Chapter 4
Liam chegou à mansão quarenta minutos depois, escoltado por dois seguranças de Alessandro, o rosto uma mistura de choque e indignação.
— Alguém pode me explicar o que diabos está acontecendo? — exigiu ele, assim que me viu na sala de estar. — Homens armados apareceram no nosso apartamento dizendo que era “por segurança”!
— Liam, eu sinto muito por te envolver nisso.
— Envolver em quê, Emma? Ou Elizabeth, ou seja lá qual for seu nome de verdade agora?
Alessandro entrou na sala, e Liam se virou para ele, a raiva evidente.
— E você. Quem exatamente pensa que é, mandando gente armada atrás de mim?
— Alguém que está tentando proteger a mãe do meu filho — respondeu Alessandro, sem se abalar. — E, aparentemente, o amigo dela também.
Liam olhou para mim, confuso, a raiva cedendo espaço a uma preocupação genuína.
— É verdade? Você está grávida dele?
— É verdade, Liam. E há um homem perigoso do meu passado que pode estar tentando me encontrar de novo.
Expliquei rapidamente sobre Victor Dunn, sobre a testemunha protegida, sobre os anos escondida sob o nome de Emma.
Liam ficou em silêncio, absorvendo tudo, antes de finalmente se sentar, exausto.
— Por que você nunca me contou nada disso? Somos amigos há quinze anos.
— Porque, quanto menos pessoas soubessem, mais segura eu estaria. E mais segura você estaria também.
— Isso devia ter sido minha decisão, Elizabeth.
O uso do meu nome verdadeiro, vindo dele, doeu de um jeito diferente.
Antes que eu pudesse responder, o telefone de Alessandro tocou. Ele atendeu, o rosto ficando cada vez mais tenso conforme ouvia.
— Onde? — perguntou, secamente. — Tragam-no até aqui. Vivo, se possível.
Desligou, olhando para mim com uma expressão grave.
— Encontramos Victor Dunn. Ele estava efetivamente vigiando seu antigo apartamento, esperando por uma oportunidade.
— O que vai acontecer com ele?
— Meus homens vão trazê-lo até aqui. Quero entender exatamente o que ele quer antes de decidir o que fazer.
— Alessandro, ele é perigoso.
— Eu também sou, Elizabeth. E, dessa vez, estou do seu lado.
Uma hora depois, Victor Dunn foi trazido ao escritório de Alessandro, as mãos amarradas, o rosto ainda carregando os traços do homem que eu tinha testemunhado contra anos atrás, agora mais velho, mais desgastado.
— Vitali — disse ele, reconhecendo Alessandro com um misto de surpresa e cautela. — Não sabia que os Vitali se interessavam pelos assuntos dos Castellano.
— Passei a me interessar no momento em que você decidiu perseguir a mãe do meu filho.
Os olhos de Victor se arregalaram ao me ver atrás de Alessandro.
— Elizabeth Carter. Depois de tantos anos.
— O que você quer comigo, Victor? — perguntei, tentando manter a voz firme, apesar do tremor nas mãos.
— Eu só queria conversar. Sei que você ainda guarda provas que poderiam reabrir meu caso, ligando os Castellano a outros crimes que nunca vieram à tona. Vim tentar negociar, garantir seu silêncio permanente.
— Por meios violentos, presumo — interveio Alessandro, a voz gelada.
— Só se fosse necessário.
Alessandro deu um passo à frente, a presença dele preenchendo toda a sala com uma ameaça silenciosa.
— Deixe-me deixar uma coisa bem clara, Dunn. A partir de hoje, Elizabeth e o filho que ela carrega estão sob proteção dos Vitali. Qualquer movimento seu contra ela será interpretado como uma declaração de guerra contra minha família inteira, incluindo os Castellano que você tanto teme decepcionar.
Victor empalideceu visivelmente, entendendo, pela primeira vez, o tamanho do erro que tinha cometido.
— Eu não sabia que ela estava… conectada aos Vitali.
— Agora sabe.
Alessandro se virou para seus seguranças.
— Levem-no para a polícia, com todas as provas de perseguição que temos reunidas. Certifiquem-se de que ele nunca mais chegue perto dela.
Enquanto Victor era levado, algemado, para fora do escritório, senti um peso enorme finalmente começar a se dissolver dos meus ombros — anos de medo, finalmente confrontados e neutralizados.
