Tô bem! Só… enjoo. Já vou sair.
Enrolei o teste de gravidez num pedaço de papel higiênico e o enfiei no fundo do lixo do banheiro, cobrindo com mais lenços por cima, como se aquilo pudesse apagar a existência dele.
Lavei o rosto, respirei fundo e saí, forçando um sorriso para Liam, que me esperava na cozinha com uma xícara de café.
— Você tá pálida — comentou ele, franzindo a testa.
— Só dormi mal.
Ele não insistiu, mas seus olhos continuaram desconfiados enquanto eu saía para mais um turno duplo na lanchonete, o segredo pesando em cada passo que eu dava.
O que eu não sabia era que, três dias depois, Liam decidiria fazer uma faxina geral no apartamento enquanto eu trabalhava — incluindo esvaziar todos os lixos, inclusive o do banheiro.
E não fui eu quem encontrou aquele saco de lixo revirado no chão do corredor.
Foi um dos homens de Alessandro.
Porque, sem que eu soubesse, ele tinha colocado alguém para me vigiar discretamente desde a noite do Obsidian — não por desconfiança, mas por um instinto que ele nunca soube explicar direito, algo que o fazia querer saber que eu estava segura.
Naquela noite, voltando cansada do turno, encontrei um carro preto parado em frente ao prédio.
Alessandro Vitali estava encostado na porta, o casaco escuro contrastando com as luzes amareladas da rua, segurando algo entre os dedos.
Meu teste de gravidez.
O sangue gelou nas minhas veias.
— Como você… onde você conseguiu isso?
— Isso não importa agora — disse ele, a voz perigosamente calma. — O que importa é que é meu.
Não era pergunta. Era afirmação.
— Alessandro, eu posso explicar…
— Não precisa explicar matemática básica, Emma. Ou devo dizer, Elizabeth?
O chão pareceu sumir sob meus pés.
— Como você sabe meu nome verdadeiro?
— Eu sei muitas coisas sobre você agora. Sei que “Emma” não existe em nenhum registro dessa cidade. Sei que Elizabeth Carter perdeu os pais aos dezenove anos. Sei que ela mudou de nome por algum motivo que ainda não descobri completamente.
— Você me investigou?
— Eu protejo o que é meu. E, aparentemente, isso agora inclui você e o que está crescendo dentro de você.
— Eu não sou sua propriedade, Alessandro.
Ele se aproximou, os olhos âmbar fixos nos meus, sem nenhuma gentileza da noite no Obsidian.
— Não. Mas minha filha, ou meu filho, é meu sangue. E eu não vou permitir que cresça escondido, com uma mãe vivendo sob um nome falso, por razões que eu ainda não entendo.
— Você não pode simplesmente aparecer aqui e decidir minha vida.
— Posso, e vou.
Ele abriu a porta traseira do carro preto, um gesto que não parecia convite, mas ordem.
— Você vem comigo.
— E se eu recusar?
Alessandro se inclinou, sua voz baixando para algo quase gentil, mas absolutamente inflexível.
— Então eu vou descobrir sozinho por que Elizabeth Carter precisou desaparecer. E, confie em mim, prefiro que você me conte antes que eu descubra por conta própria.
Olhei para Liam, que tinha acabado de sair do prédio e parado, confuso, observando a cena.
— Emma, quem é esse homem?
— Liam, entra em casa. Por favor.
— Não vou deixar você sozinha com…
— Liam! — minha voz saiu mais forte do que pretendia. — Por favor. Eu preciso resolver isso.
Ele hesitou, olhando entre mim e Alessandro, antes de recuar relutantemente para dentro do prédio, ainda observando pela janela.
Virei-me para Alessandro, o coração batendo tão forte que doía.
— Se eu for com você, promete que ele fica de fora disso? Ele não tem nada a ver com nenhum dos nossos segredos.
— Tem minha palavra.
Respirei fundo, sentindo o peso de oito meses de mentiras — as minhas e as que ainda estavam por vir — desabando sobre mim de uma vez.
Entrei no carro.
