Foi a primeira vez que meu marido me tocou em três anos, e o olhar nos olhos dele me apavorou mais do que o sangue se espalhando aos meus pés.

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Chapter 3

Fiquei em silêncio por um longo momento, absorvendo tudo o que Marcus tinha acabado de revelar.

— Três anos, Marcus. Você me deixou acreditar que eu era invisível para você por três anos inteiros.

— Eu sei. E não existe desculpa suficiente para a dor que isso te causou.

— Havia outra forma? Alguma coisa que você pudesse ter feito diferente, além de me tratar como uma estranha dentro da minha própria casa?

Ele suspirou, esfregando o rosto com as mãos, o peso de anos de silêncio finalmente encontrando voz.

— Eu contratei investigadores particulares só para monitorar Damian discretamente, sem que ele soubesse. Eles confirmaram, repetidamente, que ele mantinha vigilância sobre nós, esperando qualquer sinal de fraqueza emocional entre nós dois.

— Então você literalmente atuou como um marido frio, esse tempo todo, como uma performance?

— A performance mais difícil da minha vida.

Levantei-me do sofá, mancando levemente por causa do curativo, precisando de espaço para processar tudo aquilo.

— E os relatórios? Você disse que já sentia algo por mim antes mesmo do casamento.

Marcus hesitou, como se aquela parte fosse ainda mais difícil de admitir do que o resto.

— Quando descobri a dívida do seu pai, e soube que ele precisaria de ajuda, pedi para meus investigadores reunirem informações sobre a família inteira antes de decidir se interviria.

— E o que você descobriu sobre mim, especificamente?

— Descobri uma jovem que trabalhava dois empregos para ajudar a pagar as contas da casa, que ainda encontrava tempo para ensinar as crianças do bairro a ler, que nunca reclamava apesar de merecer muito mais do que a vida estava te dando.

Senti as lágrimas se formarem, uma mistura de raiva antiga e uma ternura inesperada.

— Você me observou antes mesmo de me conhecer.

— Observei o suficiente para saber que queria proteger você, não apenas resolver a dívida do seu pai como um favor comercial qualquer.

— Então por que casar comigo desse jeito? Frio, distante, como se fosse só um contrato?

— Porque, no momento em que Damian descobriu meu interesse genuíno, ele deixou claro: qualquer demonstração pública ou privada de afeto seria interpretada como um convite para ele agir contra você.

O silêncio entre nós se estendeu, carregado de anos de mal-entendidos finalmente sendo desfeitos.

— Isabella, existe mais uma coisa que preciso te contar, e não vai ser fácil de ouvir.

Meu estômago se apertou.

— O quê?

— O “problema” que mencionei mais cedo, na conversa que você ouviu antes de derrubar o vaso… tinha relação direta com Damian.

— Como assim?

— Um dos meus homens, infiltrado na organização dele há meses, foi descoberto essa noite. Isso significa que Damian provavelmente sabe agora que estamos monitorando seus movimentos.

— O que isso significa para nós?

Marcus se levantou, caminhando até a janela, observando a tempestade que ainda castigava Manhattan lá fora.

— Significa que ele pode decidir agir mais cedo do que planejávamos. E significa que, a partir de agora, manter distância de você deixou de ser uma proteção e passou a ser um risco desnecessário.

— Então o que fazemos?

Ele se virou, os olhos cinzentos carregados de uma determinação que eu nunca tinha visto antes.

— A partir de hoje, você fica ao meu lado, não mais escondida na sombra do nosso próprio casamento. Se Damian vai agir de qualquer forma, prefiro enfrentá-lo com você sabendo a verdade, e comigo finalmente livre para te proteger abertamente, do que continuar essa farsa que só nos machucou por três anos.

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