Ela escondeu a gravidez do chefe da máfia — até ele encontrar o teste no lixo e dizer: “Você vem comigo”

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Chapter 3

A mansão dos Vitali ficava em Lincoln Park, cercada por muros altos e portões de ferro que pareciam mais prisão do que residência.

Alessandro me conduziu por corredores de mármore escuro até um escritório revestido de madeira, onde me indicou uma poltrona de couro antes de se sentar atrás de uma mesa imponente.

— Agora — disse ele, cruzando os dedos sobre a mesa — me conte sobre Elizabeth Carter.

— Não há muito o que contar.

— Há o suficiente para você mudar de nome e viver com medo de ser reconhecida. Isso não é “não há muito”.

Suspirei, sabendo que não tinha mais como fugir daquela conversa.

— Quando meus pais morreram, num acidente de carro, eu era testemunha de um caso que envolvia o motorista do outro veículo. Um homem chamado Victor Dunn, que trabalhava para uma organização perigosa daqui de Chicago.

Os olhos de Alessandro se estreitaram, um lampejo de reconhecimento cruzando seu rosto ao ouvir o nome.

— Victor Dunn trabalhava para os Castellano.

Meu coração parou.

— Você conhece esse nome?

— Os Castellano são rivais antigos da minha família. Continue.

— Eu testemunhei que Victor estava bêbado, dirigindo em alta velocidade, quando bateu no carro dos meus pais. Mas, antes do julgamento, recebi ameaças. Ligações anônimas dizendo que, se eu testemunhasse contra ele, eu seria a próxima.

— E você testemunhou mesmo assim?

— Testemunhei. Ele foi condenado. Mas, dois anos depois, descobri que ele tinha sido solto por bom comportamento, e que continuava perguntando sobre mim para conhecidos em comum.

— Então você mudou de nome.

— Elizabeth Carter desapareceu, e Emma nasceu, com um número de segurança social alterado que um amigo de faculdade me ajudou a conseguir, ilegalmente, mas com boas intenções.

Alessandro ficou em silêncio por um longo momento, absorvendo cada palavra.

— Por isso você nunca me perguntou detalhes sobre minha vida naquela noite. Você já sabia como é viver escondida de gente perigosa.

— Eu sabia exatamente como é.

— E por que não me contou isso quando descobriu que estava grávida?

— Porque, Alessandro, você é ainda mais perigoso do que Victor Dunn jamais foi. Contar a você que eu era Elizabeth Carter, testemunha protegida contra uma família rival da sua, parecia trocar um perigo por outro ainda maior.

Ele se levantou, andando até a janela, as mãos nos bolsos, processando tudo.

— Você tinha razão em ter medo. Mas cometeu um erro em pensar que eu representaria perigo para você e para meu próprio filho.

— Como posso saber disso com certeza?

Ele se virou, os olhos sérios, quase feridos pela pergunta.

— Porque, ao contrário de Victor Dunn, eu não machuco pessoas inocentes. E porque, goste você ou não, o que sinto por você desde aquela noite no Obsidian não desapareceu, mesmo com todas as mentiras entre nós.

Antes que eu pudesse responder, um dos seguranças bateu à porta, entrando apressado.

— Senhor Vitali, desculpe interromper. Mas identificamos uma movimentação estranha perto do apartamento da senhorita Carter. Um homem correspondendo à descrição de Victor Dunn foi visto no quarteirão há vinte minutos.

O sangue fugiu do meu rosto.

— Ele me encontrou.

Alessandro se aproximou rapidamente, o rosto transformado numa expressão que eu reconheci como pura fúria contida.

— Ele não vai chegar perto de você de novo. Nem do meu filho.

— Alessandro, o Liam ainda está lá!

O rosto dele endureceu ainda mais.

— Mande uma equipe até o apartamento agora — ordenou ao segurança. — Tragam o rapaz para cá, em segurança, imediatamente.

Olhei para Alessandro, o medo e uma estranha gratidão se misturando dentro de mim.

— Por que você está fazendo isso? Ele nem é problema seu.

— Porque ele é importante para você. E, a partir de agora, tudo que é importante para você é problema meu também.

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